22 abril, 2003

Somos todos iguais

Estava numa loja de aquários e comecei a olhar os peixinhos e de repente
eu vi um que estava boiando na superfície, morto e outros dois que iam
e vinham como se estivessem pedindo ajuda e eu falei com eles em
pensamento e disso que não adiantava, ele estava morto, então eu
fiquei ali olhando aquele mundo e pensando que ali tb. tinha sofrimento,
eu me vi como um peixe e senti que não era legal ficar o tempo todo
se mexendo, comendo, e tudo mais que os peixinhos faziam, que aquilo
que parecia lindo para nós, ornamental, na verdade era sofrimento.
Se eu fosse eles e soubesse, não gostaria de ser peixinho e não acharia lindo ser peixinho.
Então me vendo com peixinho eu chorei.
Eu vi que a condição deles não era melhor nem pior que a minha,
que eles não eram mais sortudos por serem peixinhos,
viverem em baixo d'água, nadar, etc.
Todas as condições têm sofrimento. Por isso ninguém é mais nem menos.
Todos estamos submetidos a mesmas condições, a mesma natureza nos trouxe aqui.

Só é possível saber o que é compaixão quando nos colocamos no lugar do outro
e sentimos como o outro sente, como se fossemos nós, pq. de fato o outro
somos nós e nós somos o outro. Nesse sentido todos somos iguais.
A compaixão nos torna iguais a tudo que existe.
Portanto ninguém é melhor ou pior, nem mais ou menos.
Todos estamos aqui porque temos a mesma natureza.
Como se diz: somos farinha do mesmo saco, partículas do mesmo universo.
Ou como diz o poema: "irmãos das estrelas e árvores".

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