11 fevereiro, 2003


Possa o teu espírito ler estas palavras e
lembrar do teu propósito.


T.S. Eliot [ Os Quatro Quartetos]




Da Série Meditar & Atenção Plena

- Meditar, meditar, meditar...
Não tô falando de Zazen!
Mas de tudo, tudinho que fazemos:

-Meditar ao mastigar o alimento, evita que ele seja engolido sem a devida mastigação necessária, o que trará
trabalho para digeri-lo e absorvê-lo em etapas posteriores.

-Meditar enquanto caminhamos, evita sermos atropelados, tropeçar na calçada, esbarrar em alguém.
Se for alguém interessante, e estivermos atentos, até é possível esbarrar de propósito.
Meditando, observando, atentos, vemos as coisas como elas são.
Basta experimentar. Um mundo maravilhoso se abre diante de nossos olhos.

-Meditar ao ler qualquer mínima coisa. Seja um anúncio da Mc Donald’s: “Será que vou ou não
vou me deixar levar pelo apelo? Estou com fome? Preciso, posso, devo?
Não seria melhor comer uma salada light?”

-Meditar na leitura. Preste atenção no que ler. Em tudo há um sinal, um dedo apontando para o caminho.
Numa tira de jornal, no horóscopo, num poema, uma placa na estrada, um adesivo no carro.
Quem souber olhar vai encontrar o caminho. Quem estiver atento vai saber reconhece-lo.
Como dizem “o sol nasce para todos”, mas quantos sabem que o sol existe, quantos se lembram de
percebe-lo, de usufruir de seus benefícios. E no entanto ele está, é, como tudo.

Preste atenção no que está por trás das palavras, imagens, gestos, sons, se eles são ensinamentos ou venenos.
Perceba o que é real e o que é subliminar. O que é honesto e o que é desonesto. O que é bom e o que é ruim.
Experimente tudo, mas fique apenas com o melhor. Vc. sabe o que o melhor? Então saiba. Talvez um gosto amargo seja melhor que o doce.

-Meditar ao ler ao ouvir, ao sentir. Perceber “aonde aperta o sapato” ou onde as sensações, percepções e pensamentos nos tocam: no coração, na mente, no peito, no estômago, no fígado, nos rins e por ai vai descendo...até onde estiver a raiz do problema. Onde está o problema tb. está a solução, ou pelo menos a chave para ele.

-Meditar ao ver TV. Não há problema em ver TV, desde que seja com atenção plena. A TV também pode ensinar.
Melhor seria não ver. Faz mais mal do que bem, devido ao envolvimento natural com as ilusões e os venenos.
Não ver TV desintoxica a mente, mas vendo aplique a atenção plena nisso também.
Um exemplo:
Quem nunca viu aquelas pessoas que sofrem ao ver a novela. Elas se envolvem na trama, incorporam os personagens, sentem raiva dos vilões. Para elas ver TV é como torcer para um time de futebol (uma espécie de catarse diária). Alguns sabem que é uma ilusão e até dizem que é uma ilusão boa, mas muitos não querem nem saber se aquilo existe ou não existe, se é possível ou impossível: coisa de novela. Ai aparece o Giani e vc. vai logo chamando ele de Maria. No, Scusi! Come se chiama lui?

-Meditar ao escrever. As palavras escritas se perpetuam, perpetuando seus erros.
Se aplicamos a atenção plena como os poetas que lapidam palavras como quem lapida diamantes, escolhendo a palavra certa, então se alguém for ferido pelo diamante é porque ainda não é diamante. Diamante com outro diamante não se estranham, se as faces e a qualidade forem as mesmas. Mas se mesmo assim alguma palavra escapar, a atenção recorrente a percebe e ainda podemos corrigi-la a tempo ou esperar as consequências.

Quando as coisas se repetem preste atenção. Em quanto vc. não resolver, isso vai continuar se repetindo.

-Preste atenção e medite sobre o que vc. pensa. Capture um pensamento, uma palavra um sentimento e brinque com ele, assim vc. aprende a ser saudável, a ser generoso, bondoso consigo e com os outros. Pratique o bom humor. Se nesse exercício vc. viajar, perceba que viajou, desfrute da viagem, mas volte a sua atenção plena. Preste atenção para sons, perfumes, cores, sensações térmicas, tudo o que está a sua volta e a que
isso te remete. Perceba que tudo simplesmente existe e não se apegue a nada. Deixe as coisas irem e virem num fluxo continuo até que um dia o fluxo cesse.

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