10 janeiro, 2003

Só precisa querer



Na Escola Zen Kwan Um tem um retiro anual de 100 dias que se chama Kyol Che “Praticar Juntos”. Mais conhecido como Retiro de Montanha.

Quem pode ir aos mosteiros, vai. Tem este em USA. Diga-se de passagem, barato só a passagem. E este, mais em conta, porém na África do Sul, onde mora a Mestra Heila. O Templo Hwa Gye Sa, em Seul, Coréia do sul, onde O Mestre Seung Sahn vive. Entre outros pelo mundo afora.

Não importa quanto tempo. Uma semana, duas, um mês. Depois o resto pode ser feito em casa. E quem não pode ir ao mosteiro, pode fazer o retiro completamente em sua casa. Se chama Heart Kyol Che, um retiro à distância e melhor não precisa pagar nada.

Apenas precisa se comprometer a fazer algumas práticas diariamente durante esse período. Quanto e como tb. fica à critério do praticante. Pode ser desde 10min de zazen, repetir 1000 vezes um mantra, fazer um dia de silêncio, recitar sutra do coração e votos, cantos, prostrações. Apenas precisa escrever o que vai fazer e se comprometer a faze-lo. Pode ser de pequena, de média ou de grande intensidade. Outros compromissos podem ser incluidos como: não assestir tv neste período, não acessar a internet (Não conseguiria cumprir esse voto, a não ser que estivesse longe de qualquer tentação).... , não comer carne nesse período, enfim as possibilidades são imensas. Mas isso já é invenção minha.

Fiz uma semana de retiro de grande intensidade. Uma de média e agora vou continuar acho que na média não somente os 100 dias mas todos os dias, já que a prática não tem dia, nem hora.


Vejo nesse método muito mais flexibilidade do que em outras escolas. Mesmo para quem vai a um retiro pela primeira vez isso é possível. Mesmo que nunca tenha praticado meditação formal no estilo zazen, será aceito em retiros de 1-4 dias, o único pré-requisito é querer. Não se requer nenhuma iniciação nisso ou naquilo. Pelo menos com a Mestra Heila.

Apenas não pode ficar no entra e sai à vontade. Se o retiro é de três dias, fica-se três dias. Se for de mais tempo, fica-se pelo menos uma semana.

Não é assim em mosteiros mais tradicionais. Iniciantes nem sempre são bem vindos. Eles perturbam os praticantes mais antigos (leia-se incomodam, dão mais trabalho, fazem mais perguntas indesejadas, não respeitam o voto de silêncio,..., enfim quebram facilmente as regras milenares).


Coisa de japonês... Mas nós não somos japoneses, então porque manter esse estilo de prática?
Apenas para manter “o estilo”?


Enfim, não sou contrária a nenhuma Escola ou Método que já tenha experimentado. Apenas constato os benefícios de um Zen que se propõe ser acessível a todos e não apenas uns poucos privilegiados pela boa fortuna de poder pratica-lo.


Sempre vou defender que a prática não deva ser limitadora onde já existem limitações naturais, básicas. Nem restritiva em demasia, nem fechada em mosteiros. Estamos neste mundo, ele é ilusório, mas enquanto ilusório ele é aos nossos olhos real. E só será real de fato quando o olho da mente se abrir por completo. Então vamos trabalhar, pq. como diz o ditado Zen: "Quem não trabalha não come". Trabalho aqui significa práticar.

As coisas vem quando tem que vir não quando queremos. Então precisamos saber esperar e saber reavaliar nossas escolhas até acertar.


Sem comentários: