08 abril, 2003

Apenas ser

Ela começa onde? Muito antes de uma nuvem? Muito antes de um relâmpago.
Antes de uma tempestade?
Essa viagem nunca começou e nunca terá fim.
Por quê isso é importante? Por quê buscar a origem das coisas, ir para o passado?
Não estamos satisfeitos com o que existe? Não nos conformamos com o que ou quem somos?
Rejeitamos nossa natureza, mas qual é nossa verdadeira natureza?
Somos feitos de chuva e viajamos nela, indo e vindo, por infinitos momentos,
de todas as formas, do jeito que
ela vir: apenas chuva, desfrutando dessa viagem.
E chuva é livre, porque ela não se pergunta “quem sou eu?”, por quê estou aqui?
Nascer, morrer, sem lamento, sem pesar, apenas ser chuva é seu instante único.
Celebremos a chuva, pois ela não compete com o sol. Ambos convivem em perfeita harmonia.

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