19 fevereiro, 2003

Sempre principiantes


O Despertar é um sabor único.
As nuvens podem cobrir a lua
Mas logo a primavera retorna cheia de força,
E a natureza floresce como o pinheiro sempre verde.
Viva no alto das montanhas e próximo de riachos,
Atravesse vales profundos, e tudo estará bem.

Kozan Saisho

Quando tudo parece estar dando errado, pode ser um sinal de preparação.
Se não soubermos ser pacientes e esperar, se desistimos, não saberemos o que é.

Tudo tem ciclos: começo, ápice e fim. A prática não é diferente.
No começo pode ser um misto de entusiasmo com esforço e dor (física). Se queremos ir adiante, lutamos para superar os obstáculos e chegar ao topo da montanha. No ápice, experimentamos o melhor da prática. Temos coragem, energia. Já nem sentimos tanto as dores da prática formal. Tudo ficou para trás.
Na prática a subida é como escalar o Monte Evereste. Poucos se aventuram, muitos desistem em algum ponto. Poucos chegam ao topo. Mas quando se chega no ar rarefeito do topo, não dá para ficar lá para sempre, mesmo que se queira, por mais extasiante que seja.
Temos que aprender a deixar tudo e descer da montanha, voltar para a nossa vida cotidiana, (desapegar-se desse lugar, estado especial). Descer a montanha é como uma morte e ao mesmo tempo é a preparação para
começar tudo de novo. A montanha estará sempre no mesmo lugar. Aprendendo a subir uma vez, podemos voltar. Mas para refazer o caminho é preciso começar tudo do zero. Esquecer do que já sabemos e do que já usamos e aprender tudo de novo. Como se nascêssemos novamente. Para alguns há um intervalo, mas não deveria, pois os intervalos trazem as dúvidas e o risco de desistirmos. “Eu já fui lá, já sei como é , já tive minha experiência, já consegui o que queria, então para que continuar? “ Conquistar o topo não lhe dá nenhum prêmio, nenhum certificado de conclusão. Neste curso nunca nos formamos. Somos sempre principiantes.
É essa mente que devemos manter conosco.


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