08 fevereiro, 2003

Continue fazendo um bom trabalho



Seung Sahn Soen-Sa nasceu em 1927 em Seun Choen, Coréia do Norte. Seus pais eram Cristãos Protestantes. A Coréia nesta época estava sobre severa vigilância militar japonesa, e a liberdade política, cultural e de expressão foi brutalmente abulida.
Em 1944, Soen-Sa se associou a movimento que lutava pela independência da Coréia. Em poucos meses ele foi preso pela polícia japonesa e por pouco escapou da pena de morte. Depois que ele saiu da prisão, ele e dois amigos emprestaram algum dinheiro de seus pais e cruzaram a fortemente armada fronteira da Manxuria numa mal sucedida tentativa de se alistar no exército da Coréia.
Nos anos que se seguiram, durante a Segunda Guerra Mundial, ele estudou filosofia ocidental na Universidade Dong Guk. A situação política na Coréia do Sul se tornava cada vez mais e mais caótica.

Um dia Soen-Sa decidiu que ele não conseguiria ajudar as pessoas através das suas atividades políticas ou seus estudos acadêmicos. Então, ele raspou a cabeça e foi para as montanhas, fazendo o voto de só voltar quando tivesse encontrado a verdade absoluta. Por três meses ele estudou as escrituras Confucionistas, mas ele não ficou satisfeito com elas.
Então um amigo seu, que foi monge em um pequeno templo na montanha deu-lhe o Sutra do Diamante, e ele teve seu primeiro encontro com o Budismo. “Todas as coisas que aparecem nesse mundo são transitórias. Se vc. percebe todas as coisas que aparecem como se elas nunca tivessem aparecido, então vc. irá entender toda seu verdadeiro self.” Quando ele leu estas palavras, sua mente ficou clara. Nos próximas semanas ele leu vários sutras. Só então ele decidiu se tornar um monge budista e foi ordenado em 1948. Soen-Sa já tinha entendido os sutras. Ele percebeu que a coisa mais importante agora era a prática. Então, dez dias após sua ordenação, ele subiu a montanha mais alta e iniciou um retiro de 100 dias na Montanha Won Gak ( a Montanha da Perfeita Iluminação).

Ele comeu apenas sementes de pinus, castanhas secas. Por 20 horas, todos os dias, ele cantou o Grande Dharani da Energia da Mente Original. Várias vezes por dia ele tomava banhos gelados. Era uma prática bastante rigorosa.

Rapidamente ele foi assolado por dúvidas. Porque este retiro é necessário? Porque ele tinha que ir até ao extremo? Ele poderia ir embora para um pequeno templo em um vale tranqüilo, casar-se com uma monja japonesa e obter a iluminação gradualmente, em meio a uma família feliz?

Uma noite esses pensamentos ficaram tão intensos que ele decidiu fazer sua mochila e ir embora. Mas no dia seguinte sua mente estava mais clara, e ele desfez a mochila. Alguns dias depois aconteceu o mesmo e nas semanas seguintes ele fez e desfez a mochila nove vezes. Até então, 50 dias tinham se passado. E o corpo de Soen-Sa estava muito cansado. Toda noite ele tinha alucinações terríveis. Demônios apareciam no escuro e faziam gestos obscenos para ele. Um espírito saltou sobre ele e colocou suas mãos frias no pescoço dele. Enormes besouros picaram suas pernas. Tigres e dragões apareciam em sua frente, gritando alto. Ele esteve em constante terror.

Depois de um mês destas alucinações terem acontecido, novas vieram, mas agora eram visões de felicidade. Às vezes, Buda vinha ensinar a ele o Sutra. Às vezes Bodhisattvas lhe apareciam em maravilhosos trajes e lhe falavam que ele iria para o paraíso. Às vezes ele caia de exaustão e Kwan Seung Bosal gentilmente o levantava. Nos últimos oito dias, seu corpo estava forte. Sua pele se tornou verde como as folhas de pinus.

Um dia, uma semana após o retiro ter terminado Soen-Sa estava caminhando nas redondezas, cantando e fazendo ritmo no seu moktak. De repente, dois rapazes, de 11 ou 12 anos, apareceram cada um em um dos seus lados e o reverenciaram. Eles estavam vestindo robes bem coloridos, e suas faces tinham uma beleza etérea. Soen-Sa ficou muito surpreso. Sua mente parecia com grande energia e perfeitamente clara, então como estes demônios tinham se materializado? Ele continuou andando até o caminho dava acesso à montanha, e os dois garotos seguiram ele, caminhando através da encosta no mesmo lado do caminho. Eles caminharam juntos em silêncio por meia hora, então em frente ao altar onde Soen-Sa se prostrou, eles se foram. Isso aconteceu todos os dias, por uma semana.

Finalmente, chegou o centésimo dia. Soen-Sa estava descendo a montanha, tocando o moktak. Todo aquele lugar e seu corpo desapareceram, e ele foi para o espaço infinito. Ao longe ele podia ouvir a batida do moktak e som da sua própria voz. Ele ficou nesse estado por algum tempo. Quando ele retornou ao seu corpo, ele entendeu. As pedras, o rio, cada coisa que ele podia ver, cada coisa que ele podia ouvir, tudo isso era seu verdadeiro Eu (Self). Todas as coisas são exatamente como elas são. A verdade é apenas isso. Soen-Sa dormiu muito bem nesta noite.

Quando ele acordou na manhã seguinte, ele viu um homem subindo a montanha, e depois vários corvos voando para uma árvore. Ele escreveu este poema:

A estrada para o fundo da Montanha Won Gak Não é está estrada.
O homem subindo com sua mochila não é o homem de antes tok,tok,tok- fazem seus passos transpassando passado e presente.
Corvos voam para árvore. Caw, caw, caw.

Logo que ele desceu a montanha, ele encontrou o mestre Zen Ko Bong, o qual tinha sido professor do Mestre Zen Mang Gong. Ko Bong era famoso por ser o mais brilhante mestre Zen da Coréia, e um dos mais severos. Neste momento ele estava ensinando apenas para leigos; ele dizia que os monges não tinham perseverança, fé suficiente para serem bons estudantes do Zen.
Soen- Sa queria testar sua iluminação com Ko Bong, então ele levou para ele o moktak e disse, “o que é isso? “ Ko Bong tocou o moktak e bateu nele. Isso era apenas o que Soen –Sa esperava que ele fizesse com ele.
Então Soeng-Sa disse: “Como eu posso praticar o Zen?” Ko Bong disse, “Uma vez um monge perguntou ao Mestre Zen Jo-ju, “”por que Bodhidharma veio para a China? Jo-ju respondeu, “O pinheiro no jardim”. O que isso significa? Soen-Sa entendeu, mas ele não soube como responder. Ele disse, “Eu não sei.” Ko Bong disse, “Apenas mantenha está “mente não-sei”. “Está é a verdadeira prática zen.”

Aquela primavera e verão, Soen-Sa fez um bocado de trabalho zen. No outono, ele foi para um retiro de 100 dias no mosteiro de Dok-Sa, onde ele aprendeu a linguagem Zen e Dharma-Combate. No inverno, ele começou a sentir que os monges praticavam muito pesado, então ele decidiu ajuda-los um pouco. Uma noite, quando ele estava na guarita, ele colocou todos os potes e panelas fora da cozinha e os colocou em um círculo em frente ao jardim.
No noite seguinte, ele foi até o altar e pegou o Buda do altar principal e pegou o queimador de incenso, que é um tesouro nacional, é o pendurou em uma árvore no jardim. Depois da Segunda manhã todo o mosteiro estava em polvorosa. Rumores estavam circulando sobre um ladrão lunático ou deuses que vieram das montanhas para avisar aos monges para praticarem com mais emprenho. Na terceira noite,

Soen-Sa foi para os alojamentos das monjas, pegou 70 pares de sapatos das monjas e os colocou em frente do quarto do Mestre Dok Sahn, dispostos como se estivessem em uma loja de sapatos. Mas nesse tempo, uma monja acordou e saiu para fora, e esqueceu seus sapatos, ela acordou todas as monjas e Soen-Sa foi pego. No outro dia ele foi levado para a julgamento. A maioria dos monges votaram por dar-lhe outra chance ( as monjas estavam contra ele), ele não foi enxotado do mosteiro. Mas ele deveria se desculpar com todos os monges mais antigos.

Primeiro ele foi ver o Mestre Dok Sahn e o reverenciou. Dok Sahn disse, “continue fazendo um bom trabalho.”

Diana Clark [Revista Primeiro Ponto]

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