09 março, 2003

Momento Retiro

Quando se está no retiro (sesshin) tudo que fazemos pode incomodar as pessoas e
o que elas fazem pode nos incomodar, porque estamos cheios de julgamentos, de conceitos,
de preconceitos, de condicionamentos. Do próprio condicionamento de que o retiro deve
seguir as regras rigorosamente, que a meditação deve ser rigorosamente como foi ensinada.
Nos apegamos às regras e qualquer movimento de alguém para subvertê-las nos afeta.
Isso é bom, porque cria conflito e produz energia na mente. A mente é levada ao estresse,
nas mínimas coisas. Nos incômodos, nos desconfortos, nos olhares, nas ações.
Quando ouvimos as palestras do Dharma, qualquer coisa que o professor fale que parece ser dirigido
para nós, mesmo que não seja, qualquer coisa que discordamos, nos afeta. Ficamos ruminando isso,
até desistir, é uma tortura mental, mas no fim o resultado é maravilhoso.
Pode parecer assustador para quem está de fora, mas é um treinamento muito forte, muito eficaz e
os resultados são impressionantes, na medida do envolvimento de cada um.
Aquele que se fecha e decide resistir ou apenas ficar ali esperando que acabe,
perde a grande oportunidade de levar consigo essa experiência e torna-la presente no cotidiano.
Isso é a prática: é a vida a cada momento.




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