31 março, 2003

Por quê nunca li Rubem Alves?

Vontade de escrever e desenhar. O culpado: Rubem Alves.


Tudo assim como é, é perfeito!

Now I look to the world and I start to cry.
This world it’s so beautiful.
Thanks for coming and to open the door!


Na porta do seu quarto estava escrito: “Bene vixit qui bene latuit.”,
Bem viveu quem bem se escondeu, Descartes.
Quando finalmente abriu-se a porta para o mundo fora de si, ele saiu.
A primeira providência: rasgar a frase,abolir Descartes de sua vida.
Agora ele olhava as coisas do mundo e elas não cabiam mais no seu coração apertado.
Seus olhos se enchiam de rios, lagos, mares e chuva, chuva.
O mundo era tão lindo, tão lindo. -Ele suspirava: tão lindo, tão lindo!-
Repetindo para si mesmo.
Tinha vontade de sair correndo e abraça-lo todo em um abraço.
Engoli-lo todo em um gole.
Por quê continuar? Está tudo perfeito.
Tudo assim como é, é mágico.
Nada a acrescentar.
Não mude a cor, a forma, o tamanho, os cheiros, as gentes com seus corações grandes ou pequenos,
suas bondades ou maldades; tudo assim, é perfeito.
Por quê ir embora? Deixe ser e seja cada momento, como ele vir,
sem se conter, sem desistir, sem hesitar,
sem ir ou vir, sem pensar, apenas esteja presente.
Escolheu uma nova frase para colar na porta: Tudo assim como é, é perfeito.

30 março, 2003

No Lugar Certo



Cada vez me convenço mais que o estilo japonês não é para mim. Esse estilo te leva ao isolamento e vivemos no mundo, não podemos ignorá-lo. Precisamos viver aqui para podermos nos ajudar e ajudar as pessoas. Por isso cada vez mais me vejo no lugar certo com Mestra Heila.
Já fiz esse caminho de ir ao encontro de mim mesma, de ir para dentro. Agora tenho que sair da caverna e descer a montanha. Não é fácil. É totalmente o oposto do que eu vinha praticando. É completamente aqui e agora, presente no momento. Não tem como fugir, nem para onde fugir.
O estilo japonês pode até combinar mais com minha característica silenciosa, mas é uma casca que eu terei que romper para viver nesse mundo, não se pode ter medo da vida.

29 março, 2003

Budismo e Relacionamentos

Como fica a vida familiar, entre casais quando apenas um deles se interessa ou pratica no Budismo?

Eis aqui uma dica da Ju:

"Diálogos que fazem um casamento valer a pena...


- Eu não vou ler este livro que você comprou, não. É muito chato.
- Tudo bem, Ed. Mas já reparou que agora você só lê livros sobre zen-budismo?
- Por quê? Você não gosta?!
- Eu até gosto. Só tô achando que você estreitou muito suas áreas de interesse.
- Ah, Ju, isso é passageiro... É só nesta encarnação.

(Aguardem. Breve, neste bat-blog, a nova série "Dormindo com um budha".)"



A mente do meditante

Mestra Heila disse-me para contar a respiração. Eu disse que no samadhi não há respiração.
Então ela falou: logo vais morrer! Ah, ah, ah!
Foi ato falho, eu deveria ter dito que no samadhi não há contagem de respiração.
Estávamos falando sobre como fica o cérebro quando meditamos e Christine falou o Ken Wilber
fez uma experiência com eletrodos e a freqüência cerebral foi a zeeerooo! O cérebro fica como o de um morto, sem impulsos cerebrais. A Shumaia que trabalha com encefalografia quer fazer pesquisas nesta área. Já me ofereci como voluntária. :))

28 março, 2003

Uau! a Rooibos (dos chás) acabou de ligar da Alemanha para dizer que o vôo atrasou.
E o mais impressionante, o cara falava português melhor que eu, praticamente sem sotaque!
Quem está tomando um chá de cadeira no aeroporto de Curitiba é a C.
Já liguei para lá e pedi para anunciar no aeroporto.
Chás e Saudades

C. trabalha para a Rooibos uma empresa alemã que produz chás orgânicos na África do Sul.
Ela me presenteou com dois: Khoisan e Masala. Levei ela na loja de chás Tee Gschwendner
que é uma franquia alemã. Estávamos lá olhando os chás, um mais maravilhoso que o outro quando C. viu na parede um poster com uma foto sua feita em Botsuana, inacreditável.
Escolhi o chá Le Touareg (chá verde da china com óleo de hortelã ) bem forte.
Eu já nem gosto de chás. Vou ficar ouvindo o grupo sul africano Nadala, tomando chá, saudades!
........................................
Não consegui ver a tua foto lendo C.Joko Back na rede, manda de novo em outro formato.

25 março, 2003

Muitas coisas acontecendo e sem mente para escrever.
Quando a tempestade passar vou estar atualizando
os acontecimentos.

24 março, 2003

Very Busy this Week!

Christine chegou ontem à noite. Hoje fomos caminhar pelo centro.
Muito simpática e querida. Fala, fala, e eu só digo aha! Yes! No!
Falei pra ela que aqui na universidade tem um curso de portuguê para estrangeiros bem baratinho.
200,00 por semestre. Ela começou a fazer planos para passar alguns meses aqui.

23 março, 2003

O que podemos fazer se nossos familiares e amigos não apoiam
ou até lamentam nosso interesse pelo Budismo?



“Talvez seja particularmente difícil falar do budismo com seus pais, pois eles o consideram algo estranho. Assim, um ensinamento realmente bom consiste em praticar ‘samadhi'. Isso significa simplesmente estar presente em sua casa com seus pais, de todo o coração. Quando você se levantar de manhã, simplesmente diga bom-dia e dê atenção a seus pais. Finalmente, eles poderão ficar curiosos a respeito do que você anda fazendo, pois você mudou. Você é você, mas você não é você. Seus pais poderão lhe perguntar: 'O que é Budismo?' Você pode responder: 'Não sei'. Então eles lhe perguntarão porque você prática uma coisa que não conhece. Mas se você soubesse de tudo, não seria necessário praticar. Sem dúvida seus pais ficarão curiosos a seu respeito, pois você realmente mudou. Você não é aquela pessoa que eles conheceram. Se você continuar a praticar shikantaza, onde quer que você esteja, sem dúvida seus pais poderão visitá-lo para ver o que você está fazendo. Dizemos que isso é você e o universo caminhando juntos. É como o monge zen que dá comida ao cachorro para fazê-lo parar de latir".


Roshi Dainin Katagiri-assistente do Roshi Suzuki [ Retornando ao Silêncio,pág. 148, Ed. Pensamento,1991]

[Enviado por: Francisco Ferro, praticante Soto-Fortaleza-CE]

Manifeste sua opção usando não só a fala, mas principalmente o corpo, através de atos. Para que isso ocorra, praticamos meditação. Isso ajuda a transformar o mundo, que começa por você. [Enviado por: Leonardo Kendô, Monge Soto, Curitiba]

Se é realmente isto que vc quer, não desista.
O tempo é o melhor remédio... suas atitudes
mostrarão ao seus familiares que vc se tornou
uma pessoa melhor com o Budismo. Este é
o melhor caminho para a aceitação.

[Enviado por Everton, praticante Soto, RS]


Lamentar?

«Não podemos fugir da influência da família e das
mágoas que ela provoca. Por outro lado, também não dá
para impor nossos ideais espirituais à família. Uma
jovem se envolveu na prática budista e depois voltou
para a casa dos pais. Lutou com o fundamentalismo
cristão de sua família por algum tempo, até que
conseguiu separar as coisas. Numa carta que enviou ao
mosteiro, ela dizia: “Meus pais me odeiam quando sou
budista, mas me amam quando sou um Buda.” Essa é a
nossa tarefa: despertar o Buda ao enfrentar o karma
familiar.» [pág. 189]

«Uma mulher que vivia como monja budista em mosteiros
da Tailândia e Burma falou das dificuldades que tinha
quando visitava a família, que vivia num bairro
operário de Detroit. No geral, ela tinha se livrado
das antigas mágoas, mas sua família não compreendia
nem aceitava aquela freira de cabeça raspada. E quanto
mais ela tentava falar do dharma, mais cresciam os
conflitos e as frustrações. À noite, a família bebia
cerveja e via televisão. Sempre que ela passava uma
semana desagradável com a família, acabava fugindo. Eu
lhe fiz algumas sugestões: Por que não vai visitar
seus pais sem o manto e sem os ensinamentos? Vá como
um simples membro da família e ame-os como eles são.
Pode até tomar uns golinhos de cerveja e ver um jogo
na televisão. E não fique muito tempo: no máximo três
dias.” Ela seguiu as minhas sugestões. Quando a
encontrei de novo, ela sorriu: tinha funcionado. (...)
Para o [monge trapista] Thomas Merton, tolerância é
aprender a ver “a beleza secreta no coração dos
outros” sob todas as expectativas que temos em relação
a eles. Quando vemos a beleza secreta do coração dos
outros, permitimos que nossa verdadeira natureza
conduza a relação e conseguimos enxergar a centelha
sagrada que ilumina a nossa vida.» [pág. 195]

«Até mesmo Buda e Jesus tiveram problemas quando
voltaram para casa. As palavras de Jesus foram
desrespeitosamente rejeitadas pela Sua
família. Então, quando Sua mãe e irmãos chegaram à
casa onde pregava, Jesus não os deixou entrar e,
apontando para os discípulos, disse “Aqui estão a
minha mãe e os meus irmãos, porque aquele que fizer a
vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é o meu
irmão, irmã e mãe.”
Da mesma forma, quando o Buda voltou para casa depois
da iluminação, foi repreendido pelo pai, que achou que
ele tinha se transformado num pedinte inconveniente.
Assim, o pai e a madrasta exigiram que ele deixasse de
ser monge, trocasse de roupa e voltasse aos deveres de
príncipe. O Buda tentou esclarecê-los, mas eles
acharam que seus conhecimentos eram inúteis. Ele
precisou fazer um milagre – flutuar no ar soltando
fogo e água – para convencê-los de que tinha aprendido
algo de valor.
Como Jesus, o Mestre Zen Bashô adverte: “Não dá para
ensinar a verdade na sua cidade natal. Lá só o
conhecem pelos apelidos de infância.” Mas por isso
mesmo é importante voltar para casa. Há lugar melhor
para uma genuína prática do coração, a mandala do
todo, do que a própria família e os próprios
vizinhos? São eles o verdadeiro campo de teste para a
nossa prática porque nos consideram sem ideais
espirituais, imagem ou reputação.(...)
Falando com bom humor ao marido, um conhecido
professor hinduísta, disse uma devota: “Depois da
última visita à Índia, meu marido voltou para casa num
estado incrível. E ficou iluminado por seis meses, até
ir visitar a mãe.” (...)

Um mestre chinês adverte:
“Não confunda desapego e liberdade com fuga. Deixar a
família e os filhos para renunciar ao mundo é como
fugir da própria sombra. É um falso vazio. Não existe
um lugar que seja mais ou menos vazio do que a sua
própria casa. É lá que a iluminação sempre esteve.” (...)
Isso é provavelmente o melhor que podemos fazer:
ajudar quando possível, assistir um ao outro com
bondade, oferecer nossa presença, mostrar confiança
que temos na vida. Na vida espiritual, o importante
não é saber muito, mas amar muito.» [pág. 187 ~ 190]

Jack Kornfield [Depois do Êxtase, Lave a Roupa
Suja] Enviado por Emerson, “praticante Soto?” SP]

Nossa prática deve ser secreta. Não devemos falar de budismo, etc.
Só praticar na vida cotidiana. Devemos meditar escondido. às vezes eu acho que devia ser assim mesmo quando as pessoas gostam do budismo, mas não se sentem inclinadas a praticar. vai chegar uma hora que elas vão dizer "porque você é assim?" e então você finalmente pode falar de budismo.

[Enviado por Padma Dorje, aluno do Lama Padma Samten, Porto Alegre]

Em primeiro lugar, aceite o fato de que se sentem assim sem sentir raiva disso.
Irritar-se com eles só aumentará a tensão. Por outro lado, não precisamos desistir de nossas crenças ou práticas devido a pressão familiar. Embora seja tolice alardear nossa prática com uma atitude de rebeldia,tampouco precisamos escondê-la por medo. Podemos nos adaptar à situação externamente e ao mesmo tempo manter nossa prática viva e firme internamente. Por exemplo, se nossa família, não consegue aceitar um altar com retratos do Buda, podemos guardar os retratos dentro dos nossos livros de Dharma e tirá-los de lá quando vamos meditar.
Em muitos casos nossas ações convencem as pessoas do valor da prática do Dharma. Quando nossos colegas observam que estamos mais pacientes e tolerantes, têm curiosidade em saber o que estamos fizemos para mudar. Se ao visitar-mos nossos pais, os ajudarmos nas tarefas de casa, eles poderão ficar muito impressionados e pensar: Esta é a primeira vez em quarenta anos que um filho nos ajuda no serviço doméstico. O Budismo é ótimo!”
É díficil prever quais de nossos amigos e familiares ficarão interessados no Dharma. Podemos achar que um amigo muito querido ficará interessado, mas isso não ocorrerá. De igual modo, podemos achar que uma parenta não desejará discutir as idéias budistas e descobrir que ela é receptiva, portanto acompanhar sua receptividade abre a porta para boas discussões.
Thubten Chodron [ O que é Budismo]

I have encountered this problem several times along our journey,
and have found that the best way to deal with this is not to say too much,
live a life of example of clear practice, and introduce your Parents to other practicing people
who look 'normal.' It appears to me that a lot of
Parents think that people who practice Zen or meditate are hippies or are doing some
form of devil worship. Our best and most effective teaching is to show them by example.
[Enviado por Mestra Heila]


No que diz repeito a minha experiência, fiz um pouco de tudo descrito ai.
Nos primeiros anos não disse nada, se possível escondia. Depois quando surgia o assunto em algum lugar,TV, livros, revistas, esperava que alguém se manifestasse para sentir como a pessoa via o assunto.
As poucas vezes que tentei falar sobre budismo percebi que não tinha condições nem de responder às perguntas mais corriqueiras, então preferi fechar a boca e ficar na minha. A prática vai mudando sua mente e tudo a sua volta. Conter esse impulso de querer dizer algo sobre sua prática e sobre os ensinamentos tb. faz parte da prática, às vezes por inabilidade e pq. ainda não estamos prontos para falar podemos afastar as pessoas do Caminho. Mas se nos concentramos na prática, as pessoas verão que mudamos e virão naturalmente nos perguntar o que estamos fazendo, ai quando alguém tem uma motivação podemos apontar o caminho, emprestar um livro, uma revista, um texto. Ou mostrar como se senta.
No fundo é uma prática de paciência, basta saber esperar.

22 março, 2003

Em termos de ensinamento ou Darma, não existe isso de uma
linhagem ser melhor do que a outra. Mestra Heila [Revista Bodigaya,12]

Pijama's Practice

Hoje fizemos uma prática intensiva noite à dentro. Das 22h de ontem às 4h.
Foi até onde agüentamos. Apenas duas corajosas toparam a parada!
Mas foi muito bom.
Mais tarde na rua, fui abordada por nada mais nada menos que uma habitante do meu prédio,
Uma coreana, que mal fala português, e para a minha surpresa ela estava oferecendo folhetos e arrecadando doações para as Testemunhas de Jeová. Sem chances de ela me ajudar com os cantos em coreano : )
Ainda me resta outra família coreana que tb. mora aqui no prédio.
Eu quase falei que sou budista, mas me segurei.
Abri o folheto que ela me deu com citações da Bíblia: “Deus promete que fará cessar as guerras até a extremidade da terra. Não levantarão espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra”
[Salmo 46:9, Isaías 2:4]


21 março, 2003

32 – HENG – DURAÇÃO
Será beneficiado aquele que segue seu curso sem modificar o que já foi iniciado.
A constância e a fidelidade serão premiadas.

Ontem eu estava no Sebo e abri o I Ching, como sempre ao acaso.



Na primeira vez já foi bom, na segunda vez deu Kên. Lembrei do Dharmken,
o nome do Centro de Darma
da Mestra Heila. Ela falou que é circundado por montanhas e que eu iria gostar muito de lá.
Será que foi uma indireta?

52-KÊN- A QUIETUDE
Acima:Kên, a quietude, a montanha
Abaixo:Kên, a quietude , a montanha
Respiração Conta-Gotas

Imagine que vc. é um conta-gotas de cabeça para baixo. Aperte o bulbo de borracha para expelir o ar.
solte-o, e o ar entrará no tubo.
Imagine que a abertura está localizada na junção da parte posterior do nariz com a garganta.
Deixe o ar entrar e sair por essa abertura e fluir ao longo do tubo,
em vez de apenas pela boca ou pelo nariz.
A respiração deve ser profunda e sem ruídos.

Nancy Zi [ A Arte de Respirar]

20 março, 2003

Prática Intensa

Please do some hard practice.
This world is going to war, our practice is the one thing that will sustain us through it all.
” [Heila,PSN]


Por favor faça(m) alguma prática mais intensa.
Este mundo está indo para a guerra, nossa prática
é a única coisa que nos ajudará a atravessar tudo isso.

( a tradução está bem literal, dá pra entender, se alguém quiser melhorar...)

Obs minha: sugiro 108 prostrações, 40/30/40min de meditação todos os dias. Até este evento (guerra) se extinguir. As recitações para quem já faz antes e depois da meditação.
Não vamos mobilizar nossa mente no sentido de gerar mais ódio e sofrimento. Vamos nos concentrar na prática que é a única forma efetiva de transformar as mentes. Purificando nossa mente livramos esse mundo de ações que geram sofrimento, e nos protegemos do Karma gerado por essas ações, pois todas elas terão conseqüências para todos nós. Mas não devemos nos afligir com isso, apenas praticar por todos os seres é suficiente.


Vamos, acorde!

[...] esta forma de prática Zen não é tão fácil, pois
quando vc. começa a praticá-la seriamente, é como umespelho:
cada vez que vc. senta ( em meditação),
esse espelho está exatamente na sua frente;rapidamente ele
lhe mostra como está a sua vida, o que vc. está realmente
fazendo e como está a sua prática.
Vc. leva a sua prática da sala de Darma para sua vida
diária, ou uma coisa está ali e outra lá? Ou, ainda,
estas coisas estão equilibradas? Muitas pessoas não
gostam disso, porque é muito mais fácil fazer algo que
cause apenas uma boa sensação. Esta prática quando
aprofundada, não lhe dá sensações boas; ela sacode
você todo tempo: Vamos acorde! Nós podemos despertar
dessa ilusão. Mesmo pessoas “duronas, rígidas, podem
mudar muito e despertar.

Mestra Heila Downey,PSN [Entrevista: Revista Bodigaya Ano 5, núm. 12, p. 35]




Tsuros pela Sanga!

Aquela moça é muito esperta. Ela ensinou o pessoal da Sanga a fazer Tsuros,grou ou cegonha de dobradura-origami, só pra ganhar mais um link no Mosteiro!
Agora vou fazer uns milhões e espalhar pelas ruas.

Ah! Ela, o Miguelito e a Ju estão indo para Perinópolis conhecer o Mestre Soto Zen Ryotan Tokuda.
Vai ter um Zazenkai lá dia 29-30 março. Despois o Seu Tokuda Viajando Viajando vai para a França e só volta quando tiver um mosteiro na tigela. Entonces peguem o rumo da Serra dos Pirineus nos Góiais...


19 março, 2003

Já provou ciriguela?

Essa moça disse que sou durona porque estou mais avançada na prática.
Elogio e crítica aceitos com humildade.
Na verdade, não preciso ser durona. Sou apenas uma aluna, não sou a professora.
Então essa é uma observação importante e necessária. Se eu estiver tentando ser mais do que uma aluna estou errada e espero que as pessoas que se importam comigo me falam como estou na prática.
Se tiver que puxar orelha, pode puxar!

Ela disse que não escolheria o Rinzai porque não gosta de koans. Já respondi no post anterior que não usamos
Koans na sala de meditação, apenas fazemos meditação sentada, cantos e recitações e tomamos chá.
Eu mesma estou a sete meses em contato com Mestra Heila e não falamos em koans, os tradicionais.
Mas estamos sempre inventando koans a todo momento.O mais usual na verdade é
"bater koans", (apenas entre professor e aluno) perguntas e respostas rápidas. As respostas devem ser “respostas não pensadas”. Da mesma forma as respostas dos koans devem ser “não pensadas”

Mestra Heila não é nem um pouco durona com os que estão iniciando.
Ela perto de mim é uma mãe, muito querida e paciente. Se ela pegar pesado comigo eu sei
que é para meu bem. Porque o que esse método faz de melhor é te sacudir o tempo inteiro.
quando vc. começar a cochilar, vem alguém e diz: acorda!
Como eu sou muito dorminhoca, estou no lugar que eu preciso.

Portanto o medo dos Koans e do Rinzai é sem fundamento. Se há fundamento ele é baseado em leituras
o que não justifica, pois como o próprio Buda poderia dizer: Primeiro experiemente, depois decida.
Não se pode decidir que uma coisa não é boa baseado em ouvir falar, em livros, na experiência dos outros.
É como dizer que não gosta de ciriguela sem nunca ter provado ciriguela!

Coisa boba, né?

18 março, 2003

No seu grupo não há prática de koan?

A prática de Koans é restrita aos alunos que estão em treinamento com Mestra Heila.
Não se prática koans em um grupo de meditação. O Dharma Combate não é para o praticante ocasional
ele é para aquele que vai se aprofundar no Dharma e estuda-lo sob a orientação de um professor. Koan não é brincadeira, é uma prática muito forte e sem a supervisão de um professor pode levar as pessoas por um caminho sem volta, portanto cuidado com os koans.
Ademais quando vc. soluciona um, não acaba :) Tem mais outro e mais outro. Na Escola Kwan Um o aluno tem que passar pelo portão dos 10 koans, isso leva mais ou menos uns 12 anos! Se até lá ele chegar a um nível muito bom de iluminação então ele recebe permissão para ensinar e se torna Professor do Dharma.
Agora já sabemos porque tem tão poucos professores!

No retiro com M. Heila, cada um recebe um ou mais koans, durante a(s) entrevista(s), eles são dados de acordo com o nível do praticante (iniciante,avançado...). Mas são apenas para aquele retiro.
Mestra Heila pode preferir fazer outras perguntas, responder perguntas, e não dar nenhum koan.
Ela age de acordo com a situação.

15 março, 2003


Simplesmente não saiba!

«Cada um de nós está armazenando sua experiência e Karma, ou seja, cada um está vivendo no mundo que ele próprio criou com este Karma que está acumulando. Então, você pode achar que não tem jeito de mudar — mas tem. Neste momento, aquilo que você está observando, aquilo que você está estudando, o que está pensando, é o que vai ser guardado, e com isso o mundo todo começa a mudar. Se realmente transformamos toda a nossa consciência em uma coisa pura, o mundo inteiro muda totalmente.
A boa semente guardada é neutra, mas quando brota faz coisas boas. Isto quer dizer duas coisas. Mesmo que a pessoa esteja fazendo coisas boas, não precisa ficar vaidosa, porque na verdade a ação é neutra. Mesmo fazendo coisas ruins, também a ação é neutra, o que significa que ainda há possibilidade de melhorar. Há a possibilidade de salvação. E assim, a semente má e a semente boa podem se transformar em uma outra coisa. O processo de treinamento budista é isso, é como um glóbulo branco combatendo as doenças e matando os micróbios. Devemos trabalhar para a limpeza total, para a iluminação completa do ego, pois aí o mundo inteiro fica totalmente puro e perfeito e o exterior também fica totalmente puro e limpo. Esta consciência já é o estado de Buda.
Muita gente fica preocupada em ganhar a Iluminação e isto soa como uma brincadeira, não é?
O treinamento não é isto. Não é tão fácil assim. Tem de trabalhar bem dentro de nós.
." Sempre existe a preocupação com alguém que está fazendo coisas ruins. Alguns reclamam, mas a pessoa quando não sabe o que está fazendo não sabe se está fazendo o mal ou não. Ela não deve ser culpada. Tudo bem, ela pode não ser culpada, mas o Karma está criado e a responsabilidade é inteiramente da pessoa. A ignorância é isso: é não saber as coisas.»

Ryotan Tokuda Igarashi [Psicologia Budista]

14 março, 2003


Clear and sweet is my mind,
and clear and sweet is
all that is not my mind.



Mestres Espirituais

Ter orientação de um mestre espiritual é muito útil. Embora os livros nos dêem informações,
o mestre é capaz de responder nossas perguntas e nos dar exemplos de como integrar os ensinamentos
a nossas vidas. Podemos ter mais de um mestre, embora um deles, geralmente se torne o principal.

Somos responsáveis por procurar mestres qualificados. Isso é especialmente importante devido ao fato de que há um grande mercado espiritual no Ocidente. Nem todos que ensinam são qualificados, ou até mesmo éticos. Precisamos conhecer o mestre antes de aceitá-lo como tal. Para isso, deveríamos assistir a várias pessoas transmitindo seus ensinamentos, observar seus comportamentos e examinar a qualidade dos ensinamentos e pouco a pouco nos decidir.

Thubten Chodron [O que é Budismo?]

13 março, 2003


Liberdade

“Na mente não há impedimentos”

Aquele que conhece a liberdade transita em todos os mundos, sem conflito.
O bodhisattva não tem impedimentos. Ele aje conforme a situação.
Dhyana & Samadhi

«Sem palavras, sem nada o que dizer, isso é dhyana.»

Quando o pensamento errôneo cessa isto é dhyana; quando encontrares a tua Natureza Original,
Isto é samadhi (essa natureza original é nossa mente eterna).

Mahaparanirvana Sutra diz: «Um excesso de dhyana sobre sabedoria (prajna) não nos libera da ignorância primordial (avidya), enquanto que um excesso de sabedoria sobre dhyana multiplica nossos falsos pontos de vista. Somente quando dhyana e sabedoria funcionam no mesmo nível pode haver a liberação.»

Sabedoria é a capacidade para distinguir toda classe de bem ou mal; dhyana significa que ao fazer estas distinções, não aparecem o amor nem a aversão. Este é o funcionamento de dhyana e sabedoria no mesmo nível.

12 março, 2003

O Primeiro Koan...

que tentei foi há doze anos atrás. Se alguém quiser tentar:

“Quando encontras na rua uma pessoa que alcançou a verdade, não podes passar por ela nem falando nem calado. Ora, como então estabelecer contato?”

“Cada Koan indica a mente de Buda,
Isto é, a verdadeira Natureza do Ser Universal
na sua integridade e pureza.

Resolver um Koan é realizar a nossa natureza
na dinâmica da palavra-ação.
Não se trata de compreender o Koan,
mas de ser o Koan.

O Koan não é um ensinamento teórico da vida.
As palavras no Koan exprimem o inexprimível e somente quando vamos além do seu
significado convencional ele se abre dentro de nós e nós faz vibrar na mesma freqüência
inexprimível da Verdade Absoluta.”




11 março, 2003

Prática Compassiva

Cair pela janela é muito bom. Ou vc. se agarra a alguma coisa no caminho,
ou vc. boom no meio do caminho, ou vc. já era.
Hoje, na prática, cantamos em coreano. Uau! Nem acredito, mas saiu.
Ainda estamos no ensaio da “bateria” (Maktok improvisado), mas quando esquentar
vai dar samba, coreano. Quem veio gostou.
Foi tudo muito tranqüilo. Talvez porque quem estava na prática transmitia isso.
Sem julgamentos, sem dualidades, sem conflitos. Uma prática compassiva.
Egos , opiniões e desejos foram colocados de lado.
Obrigada por me ajudar a praticar! Volte sempre.
Comportamento na Sanga

Se é infinitamente raro encontrar o Caminho, entrar nele e seguir,
é muito fácil afastar alguém dele.
Quando vamos a um Zendô, ao entrarmos na sala de meditação
deixamos nossos sapatos fora da sala. Deixamos o que trouxemos
conosco fora do lugar da prática. Isto significa que deixamos
fora tudo que não diz respeito à prática.

Dentro da sala de prática temos atitude respeitosa,
não usamos a fala incorreta, não nos comportamos
como nos comportamos fora, não caminhamos como caminhamos fora,
não sentamos como sentamos fora,
Não falamos e discutimos entre si, expressando nossas opiniões:
“Eu acho, Eu penso...”
Não nos arrogamos a ensinar o Dharma.
Falamos apenas o que diz respeito a prática, sobre o Dharma
ou relatamos nossas experiências com a prática.
Não usamos o zendô como se estivéssemos em um bar bebendo
e conversando com nossos amigos.
Observamos a postura e a fala correta.
Devemos lembrar que somos o espelho um dos outros e aqueles
que estão ali, estão nos observando e nós a eles.
Devemos ser o exemplo de prática que eles queiram imitar, o exemplo correto.
Se dermos mal exemplo isso gera opiniões, julgamentos.
Se nos comportarmos sem critérios, vira bagunça.
Alguém pode desistir da prática por não ver ali naquele
lugar pessoas sérias e comprometidas com aquela prática.
E se vê pessoas sérias demais, também não é bom.
O bom é o equilíbrio, o Caminho do Meio.
Devemos lembrar de estar atentos para isso.

Agora estou achando que sou séria demais. Será?

10 março, 2003

Eu não disse que Mestra Heila ia me jogar pela janela.
Tenho que fazer pelo menos quatro cantos senão não é a sanga dela é a
minha sanga. Por quê fui perguntar? Boom!

09 março, 2003



In this triple world,
All is my domain;
The living beings in it
Are all my children

Neste Tríplice Mundo, [Buda, Darma, Sanga]
Tudo é meu domínio;
Os seres nele
São todos meus filhos.


Kôshô Uchiyama [ Abrindo Mão do Pensamento]

Momento Retiro

Quando se está no retiro (sesshin) tudo que fazemos pode incomodar as pessoas e
o que elas fazem pode nos incomodar, porque estamos cheios de julgamentos, de conceitos,
de preconceitos, de condicionamentos. Do próprio condicionamento de que o retiro deve
seguir as regras rigorosamente, que a meditação deve ser rigorosamente como foi ensinada.
Nos apegamos às regras e qualquer movimento de alguém para subvertê-las nos afeta.
Isso é bom, porque cria conflito e produz energia na mente. A mente é levada ao estresse,
nas mínimas coisas. Nos incômodos, nos desconfortos, nos olhares, nas ações.
Quando ouvimos as palestras do Dharma, qualquer coisa que o professor fale que parece ser dirigido
para nós, mesmo que não seja, qualquer coisa que discordamos, nos afeta. Ficamos ruminando isso,
até desistir, é uma tortura mental, mas no fim o resultado é maravilhoso.
Pode parecer assustador para quem está de fora, mas é um treinamento muito forte, muito eficaz e
os resultados são impressionantes, na medida do envolvimento de cada um.
Aquele que se fecha e decide resistir ou apenas ficar ali esperando que acabe,
perde a grande oportunidade de levar consigo essa experiência e torna-la presente no cotidiano.
Isso é a prática: é a vida a cada momento.




08 março, 2003

07 março, 2003

Doença Zen

Apaixonar-se pela prática, pelo Dharma, pelo professor, pelas imagens, pelos sutras.
Obsessão em praticar incessantemente prejudicando sua saúde física e mental.
Fazer zazen o dia inteiro, não conseguir fazer mais nada ou pensar em mais nada além de
praticar, esquecer do mundo, isolar-se, usar a prática como fuga.

06 março, 2003

Estava meditando e então tive um flash: o monge vinha e batia na minha coluna.
Eu me levantava e tomava o
Kiosaku dele e o quebrava nas pernas.
Depois esse flash passou e o monge veio e bateu na minha coluna, na
hora só pensei na dor e esqueci do flash. Só lembrei disso hoje.

05 março, 2003

Existem vacas brancas?

(Impressões bem-humoradas sobre um Sesshin)

"Reflita antes de se expressar, lembrando-se de que a cada palavra dita,
você contribui para construir ou destruir."

O bom é que podemos construir e destruir o tempo todo.
O ruim é que pensamos que o que construímos e destruímos é para sempre.
Nada é permanente. Nada dura para sempre.
Isso é um grande alento, porque eu sei que se hoje as coisas estão difíceis não há como
elas não ficarem do lado oposto. O problema é que não admitimos a impermanência e não sabemos esperar pelo ciclo natural de cada evento, então sofremos e o sofrimento se repete tantas vezes sejam necessárias até que aprendamos o que precisamos aprender.

De volta de um retiro zen (sesshin) aprendi:

-Que meu ciclo natural é muito longo e não me preparei para o longo inverno da velhice e da doença, vou ter que aprender a viver sem comer ou ir para um mosteiro para ser alimentada.

-Que às vezes não sei esperar quem ainda não terminou de comer e quando sei esperar estou errada.

-Que as pessoas ou gostam tanto de lavar a louça em retiros ou nunca lavaram louça em casa, e não me deixaram lavar nenhuma vez. Tudo bem eu nem gosto tanto assim, mas não desperdiço água.

- Que se apressar em julgar alguém pode revelar-se um grande engano. Melhor não olhar para o prato do vizinho ao lado ou em frente, pq. ele está cheio de julgamentos, opiniões, pensamentos e bananas.

-Que não entendo porque faz-se voto de silêncio em retiros zen se não funciona.

-Que sempre que tem que relatar sua experiência no final do retiro eu não sei o que dizer
mesmo tendo o que dizer, mesmo assim eu digo.

-Que é muito fácil fingir que se está atento, só o monge insiste em fingir que é difícil.

-Que tudo mundo quer se iluminar, mas o caminho é longo e no fim... é melhor nem falar e continuar tentando, se deixarem.

-Que não se pode ter insight porque sempre aparece alguém pra te trazer de volta para esse mundo do samsara.

-Que vc. é responsável por aquele que vc. mostra o caminho. "Olha é por ali, mas só vc. pode ir até lá e ver como ter sua experiência e decidir se entra com o pé esquerdo ou com o pé direito no Zendô (sala de med.) Se vc. entrar com esquerdo é porque vai ficar ( na tradição zen japonês) se entrar com o direito... Com qual mesmo que eu entrei? -Shiii! Não prestei atenção!

-"Que existem coisas maravilhosas e existem vacas brancas." E que as vacas brancas são mais importantes que as coisas maravilhosas. Enquanto vc. buscar ver só as coisas maravilhosas, vc. vai perder a maravilhosa
oportunidade de ver as vacas brancas, que são maravilhosas assim como elas são.

-Que todo meu esforço para aprender a escrever é muito pouco comparado a escrever na água. Não me perguntem como se escreve na água.

-Que existem tantas metáforas para explicar o universo que fica muito fácil não entender que o oceano é o universo e nós somos as ondas (manifestações) e um não existe sem o outro. De onde vêm as ondas? Assim com o champanhe não existe sem as bolhas, e uma bolha sozinha não estoura o champanhe.
O monge sabe como sacudir champanhe, mas será que sabe como abrir? Não vi nenhum sabre.
E um bom champanhe não se sacode! Mas isso não deve valer para o zen.
Nesse caso ainda sou uma cidra barata! Então pode sacudir a vontade. Mas não abre ainda que
estou longe de engolir o universo. Interessante essa metáfora.
Quando se sacode o champanhe as bolhas se dissolvem e fica só o Universo.
Boom! Ainda existe o boom.

-Que quando alguém começa a chorar, contagia todo mundo.

-Que tem várias formas de meditar: birmanesa, meio lótus, lótus, seiza, de pé, andando, comendo, no banheiro, dormindo, então pra que ficar fazendo pose de estátua se vc. já levou 10
pauladas nos ombros e nas costas e continua sentindo dores.

Que o monge bateu na minha coluna pra me dizer: - Por que vc. não veio no dokusan?
-Por que não é obrigatório, uai. –Mas deveria, pq. se vc. não vai se arrepende e se vai se arrepende também. Então pra que ficar se torturando. Vai logo!

-Que se vc. só precisa de duas mudas de roupa para passar 4 dias, pra que levar 4 malas.

-Que desisti de me preocupar com os mosquitos, já que eles não se preocupam com meu sofrimento mesmo.
E alguém precisa avisar aos fabricantes de repelente que essa coisa não funciona.

-Que meditar com ar congelante é melhor que com ar escaldante.
Por que quando se medita produz-se calor. Frio com calor se anulam. Calor com calor...

-Que vc. nunca pensou que seu investimento seria para ter crises: de choro, de riso, de fome, de insônia, de sono, de carência afetiva, de dor. Não, isso não é terapia. É apenas nossos desejos mais primitivos se manifestando. Com sorte algum insight.
Há quem tenha visões, premonições do tipo: “Em 2515 todas as crianças vão estar cantando o Sutra do Coração na escola!”
Há aqueles que tentam desenvolver utilidades domésticas: atravessar paredes, ficar invisível...
Depois o que eles vão fazer com isso? Se exibir no Programa do Faustão/Gugu?

-Que em um sesshin não é falta de educação lamber o prato e sim não lamber o prato.