21 janeiro, 2003

Disciplina Zen

Há mentes que são receptivas à disciplina zen. Outras são resistentes. Por isso mesmo existem práticas diversas.
Para quem, mesmo assim, abomine a prática formal há a prática da Atenção Plena.
Buda a colocou em sétimo lugar no Caminho Óctuplo, não creio que tenha sido porque era menos importante, mas por ser menos fácil.
O zen, pelo que tenho observado, já a promoveu a pelo menos terceiro lugar. Para aqueles que não vêem a prática formal com bons olhos, primeiro lugar não seria má idéia.
O mestre zen coreano Seung Sahn é um desses que já elevou a prática da atenção plena ao primeiro lugar, faz tempo. Ele ensina o “Zen Momento”.
Se algumas pessoas não querem sentar em zazen em qualquer posição, prostrar-se 108 vezes, cantar, recitar sutras e mantras. Ele diria: “Sem problema!” E mais:
Pratique de momento a momente. Vcs tem as 24 horas do dia para praticar. Por que se prender a 40 min. Por dia? É muito pouco!
Quem pode saltar para dentro do momento de cara? Faça-o, sem hesitação!
Quem não pode, estão ai os métodos que ajudam a levar a mente para o momento.
São formais, são duros, são chatos? Só depende da sua mente. Quem faz o formal, o chato...?
Apenas discutir a validade ou não das práticas é mera discussão. As opções existem. Vamos experimentar.
Dizer que fulano não vai conseguir praticar assim ou assado é dar crédito à imaginação. Onde está o fulano? Ele é real? Está tentando?
Enquanto ele (o praticante) for apenas teoria não será prática, porque teoria não pratica, teoriza.
Vejo pessoas que chegam no grupo de meditação sem nunca terem feito zazen na vida e aceitam o desafio de se sentarem 40 min de cara. Eu não comecei assim, não tive essa coragem. Assim coragem é um ponto importante para praticar, bem como a fé e a dúvida. Os três pilares do zen.
Nunca fomos lá fora, na rua, chamar algumas pessoas ao acaso, para testar se essa idéia de que nem todos conseguem praticar de um jeito ou de outro, é verdadeira.
Se alguém se dispor a fazer o teste, me fale os resultados.
Então sim poderemos dizer com propriedade se somente “pessoas especiais” podem praticar.

Já não importa mais de onde o zen veio, mas onde ele está. Ele está no momento.

Sem comentários: