23 julho, 2003

Saber como viver sozinho

Não persiga o passado.
Não se perca no futuro.
O passado já não existe.
O futuro ainda não veio.
Olhando a vida profundamente como ela é
exatamente no aqui e agora,
o praticante vive
em estabilidade e liberdade.

gatha de Bhaddekaratta, Sutra Samyukta Agama, 71

"O passado não mais existe. O futuro ainda não chegou."

Isso é simples lógica. Todos nós sabemos que o passado é apenas um fantasma, por que deveríamos ficar tão apegados a ele? E o futuro é apenas um fantasma, por que temos de ter tanto medo dele? Existe uma coisa, e é o presente, mas nós não sabemos viver o momento presente, e nós permitimos que o passado e o futuro nos afogue, nos subjugue.

No presente temos paixões, apegos, tristezas, projetos, e quando vivemos com estas coisas não estamos vivendo a sós, estamos vivendo com os fantasmas, e um praticante não deveria morar com fantasmas, nós deveríamos viver sozinhos.


"Saber como viver sozinho" não pretende aqui significar viver em solidão, separado de outras pessoas, numa caverna na montanha. "Viver só" significa aqui viver para atingir o domínio de você mesmo, ter liberdade, e não ser arrastado pelo passado, não ter medo do futuro, não ser tragado pelas circunstâncias do presente. Nós sempre somos mestres de nós mesmos, podemos lidar com a situação como ela é, somos donos da situação e de nós mesmos .
"Estar só" não significa ficar separado de outras pessoas. Nós podemos estar sentados em uma caverna, mas não estaremos necessariamente sozinhos, porque nos perderemos em nossos pensamentos, e assim não estaremos sós.

O Sutra do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho nos ensina como viver cada momento de nossa vida diária muito profundamente. Quando nós podemos viver nossa vida diária profundamente, começamos a adquirir concentração e sabedoria; nós podemos ver a verdadeira natureza da vida, chegamos a uma grande liberdade, e liberdade é a essência da felicidade. Se nós estamos sofrendo, é porque não somos livres, e então praticar é recuperar nossa liberdade. Quando nós temos liberdade, ficamos sólidos. Liberdade e solidez são as duas características do Nirvana, assim precisamos de um programa de liberdade e solidez. Se alguém está sofrendo, sabemos que esta pessoa não está livre; e porque não são livres, as pessoas estão sofrendo, elas estão aprisionadas pelo passado, ou elas estão sendo oprimidas pelo presente, ou elas estão sendo arrebatadas pelo futuro, e é por isso que elas estão sofrendo. A prática é restabelecer nossa liberdade, e então nós não sofreremos, e nossa felicidade aumentará.

Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso." No Sutra vemos claramente que viver no momento presente não impede nosso pensamento sobre o passado ou o futuro, mas nós temos que viver no momento presente de forma a toda vez que olharmos profundamente o passado ou o futuro, nos libertamos e podemos superar nossos medos e nossa tristeza no que concerne a estas coisas. Porque nos ensinamentos da integração do ser, interpenetração, o passado faz o futuro, e o futuro é feito do passado. Portanto, estando em contato com o presente já estamos em contato com o passado e o futuro, mas não estamos sendo arrastados pelos fantasmas do passado e do futuro.

Thich Nhat Hanh [ Sutra Conhecendo o Melhor Modo de Viver Sozinho]

21 julho, 2003



Ter fé em Buda é, simplismente,um modo de mostrar a você como crer na sua própria e verdadeira natureza original. Você é Buda, o Buda é você!

Seung Sahn [A Bússola do Zen,Bodigaya]

20 julho, 2003

Vivendo Zen: A Vida Nada Especial

O dia foi especialmente quente. Um dia de verão.
Mestra Heila disse que lá em Robertson (África do Sul) tem feito dias de muito frio, alguns abaixo de zero!
Aqui, ainda não e espero que fique por isso mesmo.

Aproveitei para passear com o Bodhy, ( um cachorrinho ), depois antecipei a compra do presente do papai.

Eloíza me contou que está fazendo Kung Fu e o Emerson vai fazer também. Eu já faria Aikido.





Sejam uma luz em si mesmos

O budismo ensina que os corpos dos budas e dos
bodisatvas irradiam luz. O Zen ensina que a luz
inerente a si se estende por uma distância imensurável
para frente e para trás. Neste contexto, a luz
significa a lâmpada da fé brilhando de dentro de si. A
importância desta palavra para o Zen aparece quando
Dogen Zenji dedica um fascículo do Shobogenzo à luz
(komyo).
Essencialmente esta luz são os ensinamentos de Buda.
Como Buda disse "Desta forma, Ananda, depois que eu me for, sejam uma luz em si mesmos. Repousem e confiem em si mesmos. Não confiem em mais nada.

Caminho Zen Vol. 13, nº 4 2002
Os seres sensitivos são como imagens refletidas na água. Os que não vêem a verdadeira natureza das coisas confundem sombra com substância.

Philip Kapleau [Os Três Pilares do Zen,Itatiaia]

14 julho, 2003

Aprender como Aprender

Buda ensinou, um elemento muito importante: aprender como aprender.

Quatro Pilares Para O Estudo Do Dharma


Apoie-se no Dharma, não em pessoas.

Tudo que as pessoas podem fazer é interpretar o Dharma, o que é somente um auxílio para o aprendizado.
É impossível alguém simplesmente transmitir o Dharma a outrem. Quem
não vivencia as verdades do Dharma nem as aplica à própria vida não
aprende o Dharma, apenas aprende a respeito dele. As verdades mais
elevadas exigem, em última instância, ser vivenciadas. Por milhares
de anos, os mestres e praticantes budistas estudaram as verdades
ensinadas pelo Buda até conseguirem ter sua experiência direta.




Apoie-se na Sabedoria, Não no Acúmulo de Conhecimento.

No âmago dos ensinamentos do Buda está a sabedoria interior que já possuímos.
Assim, ao estudar, é necessário que estejamos alertas a essa
sabedoria. Podemos encher a cabeça com muitos fatos a respeito do
Dharma; entretanto, nem mesmo uma biblioteca repleta de fatos se
iguala a uma única percepção clara da verdade subjacente a eles. Ver
a verdade é sabedoria, ao passo que conhecer a verdade é apenas
conhecimento. Não há nada de errado com o conhecimento mas, em si,
ele nunca o libertará das ilusões. Assim como o Dharma é um espelho
que reflete nossa sabedoria inata, nossa sabedoria pode ser um
espelho a refletir os eventos de nossa vida. Voltando esse espelho
para o mundo, vêem-se as coisas como realmente são e não como as
impurezas dizem que são. Com a profunda sabedoria da mente interior
podemos ver a vida como ela realmente é. Devemos todos estudar o
Dharma e aprender as complexidades dos ensinamentos do Buda mas, ao
aprender um fato novo, é preciso também garantir que o mesmo seja
absorvido profundamente. Assim, a sabedoria que é inerente a todas as
formas de vida consciente começará a despertar por si própria.


Apoie-se no Significado das Palavras, Não nas Palavras.

A maior parte do aprendizado humano é adquirido através da linguagem. O Dharma é ensinado primordialmente através de palavras. As palavras devem ser respeitadas pelo importante papel que desempenham em nossa vida.
Ainda assim, jamais devemos nos deixar aprisionar por elas. As
verdade descritas pelo Buda em palavras não são em si palavras, são
verdades que transcendem totalmente as palavras. Esquecer esse fato é
esquecer o cerne da mensagem do Buda.


Até mesmo nossa reverência pelo Buda pode se constituir um obstáculo ao crescimento se não compreendermos que o verdadeiro Buda é um estado mental, e não simplesmente um símbolo ou história que existe em algum lugar, fora de nós.
Não é verdadeiro um ensinamento que não possa ser vivido e experimentado. Se não pudermos empreender um esforço para aprendê-lo, começando por onde estamos, de nada nos serve.

Apoie-se no Significado Total, Não no Parcial.
Isso significa que devemos estudar até entender a verdade profunda da mensagem do Buda,
sem nos deter em níveis mais superficiais de compreensão. O Buda
disse muitas coisas a diferentes tipos de pessoas.
Seu método de ensino é freqüentemente chamado de "método hábil" ou "método expediente" porque o que era ensinado a diferentes públicos dependia da respectiva capacidade de compreensão.
Havia aqueles com maior dificuldade de aprendizado, com necessidade de reificar o que quer que o Buda dissesse, ao passo que outros, com maior capacidade de aprendizado, conseguiam compreender os argumentos diretamente. Os ensinamentos do Buda, portanto, versam sobre muitos e variados tópicos. A abrangência de seu escopo é ampliada ainda mais pelo fato de que o Buda pregou o Dharma por quarenta e cinco anos. À medida que passaram os anos, seus alunos foram progredindo e sua mensagem foi se
aprofundando e conformando a sensibilidades mais profundas. A massa
de sutras e escolas que foram criadas naquela época é vasta e, por
vezes, confusa até mesmo para estudantes avançados do Dharma. Se não
formos cuidadosos, podemos ficar preocupados com uma mensagem
secundária, perdendo de vista a verdade profunda.


A forma correta de estudar o Dharma é desenvolvendo uma relação com o Buda, tanto aquele que está em seu interior como aquele que o transcende. Quando conseguir ver o Buda em tudo, poderá dizer que realmente compreende o Dharma.


Texto extraído do livro "Lotus in a Stream" - Wisdom Publisher, e
que o Ven. Mestre Hsing Yun é o 48o. Patriarca da Linhagem Lin Chi
(Rinzai) do Budismo Ch'an e fundador do Monastério de Fo Guang Shan em Taiwan.

13 julho, 2003

Máximas de Atisha para o Treinamento da Mente Compassiva:


Mantenha sempre uma mente alegre
Se puder praticar, mesmo distraído, vc. estará bem treinado.
Mude sua atitude, mas permaneça natural
Não pense na falha dos outros
Trabalhe primeiro com as maiores imperfeições
Abandone qualquer expectativa de resultado
Renuncie aos alimentos venenosos
Não seja tão previsível
Não fale mal dos outros
Não se ponha de emboscada
Não leve as coisas a um ponto doloroso
Não tranfira a carga do boi para a vaca
Não tente ser o mais rápido
Não aja ardilosamente
Não tranforme deuses em demônios
Não procure fazer da dor alheia as pernas da sua própria felicidade
Treine-se imparcialmente em todas as áreas. Écruel fazer isso sempre, de
modo abrangente e sem reservas.
Sempre medite sobre tudo que provoca ressentimento
Não dependa de circunstâncias externas
Não interprete incorretamente
Não vacile
Pratique com determinaço
Não chafurde na autocomiseração
Não seja invejoso
Não seja frívolo
Não espere aplauso
Quando o mundo está cheio de maldades, transforme todas as
adversidades no caminho de bodhi.
Seja grato a todos
Incorpore à meditação tudo que vc. encontrar inesperadamente

Pema Chödrön [Comece Onde Você Está, Sextante, lançamento em agosto,2003]

Atisha Dipankara, monge indiano que foi levado ao Tibete para transmitir a essencia dos ensinamentos do Buda.

Maximas de Atisha na Internet

12 julho, 2003

A prática é caminhar sem olhar para trás

"Quando começamos a praticar, trazemos nossa dor e nossos hábitos conosco, não apenas os hábitos dos últimos vinte ou trinta anos, mas a energia dos hábitos de nossos ancestrais. Através da prática da vida atenta, aprendemos hábitos novos. Ao caminhar, temos consciência de estar caminhando. Ao ficar de pé, sabemos que estamos de pé. Ao sentar, sabemos que estamos sentados. Praticando desta forma, nós gradualmente vamos desfazendo os velhos hábitos e desenvolvendo o novo hábito de viver ancorado profundamente no momento presente, de uma maneira feliz. Com a atenção plena em nós, podemos sorrir com um sorriso que demonstra a nossa transformação."

Thich Nhat Hanh [A Essência dos Ensinamentos de Buda, Rocco-Como transformar o sofrimento em paz, alegria e liberação: As quatro nobres verdades, o caminho Óctuplo e alguns outros ensinamentos budistas básicos.]


CULTIVANDO A MENTE DE AMOR

ESSENCIA DOS ENSINAMENTOS DE BUDA, A

PAZ A CADA PASSO

VIVENDO BUDA VIVENDO CRISTO

PARA VIVER EM PAZ

VIVENDO EM PAZ

MEDITAÇÃO ANDANDO

CAMINHOS PARA A PAZ INTERIOR

SOL MEU CORAÇÃO, O

CORAÇÃO DA COMPREENSAO, O

JESUS E BUDA, IRMÃOS
Amor sem Limites


... compromisso incondicional, conosco e com os outros, é o que significa amor sem limites. O amor do mestre pelo discípulo se manifesta como compaixão. O amor do discípulo pelo mestre é devoção. Esse calor mútuo, essa ligação de corações permite que haja um encontro de mestres. É esta espécie de amor que doma os seres indomáveis e ajuda os bodisattvas a irem além dos locais que já conhecem.

Pema Chödrön [ Os Lugares que nos Assustam, Sextante]

10 julho, 2003

O amor torna tudo brilhante, agradavel e vantajoso. O amor eh o vaso que contem alegria!

Madre Teresa

06 julho, 2003

Pequenas Tarefas?

Meu principal dever eh cumprir pequenas tarefas como se fossem grandes e nobres.

Helen Keller
Então por que meditar?
Porque aumenta sua sensibilidade à sua própria
raiva, medo, tristeza etc.. Na meditação, você aprende
a estar ciente. Ao passo que isso ocorre, você se
torna ciente de suas próprias emoções e sentimentos
juntamente com tudo mais na sua experiência, no
momento em que acontecem.
E provavelmente você irá descobrir que está em
alguma espécie de desconforto a maior parte do tempo,
e que a maior parte de seu desconforto vem de dentro.
Ao passo que você se torna mais ciente, você percebe
que cada coisa negativa que você cria pra si mesmo é
um processo. Começa ao ouvir alguém dizer algo que
você não gosta. Você tem uma resposta emocional. Seu
corpo se torna tenso. Seus pensamentos disparam à
busca de uma resposta. É todo um processo, não apenas
um evento.
Quanto mais ciente você estiver, menos tempo você
vai levar para perceber que isto está acontecendo. Se
você perceber rápido o bastante, você pode
redirecionar as coisas.

cérebro x iluminação: enviado por Emerson

Texto original em inglês:

So why meditate?

Because it increases your sensitivity to your own
anger, fear, sadness etc.. In meditation, you learn
to be aware. As that happens, you become aware of
your own emotions and feelings along with everything
else in your experience, right as they happen.

And you will probably find that you're in some sort of
discomfort most of the time, and that most of it comes
from within.

As you get more aware, you see that each negative
thing you create for yourself is a process. It starts
off with hearing somebody say something you don't
like. You have an emotional response. Your body gets
tense. Your thoughts sprint into looking for a
response. It's a whole process, not just one event.

The more aware you are, the sooner you notice that
it's happening. If you notice it quick enough, you
can re-route things.