31 dezembro, 2003

Este ano, apesar de parecer que foi um desatre, foi na verdade muito bom.
No momento mais crítico, quem parecia amigo, deu spalla ao violino e esqueceu a melodia.
Mesmo assim, é nas horas negras que se conhecem as velas, que vento algum pode intimida-las, quando seu propósito único for iluminar. Não faltou vela no apagão :)

Presentes não pedidos e pedidos atendidos sem esforço.
O empenho anterior armazenou gás suficinte para anos, mas recarregar as baterias se faz necessário.

Dei uma passada de olho nas 108 realizações para a vida toda.
Foram menos que no ano passado, mas foram maiores e mais complexas.
Comparando, ganhei na mega sena acumulada varias vezes, mas continuo pobre (materialmente) mas rica, rica de maré, maré de ci.


30 dezembro, 2003

Todo mundo corre, corre para acabar logo com um ano que nunca acaba.
Ele apenas se repete ciclicamente, se renova, faz uns ajustes aqui e ali, mas basicamente, é o mesmo. O ano, mas nós, nós sim, mudamos. Já reparou? Parece que não, mas digo que sim. É porque só consideramos mudança quando for grande, visível. Mudar o corte de cabelo, já mudança.
E quem disse que é ruim, mesmo ruim, é belo. Resta a nós que somos peças no tabuleiro do universo, jogarmos um jogo limpo e paciente.
No fim, o que pode acontecer, além de um xeque mate, talvez um empate. Ninguém vence. Porque no fundo, ninguém vence, a não ser a si mesmo, a suas limitações, seus medos, coisas que valem apena se empenhar para tornar a vida melhor para si, e melhor, para todos.
Fico feliz de ter me arrastado neste campo florido, e às vezes ter me sentado nos degraus da preguiça, ainda aqui mais um ano de blog. Serão três anos dia 31 de janeiro.
Espero poder continuar a inspira-los na senda do momento presente, seja lá como ou com quem vierem. Sejam bem vindos mais uma vez.





29 dezembro, 2003

Richard Carlson fez sucesso não fazendo tempestade em um copo d´água.
Entre suas leituras prediletas estão os budistas Jack Kornfield e Sylvia Boorntein.
Foleando o livro, talvez o melhor da série, achei muitas semelhanças com o budismo. Alguns dos seus conselhos podem se tornar metas para o próximo ano.

25 dezembro, 2003

O que os budistas ociedentais fazem no Natal:

Retiro de Natal
Leêm aquele mesmo livro.
Ou um outro adquirido ou ganho recentemente, no Natal.
Vão ao shopping center ver O Senhor dos Anéis
Viajam para casa de familiares e/ namorado/a
Ficam em casa vendo vídeos e meditando sobre o vazio do Natal
Nem lembram que é Natal apesar do constante
bombardeio no TV e por todos os lados
porque não vêem tv nem olham para os lados.
Enviam cartões de Natal apra amigos não budistas com frases budistas.

entre outras opções...

23 dezembro, 2003

Bob Marley cover na Alfandega, Coral de natal no Cruz e Souza e Mozart na Catedral.
Alguém reclamou que era demais e tudo ao mesmo tempo.
Então escolha! O popular Bob Marley, o popular coral e natal ou o popular Mozart.
A prefeita escolheu Mazart, o povo que não se importa com a chuva escolheu as janelas do Palácio Cruz e Souza e quem não gosta nem de Mozart e nem do Natal escolheu Bob Marley cover.
Assim havia alegria para todos os gostos, todos populares.

Passei por Is this love segui para o Nivarna e ainda peguei Noturno seguido de Over the Rrainbow.

Esta:



Somewhere over the rainbow
Way up high
There’s a land that I heard of
Once in a lullaby

Somewhere over that rainbow
All skies are blue, oh
And where dreams
That you dare to dream
Really do come true

Someday I’ll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
And troubles mount like lemon drops
Way above the chimney tops
That’s where you’ll find me

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly, oh
If birds can fly over the rainbow
Why, then why can’t I?

Someday I’ll wake and rub my eyes
And in that land beyond the skies
You’ll find me
I’ll be a laughing daffodil
And leave the silly cares that
Fill my mind behind me

Somewhere over that rainbow
Bluebirds fly
If birds can fly over the rainbow
Why, then why can’t I?

If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why can’t I?

me fez lembrar a indiazinha Dia de Chuva, a responsável por tudo isso existir.

Pensei em ligar, mas sei lá seu telefone por onde andará em tantas mudanças de taba.
Nem mesmo enviar email, sei lá se poderia.

Onde andará Dia de Chuva?
Alegre, feliz, triste, assim mesmo feliz.

Entre em contato Dia de Chuva!

21 dezembro, 2003

Deixe de lado a deplorável apatia e enfrente a crise com coragem.
Uma pessoa sensata mostra energia e determinação, o sucesso está em seu poder seja ele
qual for.

Jatakamala 14.11 in: Franz Metcalf [ O que Buda faria?]

18 dezembro, 2003

Na abertura da programação de Natal entre corais nas escadarias da Catedral e
crianças cantando " Nirvana" nas janelas do Palácio Cruz e Souza, nós ali pertinho meditando.

Se o Papa sabe que por aqui andam cantando "Nirvana" do Grupo El Bosco.

Por falar em Papa, o Dalai Lama escreveu um livro: "Dalai Lama fala sobre Jesus."
E lá foi o Dalai Lama para um encontro histórico com o Papa.
Seculu seculorum e só o Santo Marketing conseguiu juntar Dalai Lama e Papa. Viva o marketing!



17 dezembro, 2003

Me perguntaram quantos livros não budistas li neste ano.
-Deixa ver... - Uns cinco, acho!
- Cinco!
-Pra quem lia quase 50 só de literatura... Mudei de assunto, só isso.
-Então tá!

14 dezembro, 2003

Quebrabdo o encanto

Por vezes estar em um grupo de praticantes cria um véu que não nos permite ver as pessoas como elas são, por baixo de suas cascas. Todos parecem emanar luz e ter aurea de santidade.
Cedo ou tarde penetramos na profundidade do ser e vemos coisas que não gostaríamos de ter visto. Era melhor ficar cegos a quebrar o encanto. Mas quebrar o encanto faz parte da prática.

12 dezembro, 2003

Satori-intuição, sabedoria transcendental que capta simultaneamente a totalidade e individualidade de todas as coisas.

Psi- consciência transcendente dos límites do ego

Metafísica- a impressão intuitiva de que ser é vir a ser e vir a ser é ser.

10 dezembro, 2003

Diga-me o que vc. tem feito com a sua preciosa vida?
Está ocupado demais para responder? Escreva um mail.

Faça uma lista.
Enfim, não fique ai parado esperando a vida passar para começar outra
novinha em folha. Vc. faz o seu mundo, o seu dia, o tempo e o espaço.
Vc. faz tudo. Bom, ruim, bonito, alegre, triste....

Veja lá o que vc. tem feito!
Não importa se este ano está acabando. O que passou e o que virá.
Quero saber agora, o quê importa?

Só importa esse momento.

Estou esperando uma resposta.

08 dezembro, 2003

29 novembro, 2003

O que é Religião?

O sentido original do termo "religião", é interessante: vem do latim
religare que significa "reatar, unir o homem e os deuses". Re quer
dizer de novo, ligare é atar, ligar, unir.
O que estamos unindo? Antes de mais nada, unimo-nos a nós mesmos,
porque mesmo em nosso íntimo estamos separados, e unimo-nos aos
outros; enfim, a todas as coisas, as sensíveis e as insensíveis.
Unimos os outros a eles mesmos. Tudo que não estiver unido é nossa
responsabilidade. Mas, a maior parte do tempo, nossa tarefa é nos
unirmos a nossos companheiros, a nosso trabalho, a nossos parceiros,
filhos e amigos; depois, é nos unirmos a Sri Lanka, ao México, e a
todas as coisas do mundo, ao universo.
Isso parece uma beleza! No entanto, na realidade, não é sempre que
vemos a vida assim. Qualquer prática religiosa verdadeira consiste em
retomar a visão do que já existe: é enxergar a unidade fundamental de
todas as coisas, é ver nossa verdadeira face. É remover a barreira
entre nós, outrem e as coisas: é remover ou enxergar através da
natureza dos obstáculos.

Enquanto não nos sentirmos abertos e amorosos, nossa
prática está bem ali, esperando por nós. Uma vez que
na maior parte do tempo não nos sentimos abertos e
amorosos, devemos praticar de modo meticuloso o tempo
todo. Essa é a vida religiosa: essa é a "religião",
embora não precisemos usar essa palavra. Trata-se da
reconciliação das pessoas e de suas noções
separatistas; trata-se da reconciliação de nossos
pontos de vista a respeito de como as coisas deveriam
ser, como as pessoas deveriam se comportar, trata-se
da reconciliação de nossos receios. A reconciliação de
tudo que é a experiência -do quê? de Deus? Daquilo que
simplesmente é. A vida religiosa é um processo
incessante de reconciliação, de um segundo a outro.
Cada vez que atravessamos essa barreira, algo muda
dentro de nós. Com o tempo, vamos ficando cada vez
menos separados. Isso, porém, não é fácil, porque
desejamos ficar dependentes daquilo que nos é
familiar: estarmos separados, sermos superiores ou
inferiores, sermos "alguém" diante do mundo. Um dos
aspectos distintivos de uma prática séria é o estado
de alerta e de reconhecimento para os momentos de
separação. No exato instante que tivermos mesmo que
seja uma fugaz noção de estar julgando outra pessoa, a
luz vermelha da prática se acende e podemos
percebê-la.

Charlotte Joko Back [Nada Especial. Vivendo Zen]

25 novembro, 2003

Todas as religiões tem algum tipo de escapismo, um alento para o sofrimento.
em geral isso só se concretiza em outro plano, outras vidas, outro lugar.
No budismo o sofrimento pode ser extinto agora porque ele só existe em um momento, ele é apenas um momento, portanto não precisa esperar por um futuro incerto, um lugar sabe-se lá onde ou até mesmo esperar atingir um nível de estado superior ou especial. O sofrimento só existe fora do presente, quando surfamos no passado ou no futuro, quando nos apegamos aquilo que não está mais aqui, quando nos prendemos a estados mentais ilusórios.

A regra é prender e soltar. Prender o tempo necessário e depois deixar ir.
Se não deixamos as coisas irem sofreremos, se não deixarmos nossos sentimentos irem, sofreremos.


22 novembro, 2003

Dharma não é apenas tudo o que existe.
O Dharma é uma modo de nos lembrar a todo momento da nossa verdadeira natureza.

19 novembro, 2003

Meu Pequeno Buda:

"- Mãe, às vezes eu queria sentir tudo o que o Felipe sente.
- Por quê, Gabriel?
- Porque ele é pequeno e se machuca muito, coitadinho. Eu tenho dó dele bater o coco, cortar o pé e espremer o dedo a toda hora.
- Ah, filho, o Felipe é muito macaquinho. Às vezes a pessoa é meio biruta e precisa se machucar pra aprender a não fazer certas coisas.
Silêncio.
- Sabe, mãe, pensando bem, eu acho que esse mundo aqui não é a vida real, é um lugar onde as pessoas vêm pra aprender as coisas.

Eu não sei descrever a minha cara.

: : Laura : :
postado em Veia

Lamento informar mas esse é o único mundo que existe onde realidade e ilusão se alternam. Se estamos adormecidos o mundo é uma ilusão. Se estamos despertos ele é real, assim como ele é. Gostemos ou não dele.

Gostariámos que não fosse assim, talvez acreditar que tudo isso nâo seja real diminuiria nossa frustração em torno de certas coisas que não aceitamos, não gostamos, não conseguimos ter, etc.

Sim estamos aqui para aprender como nos conectarmos com nosso verdadeiro Eu, com nossa Essência, nossa Natureza. e no fundo no fundo estamos mais aqui para desaprender. Dasaprender hábitos, condicionamentos profundos que nos mantém presos a este estado de não despertos.

Confuso. O zen é assim mesmo, aparentemente confuso, mas trata-se apenas de aceitar que tudo é impermanente, sendo assim existir ou não existir resume-se em apenas um momento. Em um momento algo existe, em outro já era. Se ficamos presos ao que já era ficamos presos a ilusão e certamente isso nos trará algum tipo de sofrimento.

16 novembro, 2003

Agora eu me lembro de prestar atenção quando estou abrindo ou fechando portas, mas ainda há tanta coisa que esqueço de lembrar. não importa. Lembrar de uma já é um grande feito.
Só a experiência traz de volta para o contato com a realidade.
Se queremos o conforto do sonho então ficamos suspensos
num estado onde o sofrimento pode ser evitado a todo custo.

11 novembro, 2003

Sobre o Programa dos 20 Passos para o Despertar

Estou na oitava semana (são 20 ao todo).
Já começo a sentir algum resultado, quase sempre me vem como lembrança.
Ontem lembrei que estava atenta ao fechar o portão da garagem.
Lembrei que achei muito diferente o sabor da maçã que comi, apesar de
comer maça quase todos os dias. Mas aquela de ontem foi diferente de todas as outras que
provei.

Lembrei de ter lido que atenção plena em pali significa “ lembrar” , trazer a atenção de volta sempre que algum pensamento nos levar para longe do que estivermos fazendo. Estar presente na ação, fazer apenas o que se está fazendo, é estar dentro do momento.

Me pareceu que é possível automatizar a atenção, mas acontece que em certos momentos nos damos conta que algo já está sendo feito com atenção e naturalidade sem precisar puxar a lembrança à atenção.

Ainda preciso continuar a testar em mim para ver se o processo está natural ou automatizado.

Já sinto que a energia acumulada das semanas anteriores tem servido de motor para me permitir continuar. Sendo assim não desistir do programa foi uma boa escolha. Quero ver no que vai dar.

Há pelo menos uma coisa natural: a curiosidade em investigar, testar em mim mesma, na prática.

Essa motivação me parece importante para continuar.

10 novembro, 2003

Meu pai costumava dizer que o tempo é o melhor juíz.

Costumo dizer a mim mesma: " O tempo irá mostrar."

O tempo tem mostrado que aqueles que hajem de forma inapropriada acabam sendo vítimas de seus atos. E infelizmente esses atos nem sempre atingem apenas aqueles que os produzem ( entre os quais me incluo), mas muitos e muitos outros.

Se somos o produto de nossas ações, cedo ou tarde as consequências destas ações, boas ou más se mostram claramente.

Na maoria das vezes patêncializadas, ou seja, o sofrimento que causamos, nos volta com muito, muito mais intensidade e impacto.

Matt Ridley, em Nature via Nature, ed. Fourth Estate, diz que:

"Saber que vc. possuí um instinto permite que vc. decida se vai dominar esse intinto [aprender a lidar com] ou ser dominado por ele. Talvez o mesmo possa ser dito sobre o carma. Quanto mais sabemos sobre nós, quanto mais aprendemos, mais leve se torna nossa existência.

Em todo caso há a escolha. Mas para escolher é preciso estar de acordo com nossas escolhas. Saber que uma escolha incorreta, poderá implicar em consequências. E toda escolha tem consequências.
O que ocorre é que sequer temos consciência de nossos atos, se são danosos ou não. Não maioria das vezes agimos sem avaliar, no impulso, até, com boas intenções. Mas como se diz: de boas intenções o inferno está cheio.

Assim a prática é para adquirir clareza nas nossas ações, egir de maneira apropriada em cada situação.

06 novembro, 2003

O cerne da meditação budista é a prática da atenção plena.
Quando praticamos a atenção plena, geramos anergia de Buda dentro de nós e ao nosso redor, e essa energia é capaz de salvar o mundo. Um Buda é alguém dotado de atenção plena o tempo inteiro. Nós somos budas em meio expediente apenas.
É possível a cada um de nós gerar a energia da atenção plena em todos os momentos da vida cotidiana.

Thich Nhat Hanh [A Essência dos Ensinamentos de Buda, Rocco]

02 novembro, 2003

No retengas tus viejas ideas; no persigas tus nuevas fantasías;
sincera e incondicionalmente, indaga y reflexiona en tu interior;
indagar y reflexionar, reflexionar e indagar,
hasta que llega el momento en ya no son posibles más indagaciones;
ése es el momento en que podrás comprender
que durante todo tu pasado has estado en el error.


viejas ideas

31 outubro, 2003

Momento blackout

Apagão é zen?

Nunca vi uma Ilha tão calma. Hoje andando na rua um motorista de ônibus
vendo todos os ônibus parados esperando para atravessar a ponte, observou:
-Se fosse greve de ônibus, já tinham quebrado tudo.

Reações deferentes a situações diferentes.

26 outubro, 2003

Mais Pirandello coisas interessantes achadas na faxina do insight

Neste texto Giuseppe Bonghi diferencia persona de personagem.
A persona seria o indivíduo livre, sem forma, sem máscaras.
Enquanto que o personagem seria o oposto.
A forma é a máscara.

Algo me lembra o Sutra do Coração.

Levei o texto para ler no Café e acabei esquecendo-o no supermercado.

25 outubro, 2003

O que é o Budismo

O Budismo não é um sistema de crenças.
Não versa sobre aceitar um conjunto de reivindicações ou princípios.
Na realidade é exatamente o oposto.
Ele versa sobre examinar clara e cuidadosamente o
mundo, sobre testar todas as coisas e cada idéia.

Budismo é sobre ver, conhecer em vez de acreditar ou esperar ou querer. Também é sobre não ter medo de examinar qualquer coisa e todas as coisas, incluindo nossas próprias atividades. "[p.17]

Steve Hagen [Budismo: Claro e Simples,17, Pensamento]


24 outubro, 2003

Insight da Faxina

Fazendo faxina em textos dos tempos da universidade encontrei um que analisa o "splitting" da máscara em algumas peças do Pirandello.

"Splitting" é um termo da psicanálise que, pelo que entendi ou não entendi, é
um dispositivo usado pelo indivíduo para reprimir sentimentos ou desejos. (Um mecanismo de defesa do ego).
Gerador do conflito entre esconder-mostrar,
daí a máscara que esconde quando usada e mostra quando tirada.
A repressão de desejos reforçaria o falso ego e enfraqueceria o verdadeiro ego.

O texto tb diz que o "splitting" limita o insight.
Pirandello promovia em suas peças o exercício de tirar a máscara.

Coisa muito difícil já tal ato tem um preço por vezes insuportável para o ego, não acostumado a luz da face sem máscara.
Quando o verdadeiro Ego sobrevem, a máscara cai e a face se ilumina.
Até lá, vivemos à sombra da nossa máscara, encenando papéis que satisfazem
que reforçam o ego e nos tornam cada vez mais dependentes da máscara.

Observação arquivada. Texto descartado ou com sorte reciclado.

SEGRE, Carlo David. Lo splitting della Maschera in Pirandello: Una
Proposta Psicoterapeutica. In: QUADERNI (04) São Paulo,1993.


18 outubro, 2003

O homem amnésico

O homem nasce amnésico, esquecido de sua origem, ilusoriamente convencido de que não passa desse corpo limitado percebido pelos sentidos.

Hubert Benoit [A Doutrina Suprema Segundo o Pensamento Zen, Cultrix]

16 outubro, 2003

Acendendo Incenso

Coisas simples são uma dificuldade para mim, assim,
mesmo já conhecendo os 20 passos, ainda não havia experimentado.
Mas, agora, encorajada por PSN decidi tentar.
Na primeira semana, escolhi: acender o incenso.
Leva apenas um segundo, mas como eu gosto de acender incensos...
Observei como apenas um segundo é importante e como esse precioso tempo é
desperdiçado pensando.
Poderíamos parar de respirar em um segundo, mas de pensar.
Desejo que este programa possa nos ensinar o oposto: pensar menos, respirar mais.

Certamente, este programa não é um treinamento para parar de pensar, mas para estar presente
momento a momento.
Me comprometo em lembrar cada vez que acender incenso de apenas fazer isso.
E assim sucessivamente com as demais coisinhas do dia a dia. O importante é começar.

Já sinto mudanças significativas. Estou mais atenta e esse ganho de atenção que vai contagiando
os demais momentos. Assim me percebo desatenta e me puxo de volta à atenção.

PSN disse para ter cuidado ao acender incensos
"lighting incence" para não queimar os dedos.
Enquanto eu estava swiching incence não queimei meus dedos, mas depois desse lighting, ai, ai, ai.

15 outubro, 2003

Kasa

El Buda Shakyamuni, después de abandonar su vida de asceta, cosió trozos de tela que recogió a la orilla de un río, y vistió su cuerpo para la práctica de la Vía. Este vestido es el kesa, el vestido del monje, el vestido de zazen, y su costura ha sido transmitida hasta nuestros días.

El kesa se lleva para la práctica de zazen en el dojo, al igual el rakusu, que es un pequeño kesa. Suelen ser de tejidos como algodón, seda o lino. Y el color es oscuro, apagado, colores como el negro, gris y marrón. Tiene una forma rectangular, la unión de los trozos forman bandas que están cosidas entre sí, asemejan un campo de arroz. El kesa puede tener cinco bandas, y éste es el rakusu o pequeño kesa, y los de mayor dimensión siete, nueve, y
así hasta veinticinco. Tradicionalmente, un monje tiene tres kesa: el de cinco, siete y nueve bandas.

Cuando se cose, la concentración es la misma que en zazen, nos concentramos en cada puntada, nos concentramos en el aquí y ahora, es el mismo estado de espíritu. Cuando lo vestimos, la práctica de la Vía está presente en nuestro espíritu. Es difícil creer en su propio espíritu, así, el kesa se vuelve el único objeto de fe. El maestro Dogen dice en el Shobogenzo: "El kesa mantiene la transmisión auténtica de maestro a discípulo". Y así es respetado.

12 outubro, 2003

O Veneno é o Remédio

A instrução essencial de todas os ensinamentos budistas é o seguinte: aconteça o que acontecer, não tente se livrar de sentimentos indesejáveis. Esse é um pensamento pouco comum.
Não faz parte de nossa tendência habitual deixar que esses sentimentos fiquem por aqui. De modo geral sempre tendemos a fazer com eles desapareçam.

Pema Chödrön [Comece onde vcoê está, Sextante]

04 outubro, 2003

Nossa mente é como um copo de água clara.
Se nós colocamos sal nela, ela se torna água salgada, se colocamos açucar, água doce, se colocamos merda, água com merda. Mas originalmente a água é clara.
Sem pensanmento, sem mente. Sem mente, sem problema.

Our mind is like a clear glass of water. If we put salt into the water, it becomes salt water; sugar, it becomes sugar water; shit, it becomes shit water. But originally the water is clear. No thinking, no mind. No mind, no problem.

Seung Sahn, Zen Master

03 outubro, 2003

Comece pelo mais simples

O primeiro item da minha lista dos 20 passos é: Acender o incenso.

Quem disse que acender o incenso é uma coisa simples. Quantas miríades de pensamentos se passam entre pegar o incenso, pegar o acendedor, acender e colocar o incenso em algum lugar?

28 setembro, 2003



Não é mais necessário um espelho
para ver a si mesmo claramente.
O que você vê
é o que um espelho não pode refletir.

Moriyama Roshi - Feb/99


25 setembro, 2003

Tenho meditado no meu trabalho todos os dias.

Não, não tenho pensado no meu trabalho, é zazen mesmo.

Ponho a almofada no chão, acendo o incenso e tento.




24 setembro, 2003



Nossos corpos são como orvalho na grama, e nossas vidas como um clarão, deixando de existir em um momento.
Praticante sincero do Zen,...exerça o caminho que aponta diretamente para sua natureza Búdica original. Respeite aqueles que que realizaram completamente o conhecimento e nada mais necessitam fazer. Torne-se um com a sabedoria dos Buddhas e alcance a iluminação dos Patriarcas. Se você praticar por algum tempo, você realizará tudo isso...

Dogen [Fukanzazengi]

23 setembro, 2003

Ser maduro implica deixar de estar aprisionado pela necessidade infantil de sempre buscar proteção ou esconderijo quando as coisas são duras demais.
Ser adulto é estar completamente à vontade no mundo. p.107

Quando já chegamos com um esquema pronto, ficamos simplesmente impedidos de ver a pessoa que está à nossa frente. p. 136

Pema Chödrön [ Comece Onde vc. Está]

21 setembro, 2003

Quello che c'è in fondo al
cuore non muore mai
se ci hai creduto una volta
lo rifarai
se ci hai creduto davvero

L'Aurora [ Eros Ramazzotti- Dove C'`e Musica, 1996]

19 setembro, 2003

Outro dia alguém falou:

-Detesto a tua religião!

Eu:

- Aqueles que dizem desta água não beberei, são os que mais precisam dela.

-Ainda prefiro uma cervejinha : )

-Sem problema. Vamos tomar umas...


16 setembro, 2003

Minhas pernas ainda estão doendo.
Fazia tempos que não fazia prostrações.

Alguém disse que sentiu o peso do Kasa em mim.
Me sinto mais leve.

Só vou poder sentar para escrever mais tarde.


15 setembro, 2003

Voando com as próprias asas

O voto de refúgio é o compromisso de não mais buscar

ilhas de segurança mas sim aprender a saltar, voar, sair

do ninho e entrar em um território desconhecido,

livres de nossas ilusões e opiniões estreitas e egocêntricas.

Pema Chödrön [ Comece Onde Você Está]

13 setembro, 2003

Primeiro dia de Retiro

Acordamos cedo para fazer as prostrações.
Acordei mais cedo para esquentar a água.
Christine me deu um bilhete dizendo que não era para ter água quente e café antes das prostrações porque as prostrações esquentam o corpo. Só depois.
Depois onde estava minha colega? O Tea Team falhou.

Voltamos para cantos. Tânia distribuiu tarefas para o período de trabalho.
Deu tarefa para o monge, mas PSN disse que ele não precisava receber tarefa. Ele aceitou-a.


Depois veio o café da manhã. Trabalho, descanso.

Valtamos para a sala de meditação. Sessões de 30min sentado, mais 10 min andando se seguiram enquanto ia-se saindo para a entrevista com PSN.

Os que estavam participando do retiro pela primeira vez e não falavam inglês foram primeiro.
Depois novatos que falavam inglês. Os que já tiveram entrevistas com PSN e não falavam português e os que falavam por último. Só fui vê-la lá pelas duas da tarde.

Entrei na sala e fiz a reverência, depois as reverências em frente a ela.
Sentei-me. Depois de me perguntar como eu estava me fulminou com a pergunta:- Do you have any question?
Respirei fundo e disse: Como se faz isso? "Isto", era o laço do robe.
Ela riu e tentou me mostrar, mas acabou desistindo e me aconselhou a procurar C. depois do jantar.
Disse que essa tinha sido uma pergunta fácil e insistiu se eu tinha outra.
Perguntei como tinha sido esse ano, como ela tinha me sentido.
Ela pareceu surpresa com a pergunta e
me respondeu com outra pergunta: -Como está a sua prática?
Então fui tentando falar o que havia acontecido, enquanto meus olhos iam se enchendo de lágrimas.
Fomos assim conversando. Ela me deu conselhos:

Mantenha a prática bem simples.
Contar a respiração pode parecer bobagem, mas é uma técnica muito eficiente, tente!
Não adianta querer ir muito rápido e depois pôr tudo a perder.
Se tiver alguma dúvida me escreva.
Não deixe os outros te checarem, antes é preferível vc. checar a si mesma.

Ela me pediu para passar noite acordada e me preparar para o dia de amanhã.
Disse que seria um dia especial e que eu precisava estar com a mente clara pois ela tinha uma pergunta para mim.

Falamos mais algumas coisas que são privadas.

Então voltei para minha almofada e logo veio o intervalo.

À noite tivemos a ultima sessão de meditação. Rodney explicou que haveria uma noite de prática livre e que aqueles que quisessem poderiam aderir a está prática que era individual. Poderia-se alternar meditação sentada, caminhando, prostrações.
No tempo que se quisesse, no seu próprio ritmo.
De modo que na mesma sala haveriam várias pessoas fazendo práticas diferentes.

Preferi descansar um pouco até as 22:30. Quando cheguei na sala de meditação haviam poucas pessoas.
Sentei no meu lugar e decidi só ficar ali contando a respiração. Fiz esse voto comigo mesma.
Consegui ficar sentada por aprox. 2h. PSN e Rodney chegaram às 22:45 e saíram 45 min depois.
C. sentava 40min e saia para caminhar lá fora. Depois de duas horas comecei a sentar 40 min e caminhar lá fora 15min, isso até 4:30, foi para a cama e voltei para as prostrações às 5:30.



11 setembro, 2003

Buda disse:

Liberdade é não ter nada a perder.

Certamente isso não deve ser aplicado em todas as situações.

Tampouco ser levado ao pé da letra, pois acaba-se no que aconteceu

num famoso e fatídico 11 de setembro.
Cerimônia de Preceitos


Esclarecendo... Não irei ser oredenada no próximo domingo em Porto Alegre, e sim receber os Cinco Preceitos. Quem se oredena é monge e monjas. Eu não tenho nenhuma pretenção de ser monja.

Os Cinco Preceitos são como um 'batismo" no Budismo. É qaundo assumimos formalmente nosso compromisso com o professor, os ensinamentos e a comunidade budista: os três tesouros.
É ser oficialmente budista.
Mas isso já sou há muitos carmas e darmas.
Só falta assinar em baixo.

Assinando....

Se não hoje, quando?

A questão é como? Como você pratica? Não apenas praticar nesta almofada, mas como você pratica na sua vida.

Porque, na verdade, esses dois não são separados. Essa é a dificuldade que tantas pessoas costumam expressar
.
Como unir essas duas coisas? Não vemos a mão direita e a mão esquerda como
coisas separadas deste corpo!
Então, por que vemos a vida diária e a meditação como coisas separadas?

Interessante isso!

Minha suposição é a de que até que tenhamos muito, muito mais sofrimento, nós
não iremos mudar.
Por que precisamos de muito mais sofrimento para que acordemos?
Cada um de nós aqui já viu o que está havendo no mundo.
Sinceramente, alguém acredita que as guerras que estão acontecendo vêem da clareza e da compaixão? É bem o oposto!

O ponto é: O que você está preparado para fazer? Quando você vai aceitar a responsabilidade? Quando você vai se
comprometer?

Se não agora, quando?

No que precisamos acreditar? Não acreditamos no quê? Essa é uma das muitas
razões: Essa incompreensão de que é
você (o outro) que vai fazer por mim. Os professores, os gurus, os chefes da
nação, os políticos, os líderes, os
prefeitos; eles vão fazer e não eu! Mas, ainda assim, é necessária
apenas uma pessoa, somente uma. E o lugar para
começar é aqui, neste momento; porque tudo resulta deste momento.

do livro: Simplesmente Faça!
Heila Poep Sa Nim & Rodney Downey
© Edições Nalanda
http://edicoesnalanda.cjb.net/




A Roda da Vida





O Camondongo: Primeiros Anos de Vida

O camondongo gosta de entrar e sair de todos os lugares, é ativo e travesso, está sempre
à frente dos outros.

O Urso: Início da Meia-Idade

O urso vive satisfeito e gosta de hibernar. Reflete sobre os primeiros anos de sua
vida e ri do camondongo que corre de um lado para o outro.

O Búfalo: Final da Meia-Idade

O búfalo adora vagar pelas pradarias. Analisa a vida de uma posição confortável e espera
um dia livrar-se da pesada carga e tornar-se uma águia.

A  Águia: Últimos anos de Vida

A águia gosta de pairar nas alturas, acima do mundo, não para ver as pessoas de
cima, mas para estimulá-las a olhar para cima.


Elisabeth Kubler-Ross, M.D. [A Roda da Vida. “Biográfia da médica que mudou a maneira
como o mundo pensava sobre a morte e o morrer”]

10 setembro, 2003

Carma significa que estamos continuamente recebendo ensinamentos
para abrir nosso coração.

Pema Chödrön [ Comece onde você está, p. 107-8]

07 setembro, 2003

Batendo a cabeça no chão

Eson foi ao retiro com PSN em SP.
Ficou surpreso porque PSN disse; “Eu conheço vc!”
Enviei a foto que fizemos juntos aqui para ela.
Ele gostou do estilo de PSN. Achou puxado fazer 108
Prostrações, mas uma vez na vida não faz mal a ninguém.
Quando tudo se desfaz onde buscar refúgio?

Parodiando Pema Chödrön, onde as pessoas se refugiam quando tudo se desfaz?

Na TV, na Internet, na música, no distrair-se para esquecer,
nas academias malhando, malhando, na comida, na bebida,
no sexo, em relacionamentos sem compromisso...

Eu ne refugio no Buda, o mestre iluminado;
eu me comprometo com a iluminação.
Eu me refugio no Dharma, o ensinamento espiritual;
eu me comprometo com a verdade assim como ela é.
Eu me refugio na Sangha, a comunidade espiritual;
eu me comprometo em viver a vida iluminada.


In: [O Despertar do Buda]

06 setembro, 2003

O Homem Indispensável


Some time when you're feeling important
Some time when you ego's in bloom
Some time when you take it for granted
You're the best qualified man in the room
Some time when you feel that your going
Would leave an unfillable hole
Just follow these simple instructions
And see how it humbles your soul:
Take a bucket and fill it with water
Dip your hand in it up to your wrist
Pull it out, and the hole that's remaining
Is a measure of how much you'll be missed.
You may splash all you like when you enter
You may stir up the water galore
But stop and you'll find in a moment
That it looks quite the same as before.
The moral of this quaint example
Is to do just the best that you can
Be proud of yourself, but remember
There is no indispensable man! ?

Enviado por Carlos [From This England's book of Parlour Poetry]

Coloquei mais títulos na
Biblioteca Zen.
Dê uma olhada
Momento após momento, cada um emerge do nada. Esta é a verdadeira alegria da vida.

Suzuki Roshi [Mente Zen. Mente de Principiante]
Mestra Heila iníciou retiro hoje em SP

Próxima semana estará em Porto Alegre e em seguida em BH.

Rara oportunidade de conhecer Mestra que estudou com Philip Kapleau e Dae Seung Sahn Nim.

Não precisa ter experiência em meditação. Tampouco já ter praticado em alguma tradição.

Mesmo quem nunca praticou vai se sentir "confortável" nos retiros com Mestra Heila.

Todos que queiram ter essa experiência são bem-vindos!

31 agosto, 2003

Palestras de Mestra Heila e Rodney agora em livro



Ricardo Sasaki transcreveu e traduziu palestras da Mestra Heila e do Rodney (seu marido e abade) dentre suas últimas visitas à BH, reunindo-as em um livro.


Simplesmente Faça!
Ensinamentos do Zen Coreano

Autores: Mestra Zen Heila Poep Sa Nim & Rodney Downey

Tradução e edição: Ricardo Sasaki
65 p. 13,5 x 21 cm
Edições Nalanda, 1999
Valor: R$ 12,00 + desp. de correio


"Se este momento é claro, então o resultado que vem deste momento também será claro. Se não é claro, então o resultado não será claro. Você pode verificar isto por você mesmo, eu garanto que é assim. Se nós temos uma dor de cabeça, tomamos um comprimido porque temos essa idéia de que o comprimido vai resolver a dor de cabeça. Mas, na verdade, o que deveríamos estar fazendo é perguntar: "Por que tenho esta dor de cabeça? O que devo fazer para não ter esta dor de cabeça de novo?" Mas este tipo de questionamento é um pouco difícil. É muito mais fácil abrir o frasco de comprimidos e negar a origem do sofrimento. É como ir para o confessionário: "Eu fiz isto, eu fiz aquilo, por favor, me abençoe e me perdoe!". Eu dou para você e você me faz sentir bem. Mas ninguém pode fazer isto por você. Cada um deve aceitar a responsabilidade por sua vida!"

Pedidos

25 agosto, 2003

Meditar significa observar

Observe as mudanças que têm lugar na sua mente sob a luz da consciência.
Mesmo sua respiração mudou e tornou-se "não-duas"
(eu não quero dizer "uma") com seu eu observante.
Isso também é verdade em relação a seus pensamentos e sentimentos, os quais, junto com os efeitos deles, de repente se transformam.
Quando você não tenta julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçam com a mente observante.

De tempos em tempos você pode ficar inquieto e
constatar que a inquietude não vai embora.
Nesses momentos. apenas sente-se em silêncio, acompanhe sua respiração, dê um meio sorriso e faça sua consciência brilhar sobre a inquietude.

Não a julgue nem tente destruí-la, porque essa inquietude é você.
Ela nasce, tem um período de existência e desaparece, naturalmente.
Não se apresse demais em descobrir a origem dela.
Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Simplesmente ilumine-a.
Você verá que pouco a pouco ela se modificará, incorporando-se e ligando-se a você, o observador.
Qualquer estado psicológico que você submeter
a essa iluminação acabará por se suavizar e
adquirir a mesma natureza da mente observante.

Durante toda a meditação, mantenha o sol da sua consciência brilhando.
Como o sol físico, que ilumina cada folha de árvore, de arbusto e de grama, nossa consciência ilumina cada pensamento e sentimento nosso, permitindo que os reconheçamos, que fiquemos conscientes de seu surgimento, duração e dissolução, sem julgá-los ou avaliá-los, sem recebê-los com alegria ou bani-los. É importante que você não considere a consciência uma "aliada", chamada para suprimir os "inimigos" que são seus pensamentos indisciplinados.
Não transforme sua mente num campo de batalha.
Não lute nela uma guerra, pois todos os seus sentimentos:alegria, tristeza, raiva, ódio - são parte de você.
A consciência é como uma irmã ou irmão mais velho,
suave e atenciosa, que está presente para guiar e iluminar.
Ela é uma presença lúcida e tolerante, jamais violenta e
preconceituosa.
Está presente para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos,
não para julgá-los como bons ou maus, ou colocá-los em campos opostos a fim de que lutem uns com os outros. A oposição entre o bem e o mal é com freqüência comparada à luz e as trevas,
mas se encararmos as coisas a partir de uma outra perspectiva, veremos que quando a luz brilha a escuridão não desaparece.
Ela não vai embora; ela se funde com a luz; torna-se a luz.

Há pouco tempo pedi a meu convidado que sorrisse.
Meditar não significa lutar com um problema.
Meditar significa observar. Seu sorriso é uma prova disso.
Ele prova que você está sendo gentil consigo mesmo,
que o sol da consciência está brilhando em você,
que você tem o controle da sua situação.
Você é você mesmo e você alcançou alguma paz.
E esta paz que faz com que as crianças adorem ficar perto de você.

Thich Nhat Hanh [O Sol meu Coração - da atenção à contemplação intuitiva]

17 agosto, 2003

Como sobreviver à tempestade

Existem vários métodos simples para cuidar das emoções intensas.
Um deles é a respiração abdominal.
Quando forem tomados por uma forte emoção,
como o medo ou a raiva, levem a atenção para o abdômen.
Permanecer neste nível de intelecto é perigoso,
porque as emoções intensas são como uma tempestade,
e ficar no meio de uma tormenta é muito arriscado.

No entanto, é isso que quase todos nós fazemos quando remoemos os problemas e sofrimentos na mente, deixando que os sentimentos nos esmaguem.

Em vez disso, temos que nos estabilizar levando a atenção para baixo [para o abdômen].

Focalizem a região do [baixo] ventre e pratiquem a respiração consciente, dedicando integralmente sua atenção ao subir e descer do abdômen.

Podemos fazer está respiração sentados, deitados
ou [caminhando].

Quando olhamos para uma árvore durante uma tempestade, vemos que o topo da árvore é extremamente instável e vulnerável.
O vento pode quebrar a qualquer momento
os galhos mais altos.
Mas quando examinamos o tronco, nossa
impressão é diferente.

Percebemos que a árvore é bem sólida e imóvel, e sabemos que ela conseguirá resistir à tempestade.

Nós somos como a árvore.
Nossa cabeça é como o topo da árvore e, por isso, durante a tempestade de uma forte emoção,
temos que levar a atenção para o nível do
umbigo e começar a praticar a respiração consciente, concentrando-nos exclusivamente na respiração
e no subir e descer do abdômen.

Trata-se de uma prática muito importante, porque ela nos ajuda a ver que, embora uma emoção possa
ser muito intensa, ela fica conosco durante algum tempo e depois vai embora.

As emoções não duram para sempre.
Tenha certeza: se você se exercitar nessa prática nos momentos difíceis,você sobreviverá à tempestade.

Thich Nhat Hanh [ Aprendendo a Lidar com a Raiva, 120-1,Sextante]

11 agosto, 2003

Sintonia

Mestra Heila contou que esteve liderando um workshop na prisão sobre a morte e o morrer.

Contei a ela que estive lendo alguns livros sobre o tema.

A Roda da Vida, Elisabeth Kübler-Ross
A Última Grande Lição, Mitch Albom
Lições sobre Amar e Viver, Morrie Schwartz

Estávamos em sintonia, pelo menos nesse tema.

10 agosto, 2003

Apenas uma palavra basta

A última vez que conversei com meu pai ele me perguntou:

-O que vc. realmente quer fazer?

-Seguir o Caminho do Buda!
-Ah!

Depois disso não discutimos mais sobre budismo.
Parece que ao ouvir a palavra Buda, uma lâmpada se acendeu: Ah!

Às vezes, algumas pessoas se iluminam apenas ouvindo uma palavra.

-Ah...!

09 agosto, 2003

Chame-me pelo meus nomes verdadeiros,
por favor, para que eu desperte,
e para que a porta do meu coração possa
ficar aberta, a porta da compaixão.

Thich Nhat Hanh [Paz a Cada Passo]

08 agosto, 2003

Perdão

O amor perfeito significa amar aquele por meio de quem tornamo-nos infelizes.

Soeren Kierkengaard

Quem é a pessoa que você não consegue perdoar?

Cada um de nós tem uma lista que pode incluir nós mesmos ( em geral, os mais difíceis de perdoar) e também acontecimentos, instituições e grupos.

Não é natural que nos devamos sentir assim por causa de uma pessoa ou um acontecimento que nos feriu- de maneira talvez grave e irreparável?

Do ponto de vista comum, a resposta é sim. Do ponto de vista do zen, a resposta é não. Precisamos formular o seguinte voto: irei perdoar, mesmo que custe praticar a vida inteira. Por que uma declaração tão forte?

A qualidade de toda a nossa vida está em jogo.
Deixar de perceber a importância do perdão é sempre parte de um relacionamento falho e um fator em nossa ansiedade, em nossas depressões,
em nossos males, em todos os nossos problemas.

Nossa incapacidade de conhecer o contentamento é um reflexo direto de nossa incapacidade de perdoar.

Então por que apenas não o fazemos? Se fosse fácil, seríamos todos budas realizados. Mas não é fácil. Não tem proveito nenhum dizer:

-Devo perdoar. Eu devo. Eu devo. Eu devo...

Esses pensamentos desesperados ajudam muito pouco. Análises e esforços intelectuais podem produzir um certo abrandamento da
rigidez do não-perdão. Mas o perdão genuíno, completo, está em outro plano.

O não perdão está alicerçado em nossos pensamentos habituais centrados em nossa própria pessoa.
Quando acreditamos neles, são como uma gota de veneno em nosso copo de água.
A primeira e monumental tarefa consiste em rotular e observar esses pensamentos até que o veneno possa evaporar.

Então o trabalho maior pode ser efetuado. O vivenciar ativo,como sensação física corporal, do resíduo da raíva no corpo,sem nenhum apego aos pensamentos autocentrados. A transformação em perdão, que está intimamente relacionado com a compaixão,
pode ocorrer porque o mundo dualista da pequena mente e seus pensamentos foi abandonado pelo vivenciar não-dual, não-pessoal, que é a única maneira de sairmos de nosso buraco infernal do não-perdão.

Só a nítida constatação da necessidade crítica de uma espécie de prática como essa pode capacitar-nos a realizá-la com força e determinação ao longo de muitos anos. A prática madura sabe que não existe nenhuma outra escolha.

Então, quem é que você não consegue perdoar?

Charlotte Joko Beck [Nada Especial: Vivendo Zen, Saraiva]



06 agosto, 2003

A Mente...

A mente tem necessidade de contínua submissão.
Se a mente depende do homem, o homem deve ter muito claro o que isso representa.
A mente engana o homem e mata o corpo,
a mente conquista os santos, conquista os deuses,
a mente conquista o homem, os animais,
a mente conquista o inferno.

Tudo aquilo que tem forma existe por causa da mente.
Três coisas: a amente, o nosso destino e a nossa vida
dependem estritamente um do outro.
A mente orienta, dirige e determina nossa
sorte aqui e dessa sorte depende nossa vida,
assim num suceder infinito.

A meditação leva à consciência, induz à correção
e ao governo da mente, da raiva,
e da estupidez que a confundem.

O homem que vencer a mente obterá o prajna ( grande sabedoria) que o libertará da vida e da morte.
Para isso é necessário limpar a mente.

Buda, in: [Maha-paranirvana sutra I, 64 ]

04 agosto, 2003

Você não é uma onda

Lá vem uma ondinha, que saltita no oceano longe da praia, na maior alegria. De repente, ela percebe que vai
arrebentar na praia. Neste oceano largo e imenso, ela
agora está sendo levada na direção da praia e será
aniquilada.

-Meu Deus, o que vai acontecer comigo? ? diz a ondinha
com expressão amarga e desesperada.
E logo chega outra onda, saltitante, na maior alegria.
E a Segunda onda fala com a primeira.
- Por que vc. está tão deprimida?
- Vc. não está entendendo ? diz a primeira.
- Vc. vai arrebentar naquela praia e não vai ser mais nada.

- É vc. que não está entendendo- diz a segunda .
- Vc. não é uma onda, vc. faz parte do oceano.

Morrie Schwartz [ Lições sobre Viver e Amar, Sextante,152-3]

03 agosto, 2003

Mulheres que escrevem sobre o Budismos

Gosto das mulheres que escrevem sobre o budismo.
Elas não são tão formais ou convencionais.
Falam de suas experiências.
Geralmente são budistas leigas e isso as faz
mais próximas de nós leigos.

Entre elas destaco: Charlotte Joko Back monja leiga do San Diego Zen Center, USA. Lemos seu livro, "Nada Especial: Vivendo Zen",nos encontros da Sanga.

Outra que tenho lido é Pema Chödrön, monja celibata do Budismo Tibetano
Linhagem do Dalai Lama, do Canadá.
"Os Lugares que nos Assustam" e
"Quando Tudo se Desfaz", são seus livros mais conhecidos.


23 julho, 2003

Saber como viver sozinho

Não persiga o passado.
Não se perca no futuro.
O passado já não existe.
O futuro ainda não veio.
Olhando a vida profundamente como ela é
exatamente no aqui e agora,
o praticante vive
em estabilidade e liberdade.

gatha de Bhaddekaratta, Sutra Samyukta Agama, 71

"O passado não mais existe. O futuro ainda não chegou."

Isso é simples lógica. Todos nós sabemos que o passado é apenas um fantasma, por que deveríamos ficar tão apegados a ele? E o futuro é apenas um fantasma, por que temos de ter tanto medo dele? Existe uma coisa, e é o presente, mas nós não sabemos viver o momento presente, e nós permitimos que o passado e o futuro nos afogue, nos subjugue.

No presente temos paixões, apegos, tristezas, projetos, e quando vivemos com estas coisas não estamos vivendo a sós, estamos vivendo com os fantasmas, e um praticante não deveria morar com fantasmas, nós deveríamos viver sozinhos.


"Saber como viver sozinho" não pretende aqui significar viver em solidão, separado de outras pessoas, numa caverna na montanha. "Viver só" significa aqui viver para atingir o domínio de você mesmo, ter liberdade, e não ser arrastado pelo passado, não ter medo do futuro, não ser tragado pelas circunstâncias do presente. Nós sempre somos mestres de nós mesmos, podemos lidar com a situação como ela é, somos donos da situação e de nós mesmos .
"Estar só" não significa ficar separado de outras pessoas. Nós podemos estar sentados em uma caverna, mas não estaremos necessariamente sozinhos, porque nos perderemos em nossos pensamentos, e assim não estaremos sós.

O Sutra do Conhecimento do Melhor Modo de Viver Sozinho nos ensina como viver cada momento de nossa vida diária muito profundamente. Quando nós podemos viver nossa vida diária profundamente, começamos a adquirir concentração e sabedoria; nós podemos ver a verdadeira natureza da vida, chegamos a uma grande liberdade, e liberdade é a essência da felicidade. Se nós estamos sofrendo, é porque não somos livres, e então praticar é recuperar nossa liberdade. Quando nós temos liberdade, ficamos sólidos. Liberdade e solidez são as duas características do Nirvana, assim precisamos de um programa de liberdade e solidez. Se alguém está sofrendo, sabemos que esta pessoa não está livre; e porque não são livres, as pessoas estão sofrendo, elas estão aprisionadas pelo passado, ou elas estão sendo oprimidas pelo presente, ou elas estão sendo arrebatadas pelo futuro, e é por isso que elas estão sofrendo. A prática é restabelecer nossa liberdade, e então nós não sofreremos, e nossa felicidade aumentará.

Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso." No Sutra vemos claramente que viver no momento presente não impede nosso pensamento sobre o passado ou o futuro, mas nós temos que viver no momento presente de forma a toda vez que olharmos profundamente o passado ou o futuro, nos libertamos e podemos superar nossos medos e nossa tristeza no que concerne a estas coisas. Porque nos ensinamentos da integração do ser, interpenetração, o passado faz o futuro, e o futuro é feito do passado. Portanto, estando em contato com o presente já estamos em contato com o passado e o futuro, mas não estamos sendo arrastados pelos fantasmas do passado e do futuro.

Thich Nhat Hanh [ Sutra Conhecendo o Melhor Modo de Viver Sozinho]

21 julho, 2003



Ter fé em Buda é, simplismente,um modo de mostrar a você como crer na sua própria e verdadeira natureza original. Você é Buda, o Buda é você!

Seung Sahn [A Bússola do Zen,Bodigaya]

20 julho, 2003

Vivendo Zen: A Vida Nada Especial

O dia foi especialmente quente. Um dia de verão.
Mestra Heila disse que lá em Robertson (África do Sul) tem feito dias de muito frio, alguns abaixo de zero!
Aqui, ainda não e espero que fique por isso mesmo.

Aproveitei para passear com o Bodhy, ( um cachorrinho ), depois antecipei a compra do presente do papai.

Eloíza me contou que está fazendo Kung Fu e o Emerson vai fazer também. Eu já faria Aikido.





Sejam uma luz em si mesmos

O budismo ensina que os corpos dos budas e dos
bodisatvas irradiam luz. O Zen ensina que a luz
inerente a si se estende por uma distância imensurável
para frente e para trás. Neste contexto, a luz
significa a lâmpada da fé brilhando de dentro de si. A
importância desta palavra para o Zen aparece quando
Dogen Zenji dedica um fascículo do Shobogenzo à luz
(komyo).
Essencialmente esta luz são os ensinamentos de Buda.
Como Buda disse "Desta forma, Ananda, depois que eu me for, sejam uma luz em si mesmos. Repousem e confiem em si mesmos. Não confiem em mais nada.

Caminho Zen Vol. 13, nº 4 2002
Os seres sensitivos são como imagens refletidas na água. Os que não vêem a verdadeira natureza das coisas confundem sombra com substância.

Philip Kapleau [Os Três Pilares do Zen,Itatiaia]

14 julho, 2003

Aprender como Aprender

Buda ensinou, um elemento muito importante: aprender como aprender.

Quatro Pilares Para O Estudo Do Dharma


Apoie-se no Dharma, não em pessoas.

Tudo que as pessoas podem fazer é interpretar o Dharma, o que é somente um auxílio para o aprendizado.
É impossível alguém simplesmente transmitir o Dharma a outrem. Quem
não vivencia as verdades do Dharma nem as aplica à própria vida não
aprende o Dharma, apenas aprende a respeito dele. As verdades mais
elevadas exigem, em última instância, ser vivenciadas. Por milhares
de anos, os mestres e praticantes budistas estudaram as verdades
ensinadas pelo Buda até conseguirem ter sua experiência direta.




Apoie-se na Sabedoria, Não no Acúmulo de Conhecimento.

No âmago dos ensinamentos do Buda está a sabedoria interior que já possuímos.
Assim, ao estudar, é necessário que estejamos alertas a essa
sabedoria. Podemos encher a cabeça com muitos fatos a respeito do
Dharma; entretanto, nem mesmo uma biblioteca repleta de fatos se
iguala a uma única percepção clara da verdade subjacente a eles. Ver
a verdade é sabedoria, ao passo que conhecer a verdade é apenas
conhecimento. Não há nada de errado com o conhecimento mas, em si,
ele nunca o libertará das ilusões. Assim como o Dharma é um espelho
que reflete nossa sabedoria inata, nossa sabedoria pode ser um
espelho a refletir os eventos de nossa vida. Voltando esse espelho
para o mundo, vêem-se as coisas como realmente são e não como as
impurezas dizem que são. Com a profunda sabedoria da mente interior
podemos ver a vida como ela realmente é. Devemos todos estudar o
Dharma e aprender as complexidades dos ensinamentos do Buda mas, ao
aprender um fato novo, é preciso também garantir que o mesmo seja
absorvido profundamente. Assim, a sabedoria que é inerente a todas as
formas de vida consciente começará a despertar por si própria.


Apoie-se no Significado das Palavras, Não nas Palavras.

A maior parte do aprendizado humano é adquirido através da linguagem. O Dharma é ensinado primordialmente através de palavras. As palavras devem ser respeitadas pelo importante papel que desempenham em nossa vida.
Ainda assim, jamais devemos nos deixar aprisionar por elas. As
verdade descritas pelo Buda em palavras não são em si palavras, são
verdades que transcendem totalmente as palavras. Esquecer esse fato é
esquecer o cerne da mensagem do Buda.


Até mesmo nossa reverência pelo Buda pode se constituir um obstáculo ao crescimento se não compreendermos que o verdadeiro Buda é um estado mental, e não simplesmente um símbolo ou história que existe em algum lugar, fora de nós.
Não é verdadeiro um ensinamento que não possa ser vivido e experimentado. Se não pudermos empreender um esforço para aprendê-lo, começando por onde estamos, de nada nos serve.

Apoie-se no Significado Total, Não no Parcial.
Isso significa que devemos estudar até entender a verdade profunda da mensagem do Buda,
sem nos deter em níveis mais superficiais de compreensão. O Buda
disse muitas coisas a diferentes tipos de pessoas.
Seu método de ensino é freqüentemente chamado de "método hábil" ou "método expediente" porque o que era ensinado a diferentes públicos dependia da respectiva capacidade de compreensão.
Havia aqueles com maior dificuldade de aprendizado, com necessidade de reificar o que quer que o Buda dissesse, ao passo que outros, com maior capacidade de aprendizado, conseguiam compreender os argumentos diretamente. Os ensinamentos do Buda, portanto, versam sobre muitos e variados tópicos. A abrangência de seu escopo é ampliada ainda mais pelo fato de que o Buda pregou o Dharma por quarenta e cinco anos. À medida que passaram os anos, seus alunos foram progredindo e sua mensagem foi se
aprofundando e conformando a sensibilidades mais profundas. A massa
de sutras e escolas que foram criadas naquela época é vasta e, por
vezes, confusa até mesmo para estudantes avançados do Dharma. Se não
formos cuidadosos, podemos ficar preocupados com uma mensagem
secundária, perdendo de vista a verdade profunda.


A forma correta de estudar o Dharma é desenvolvendo uma relação com o Buda, tanto aquele que está em seu interior como aquele que o transcende. Quando conseguir ver o Buda em tudo, poderá dizer que realmente compreende o Dharma.


Texto extraído do livro "Lotus in a Stream" - Wisdom Publisher, e
que o Ven. Mestre Hsing Yun é o 48o. Patriarca da Linhagem Lin Chi
(Rinzai) do Budismo Ch'an e fundador do Monastério de Fo Guang Shan em Taiwan.

13 julho, 2003

Máximas de Atisha para o Treinamento da Mente Compassiva:


Mantenha sempre uma mente alegre
Se puder praticar, mesmo distraído, vc. estará bem treinado.
Mude sua atitude, mas permaneça natural
Não pense na falha dos outros
Trabalhe primeiro com as maiores imperfeições
Abandone qualquer expectativa de resultado
Renuncie aos alimentos venenosos
Não seja tão previsível
Não fale mal dos outros
Não se ponha de emboscada
Não leve as coisas a um ponto doloroso
Não tranfira a carga do boi para a vaca
Não tente ser o mais rápido
Não aja ardilosamente
Não tranforme deuses em demônios
Não procure fazer da dor alheia as pernas da sua própria felicidade
Treine-se imparcialmente em todas as áreas. Écruel fazer isso sempre, de
modo abrangente e sem reservas.
Sempre medite sobre tudo que provoca ressentimento
Não dependa de circunstâncias externas
Não interprete incorretamente
Não vacile
Pratique com determinaço
Não chafurde na autocomiseração
Não seja invejoso
Não seja frívolo
Não espere aplauso
Quando o mundo está cheio de maldades, transforme todas as
adversidades no caminho de bodhi.
Seja grato a todos
Incorpore à meditação tudo que vc. encontrar inesperadamente

Pema Chödrön [Comece Onde Você Está, Sextante, lançamento em agosto,2003]

Atisha Dipankara, monge indiano que foi levado ao Tibete para transmitir a essencia dos ensinamentos do Buda.

Maximas de Atisha na Internet

12 julho, 2003

A prática é caminhar sem olhar para trás

"Quando começamos a praticar, trazemos nossa dor e nossos hábitos conosco, não apenas os hábitos dos últimos vinte ou trinta anos, mas a energia dos hábitos de nossos ancestrais. Através da prática da vida atenta, aprendemos hábitos novos. Ao caminhar, temos consciência de estar caminhando. Ao ficar de pé, sabemos que estamos de pé. Ao sentar, sabemos que estamos sentados. Praticando desta forma, nós gradualmente vamos desfazendo os velhos hábitos e desenvolvendo o novo hábito de viver ancorado profundamente no momento presente, de uma maneira feliz. Com a atenção plena em nós, podemos sorrir com um sorriso que demonstra a nossa transformação."

Thich Nhat Hanh [A Essência dos Ensinamentos de Buda, Rocco-Como transformar o sofrimento em paz, alegria e liberação: As quatro nobres verdades, o caminho Óctuplo e alguns outros ensinamentos budistas básicos.]


CULTIVANDO A MENTE DE AMOR

ESSENCIA DOS ENSINAMENTOS DE BUDA, A

PAZ A CADA PASSO

VIVENDO BUDA VIVENDO CRISTO

PARA VIVER EM PAZ

VIVENDO EM PAZ

MEDITAÇÃO ANDANDO

CAMINHOS PARA A PAZ INTERIOR

SOL MEU CORAÇÃO, O

CORAÇÃO DA COMPREENSAO, O

JESUS E BUDA, IRMÃOS
Amor sem Limites


... compromisso incondicional, conosco e com os outros, é o que significa amor sem limites. O amor do mestre pelo discípulo se manifesta como compaixão. O amor do discípulo pelo mestre é devoção. Esse calor mútuo, essa ligação de corações permite que haja um encontro de mestres. É esta espécie de amor que doma os seres indomáveis e ajuda os bodisattvas a irem além dos locais que já conhecem.

Pema Chödrön [ Os Lugares que nos Assustam, Sextante]

10 julho, 2003

O amor torna tudo brilhante, agradavel e vantajoso. O amor eh o vaso que contem alegria!

Madre Teresa

06 julho, 2003

Pequenas Tarefas?

Meu principal dever eh cumprir pequenas tarefas como se fossem grandes e nobres.

Helen Keller
Então por que meditar?
Porque aumenta sua sensibilidade à sua própria
raiva, medo, tristeza etc.. Na meditação, você aprende
a estar ciente. Ao passo que isso ocorre, você se
torna ciente de suas próprias emoções e sentimentos
juntamente com tudo mais na sua experiência, no
momento em que acontecem.
E provavelmente você irá descobrir que está em
alguma espécie de desconforto a maior parte do tempo,
e que a maior parte de seu desconforto vem de dentro.
Ao passo que você se torna mais ciente, você percebe
que cada coisa negativa que você cria pra si mesmo é
um processo. Começa ao ouvir alguém dizer algo que
você não gosta. Você tem uma resposta emocional. Seu
corpo se torna tenso. Seus pensamentos disparam à
busca de uma resposta. É todo um processo, não apenas
um evento.
Quanto mais ciente você estiver, menos tempo você
vai levar para perceber que isto está acontecendo. Se
você perceber rápido o bastante, você pode
redirecionar as coisas.

cérebro x iluminação: enviado por Emerson

Texto original em inglês:

So why meditate?

Because it increases your sensitivity to your own
anger, fear, sadness etc.. In meditation, you learn
to be aware. As that happens, you become aware of
your own emotions and feelings along with everything
else in your experience, right as they happen.

And you will probably find that you're in some sort of
discomfort most of the time, and that most of it comes
from within.

As you get more aware, you see that each negative
thing you create for yourself is a process. It starts
off with hearing somebody say something you don't
like. You have an emotional response. Your body gets
tense. Your thoughts sprint into looking for a
response. It's a whole process, not just one event.

The more aware you are, the sooner you notice that
it's happening. If you notice it quick enough, you
can re-route things.

25 junho, 2003

Efeitos Pós Retiro

É impressionante como um retiro mais longo faz efeito.
Para falar a verdade ainda não havia sentido os efeitos da prática aplicada no cotidiano.
Agora é muito mais leve fazer as coisas do dia a dia: acordar cedo, limpar a casa, comer...
Apesar de meu ciclo ser noturno. Minha atividade cerebral ser mais intensa à noite.
Se acordo cedo fico como sono o dia todo. Agora um dia parece pouco para fazer o que tem que
para fazer, fazendo sem estresse, sem ansiedade, sem pressa.
Imagine um retiro de 7 dias, um mês, 3 meses?
Vamos aos poucos, sem pressa.
E vou aproveitar em quanto durar.


Só encontrará a sua vida aquele que a perdeu.

Provérbio Zen

23 junho, 2003

Mint Car

The sun is up
i'm so happy I could scream
and there's nowhere else in the world I'd rather be
than here with you
it's perfect
it's all I ever wanted
Almost can't believe that it's for real
i really don't think it gets any better than this
vanilla smile
and a gorgeous strawberry kiss!
birds sing we swing
clouds shift by and everything is like a dream
It's everything I wished
never guessed it got this good
wondered if it ever would
really didn't think it could
do it again?
i know we should
The sun is up
i'm so fizzy I could burst
you wet through and me headfirst
into this it's perfect
It's all I ever wanted
ow! it feels so big it almost hurts
never guessed it got this good
wondered if it ever would
really didn't think it could
do it some more?
i know we should
it will always be like this
forever and ever
never guessed it got this good
Wondered if it ever would
Really didn't think it could
do it all the time?
i know that we should

19 junho, 2003

As Três Peneiras

Há muitos séculos atrás, num mosteiro budista, após a cerimônia noturna, o Monge
Abade se retira
para o seu merecido descanso e enquanto tomava calmamente o seu chá, à luz de apenas
uma lamparina
de óleo. Fazendo entreabrir a porta de correr, feita apenas de madeira e papel de
arroz, entra um
dos monges instrutores do templo, reverenciando profundamente o mestre.

Indagado pelo Abade sobre o motivo de sua visita a essas altas horas da noite, o
monge lhe diz que o
motivo de sua visita é contar ao mestre sobre alguns comentários que estão correndo
no templo sobre
um outro mestre instrutor.

O Venerável Abade, então, lhe diz em sua profunda sabedoria:

- Calma! Antes de me contares algo que ouviste sobre outra pessoa, gostaria de lhe
perguntar: Já
fizeste passar essa informação pelas Três Peneiras da Sabedoria?

- Peneiras da Sabedoria, Venerável Mestre? Espanta-se o monge.

- Sim, as Três Peneiras da Sabedoria. Tudo o que ouvires falar sobre os outros, deve
passar pelas
Três Peneiras da Sabedoria, antes de ser retido, acreditado e repassado. Ouça com
atenção e me
responda: Tens absoluta certeza de que o que te contaram é realmente verdade?

- Não, não tenho certeza Venerável Mestre. Apenas sei o que me contaram. – Disse
meio sem jeito o
monge.

- Então, se não tens certeza, a informação já vazou pelos furos da primeira peneira
que é a da
profunda investigação da Verdade. Agora ela repousa sobre a segunda peneira, e por
isso eu lhe
pergunto: - O que tens a me dizer é algo que gostaria que dissessem sobre ti?

- De maneira alguma, Mestre! É claro que não! Diz o monge.

- Então tua estória acaba de passar pelos furos da segunda peneira que é a da
compaixão, pois nunca
deverias dizer ou fazer a alguém aquilo que não quisesses que fizessem ou dissessem
de ti. Agora,
tua estória repousa sobre a terceira e última peneira, e por isso lhe faço a última
pergunta: -
Achas que me contando essa estória sobre o seu irmão e companheiro de mosteiro, ela
será útil a ele
de alguma maneira?

- Não, Mestre, - respondeu já ruborizado o monge -. Refletindo profundamente, sob a
Luz da
Sabedoria, vejo que nada de útil poderia surgir dessas estórias e boatos.

- Então, essa estória acaba de vazar pela terceira peneira, para dissolver-se na
terra. Nada restou
para contar. E assim, lembra-te sempre que devemos ser como as abelhas que mesmo no
mais imundo dos
pântanos, buscam sempre as flores para delas retirar o doce néctar e nunca como as
moscas que mesmo
em um corpo sadio, buscam as feridas para delas se alimentar.


(Tradição Budista)

16 junho, 2003

We're sorry if you reached this page in error ...Soon we'll allow you to over-ride the automatic re-direction.

O Blogger muda de dono e fico sem acetos!

Vamos aguardar...

12 junho, 2003

Desejo é apenas desejo

Todos os anseios nascem da busca da mente por salvação ou satisfação nas coisas externas e no futuro,
Como substitutos da alegria do Ser. Se somos nossas mentes, somos aqueles anseios, aquelas necessidades, desejos, apegos e aversões. Fora deles não existe o eu, exceto como mera possibilidade, um potencial não preenchido, uma semente que ainda não germinou.
Nessa condição, até mesmo o desejo de nos tornarmos livres ou iluminados não passa de mais um desejo a ser realizado ou concluído no futuro.
Portanto não busque se libertar do desejo ou “adquirir”a iluminação. Torne-se presente. Esteja lá, como um observador da mente.
Em lugar de citar Buda, seja Buda, seja “O Iluminado”, que é o que a palavra Buda significa.

Eckhart Tolle [ O Poder do Agora: Um Guia para a Iluminação Espiritual, Sextante,p.34-5]

09 junho, 2003

Compromisso

Na porta do meu armário havia há tempos uma frase do Dostoievisky retirada de Irmãos
Karamazoviski: " Quero viver para a eternidade. Não admito compromissos."
Apenas uma pessoa disse: “Isso é horrível!”, em anos. Tirei o papel e rasgai.
Não é mais assim.
Já somos eternos.

É preciso ter compromisso com algo ou com alguém.
Seja uma plantinha, um peixinho no aquário.
Uma pessoa, marido, esposa, filhos, amigos...

Não se pode casar e continuar vivendo como se fossemos solteiros.
Isso não é um sinal de maturidade.

A prática tb. irá testar nossa maturidade.

05 junho, 2003


Testando no mundo real

Algumas pessoas tem achado estranho não me verem mais na prática formal como era antes.
Lhes parece
Que deixei de praticar, mas na verdade dei um passo além da prática formal.
Estou testando no mundo real
Aquilo que muitos guardam apenas na teoria.
Não há porque lamentar e sim tudo para se alegrar.
Precisamos aprender a ver e reconhecer quando alguém
vai experimentar na prática os ensinamentos.
Isso é muito bom. Essa é a verdadeira prática.
O caminho, intuitivamente, todos nós o sabemos.
A verdade está em tudo o que existe, a sabedoria é inerente. Então,
só resta ir viver aquilo que já sabemos.

30 maio, 2003

Experimentando nossa indelicadeza

O que significa experimentar minha própria indelicadeza?
Primeiro, uma observação
impessoal e sem julgamentos de meus pensamentos indelicados é necessária –
sem nenhuma análise, apenas atenção pura.
Segundo, devo experimentar diretamente a tensão corporal que é o espelho
exato de meu pensamento separador, meu medo.
Neste experimentar, neste samadhi de não-pensamento,
eu sou os outros e a gentileza é a minha verdadeira natureza.
Mais e mais eu vejo meus próprios pensamentos indelicados
como o sonho que são (e vejo também que meus ideais
são os filhos deste sonho).
Nesta prática ou zazen, nossa experiência do que nossa vida é devagar clareia,
e mais e mais sua expressão natural é a gentileza e a compaixão.
Fácil? Nem um pouco. Achamos difícil de fato nos afastar de nosso falso
desejo por um ideal (sempre envolvendo julgamento sobre nós e os outros)
e praticar com a experiência direta de nossa vida neste exato momento.
Mas em nome de nossos votos de fidelidade a toda a vida, apenas fazemos,
pacientemente e com determinação.

Charlote Joko Back
Tradução para o português de
Emerson Zamprogno

25 maio, 2003

We are like one who in the midst of water cries out desperately in thirst.
We are like the son of a rich man who wandered away among the poor.

Realizing the form of no-form as form, whether going

or returning we cannot be any place else. Realizing the thought of no-thought as thought, whether singing or dancing, we are the voice of the Dharma.

How vast and wide the unobstructed sky of samádhi! How bright and clear the perfect moonlight of the Fourfold Wisdom! At this moment what more need we seek? As the eternal tranquility of Truth reveals itself to us, this very place is the land of Lotuses and this very body is the body of the Buddha.

Somos como quem, no meio da água, grita desesperadamente de sede. Somos como o filho do rico que se meteu entre os pobres. Ao percebermos a forma da nao-forma como forma, tanto indo quanto vindo, não poderemos estar em nenhum outro lugar. Percebendo o pensamento do não-pensamento como pensamento, tanto cantando quanto dançando, somos a voz do Dharma. Como é vasto e aberto o céu desbloqueado do samadhi! Como e' luminoso e claro o luar perfeito da Sabedoria Quadrupla! Neste momento qual é outra necessidade que buscamos? Conforme a tranqüilidade eterna da Verdade se nos revela, este exato lugar é a terra dos Lotus e este exato corpo é o corpo de Buda.

Tradução [ Emerson Zamprogno]

24 maio, 2003

THE CIRCLE HAS NO ENDS


The circle has no ends.
It doesn't end.
It is whole, complete.
The circle differs from so many things as we usually see them.
When we understand everything as being linear, the endlessness of the circle disappears from our conscious mind. Life becomes something that starts and stops, and we start concentrate on worrying about a long life, a happy life. We think so much about it that we forget to relax and observe the beauty of our surroundings. We fail to understand what will really bring the happiness to our lives. And we get narrow minded.
But nothing is lost; we are still able to see the cycle, and to even understand it.
When we do so we realize the endless love and peace that life brings us. We can see the continuing circle of life, and all worries and distress vanish like dew in the early sun.
And the most exciting is that it only takes one little step to experience all of this.
Do not try to bend the spoon itself; instead, only realize: there is no spoon.
Become conscious that you are alive and start appreciating it.

Jeppe



Como fazer seu coração crescer

Se você pôe uma quantidade de sujeira em um recipiente pequeno de água, então aquela água tem que ser jogada fora, as pessoas não a podem beber. Mas se você lança aquela quantidade de sujeira em um rio enorme, as pessoas na cidade continuam bebendo do rio, porque o rio é tão imenso. Elas não tem que sofrer por causa daquela quantia de sujeira. Durante a noite aquela sujeira será transformada pela água, pela lama no coração do rio. Assim se seu coração é grande como o rio, você pode receber qualquer quantia de injustiça e ainda pode viver com felicidade, e pode transformar as injustiças infligidas a você durante a noite. Se você ainda sofre, significa que seu coração ainda não é bastante grande. Este é o ensinamento da paciência no Budismo. Você não tenta agüentar, você não reprime seu sofrimento. Você apenas pratica para que seu coração se expanda tão amplamente quanto um rio. Então não tem que agüentar, você não tem que sofrer.

Há modos de fazer seu coração crescer. Esta é a prática de olhar profundamente para que vocês entendam. No momento em que vocês entendem, sua compaixão surge. E esta compaixão lhes permitirão ir em frente, lhes permitem não sofrer, não olhar outras pessoas com olhos de irritação e ódio. Esta é a real prática da paciência - você não tem que sofrer. Paciência no contexto do ensino budista é não tentar engolir a injustiça, ou suprimir a injustiça, mas abraçá-la completamente com seu grande coração. Assim todas as manhãs vocês tem que ir aos seus corações, tocá-los, e perguntar-lhes, "Meu coração, meu querido, você durante a noite tornou-se um pouco maior?" Nós temos que visitar nosso coração diariamente para ver se nosso coração ainda continua crescendo ilimitadamente, tornando-se grande. "Tornar-se grande" é o termo usado por Buddha enquanto ele estava ensinando sobre as quatro mentes imensuráveis. Seu coração de compaixão fica maior. Torna-se grande todo o tempo, seu coração de generosidade amorosa, seu coração de alegria, seu coração de equanimidade. [...] "o ponto mais alto, o limite ". É um extremo, este é o limite. Mas como nossa compaixão, nossa generosidade amorosa, nossa alegria, nossa equanimidade conhece nenhum limite? - eis por que estas quatro mentes são chamadas "mentes imensuráveis", porque elas sempre crescem e crescem, sem parar. Elas crescem como um rio, e então elas crescem como um oceano, e continuam. Quanto mais seu coração fica maior, mais facilmente você pode agüentar, ou aceitar, injustiças sem sofrer.

Thich Nhat Hanh [Transcendendo A Injustiça: A História de Quan Am Thi Kinh]




20 maio, 2003

Prática Verdadeira

“É com alegria e satisfação que leio sobre seus esforços e confusão. E não é por eu ter prazer
com seu sofrimento, mas porque eu sinto que agora vc. verdadeiramente começou a praticar.
E me entusiama saber que vc. está caminhando em direção à liberdade, começando a investigar
o viver o dia a dia, neste mundo, na realidade , com outras pessoas, com suas emoções, conceitos
e medos.
Em minha própria experiência houve um tempo, no início da minha prática, onde eu estava motivada para ler e pensar sobre tudo isso até começar a viver a teoria na prática, quando a vida começou
a parecer mais difícil que antes de eu ter encontrado o Dharma, onde nada parecia fazer mais muito sentido e eu me senti perdida, ferida e inexperiente. Mas se vc. continuar a praticar e confiar em si mesma, no ensinamento e na sua professora então vc. sairá desse momento difícil mais forte depois.”



Eu gostaria de compartilhar com vcs. algo que me inspira e pode ser útil:

“No passado, vc. plantou uma semente que agora resultou em seu encontro com o Budismo.
Não apenas isto- alguns pessoas vem para praticar meditação, e apenas uma, dentre todas permanece e
continua a praticar seriamente.
Quando vc. pratica o Zen seriamente, vc. está dissolvendo o carma que prende vc. à ignorância.
Em japonês a palavra “serio” significa “aquecer o coração”
Se vc. aquece seu coração, esse carma, que é como um bloco de gelo se derrete e se torna líquido.
E se vc. continua a aquece-lo, ele se torna vapor e some no espaço. Aquelas pessoas que praticam
irão dissolver seus sofrimentos e apegos. Por quê elas praticam? Porque é seu carma praticar.

Seung Sahn

18 maio, 2003

Prática Moderna

Estávamos praticando e lá pelas tantas toca o celular.
Minha colega de prática, sem cerimonia, pega o celular e
atende. Segue falando e eu sigo meditando.
Depois que ela desliga faço gasshô e digo: "Ah, Mestra Heila..."
Começamos a rir...
Coisas do mundo moderno.

Hoje fizemos um mini retiro manhã à tarde.
Estava precisando de mais prática. Antes eu tinha tempo para praticar
e praticava mais intensamente. Agora quase não tenho tempo para prática formal,
então estou pondo em pratica a prática no dia a dia.
Tenho grande oportunidade de praticar onde estou.
Me assustou um pouco no início, mas já estou me adaptando.

Na sexta fomos à palestra com Lama Chagdud Khadro
de Três Coroas.
A Lama Khadro retorna à ilha depois de três anos.
Lembro que ela foi meu primeiro contato com o mundo budista real.
Não havia nenhum grupo praticando zen aqui e sem opção fui ver como era.
Fiz iniciação em Tara Vermelha com a Lama e depois sigui apenas fazendo as
prostrações e continuei com a meditação no estilo zen.
Depois simplifiquei as prostrações, até descobrir como elas eram feitas no zen.

Ela falou sobre como preparar a consciência para o momento antes e depois da morte.
Que antes da morte de seu mestre e consorte C.T. Rimpoche ele viajou por
vários países dando ensinamentos sobre a morte, mas tudo que ela ensinou era baseado nos
livros, até então ela nunca havia tido nenhuma experiência concreta com ninguém próximo.
Então a primeira perda, justo de um grande mestre, foi muito inesperada.
Falou de mais algumas coisas como: que não se deve mexer no morto por um determinado
tempo após a morte, até que a consciência saia do corpo.
Entre outros rituais próprios da tradição tibetana.

14 maio, 2003

A Arte do Improviso



“Sei o que estou fazendo aqui: estou improvisando. Mas que mal tem isso?”

No improviso somos como crianças aprendendo a andar: engatinhamos, levantamos,
caímos, ficamos com medo de tentar de novo, mas a curiosidade supera o medo damos
mais um passo. Depois que conquistamos o mundo na vertical não estamos livres de quedas,
de tropeços, de obstáculos. Tudo está no caminho para ensinar.
Só não podemos esquecer de continuar a improvisar. Improvisar é a
arte de não levar a vida demasiado a serio, de usar de bom senso,
de bom humor, de serenidade.

“[...]E depois saberei como pintar e escrever.

O que eu te falo nunca é o que eu te falo e sim outra coisa.
Ouve o silêncio.


Clarice Lispector [Água Viva]

11 maio, 2003

When life leaves you hanging...
Quando a vida te deixar pendurado...

DON'T QUIT

NÃO DESISTA

Anything can happen.
Tudo pode acontecer

Bend, don't break.
Dobre-se, não se quebre.

Challenge your potential.
Desafie o teu pontencial.

Destiny is a choice.
O destino é uma escolha.

Effort creates opportunities.
O esforço cria oportunidades.

Follow your intuition.
Siga sua intuição.

Get back up and try again.
Volte atrás e tente de novo.

Hold on to your vision.
Mantenha seus planos.

Impress yourself.
Impressione-se.

Just dig a little deeper.
Cave um pouquinho mais fundo.

Keep knocking on doors.
Continue a bater nas portas.

Learn from mistakes.
Aprenda com os erros.

Motivate with compassion.
Motive-se com compaixão.

Nothing worthwhile comes easy.
Nada que valha a pena vem fácil.

Own a positive attitude.
Tenha uma atitude positiva.

Problems hold messages.
Os problemas trazem mensagens.

Question what's not working.
Pergunte o que não funciona.

Regroup when you need to.
Reagrupe quando precisar.

Stand up for your principles.
Finque o pé pelos seus princípios.

Think outside the box.
Pense fora da caixa.

Unite perseverance with resolve.
Una perserverança com resolução.

Value knowing when to walk away.
Saiba quando é preciso se afastar

Work smarter, not just harder.
Trabalhe mais eficientemente, não apenas mais.

Xhaust all possibilities.
Esgote as possibilidades.

You can, if you think you can.
Você consegue se achar que consegue.

Zzzz's, take naps as needed.
Zzzzz's, tire tantas sonecas qto. precisar.

Tradução de Emerson Zamprogno

Onde ir?

We don’t have to go anywhere, it’s all here all the
time.
Nós não temos que ir a lugar algum, tudo está aqui o
tempo todo.

Rodney Downey Abbot [ in Shuza Newslatter. Summer’ 03,p.2]




Felicidade é passar o dia caminhando na praia, em Santo Antônio de Lisboa, sentar sobre as árvores, comer e conversar com amigos não budistas. Amigos que não ficam observando se vc. está seguindo os preceitos, se vc. está praticando conforme a cartilha do Buda. Simplesmente te deixam ser sem saber. Isto é praticar sem fazer nada. É praticar sem praticar, uma dádiva que os budistas acabam esquecendo, devido ao apego, eles
esquecem de simplesmente ser sem ser nada.
Em meio a budistas acabamos perdendo a naturalidade de ser sem ser nada.
Por isso decidi mudar de foco e olhar para outros lados, voltar a me misturar no meio da multidão.
A diversidade, não o budismo, sempre me ensinou tudo que sei: ser paciente, tolerante, honesta, sincera..
Já cheguei no budismo com boa parte da lição adiantada, mas como tudo que aprendemos e não temos oportunidade de exercitar, se perde e ou se esquece. Esqueci. Um dia vem a tempestade e já não sabemos mais o se gostávamos de sair na chuva ou se corríamos dela.
Sempre fomos felizes, apenas esquecemos... estou me empenhando em lembrar de não me esquecer sem fazer disso uma doença.

08 maio, 2003

I shall tell you a great secret, my friend.
Do not wait for the last judgement, it takes place every day.


Eu preciso te contar um grande segredo, meu amigo.
Não espere pelo próximo julgamento, ele acontece todo dia.

[Albert Camus]

07 maio, 2003

Festival do Vesak 2003

O Vesak é o momento em que a comunidade budista se reune para comemorar
o nascimento, a iluminção e a morte do Buda Shakyamuni.

Este ano, na sua segunda edição, o Vesak será no SESC Pompéia em SP, dias 9 e 10 de maio. A programação já está disponível.

04 maio, 2003

Eson e Eloíza me deram uma flor de lotus feita com conchinhas.
Sonhei que estava em um jardim cheio de flores de lotus em laguinhos.
Coloquei a flor de conchinhas no oratório.
Praticamento tudo que está no oratório é o que as pessoas
trazem ou me dão de presente.

03 maio, 2003

Removendo Camadas

Lembro de uma história que li no livro do Jack Kornfield.
Depois do Êxtase: Lavar a Roupa,

em que ele conta a história de uma princesa que foi prometida a um príncipe em casamento quando ambos eram bebês. O príncipe cresceu e por obra de um encantamento foi transformado em um dragão. Como promessa é divida, os pais fizeram o casamento se realizar, mas a princesa estava infeliz por ter que aceitar a imposição dos pais: casar-se com um dragão cheio de escamas e horripilante. Então uma fada veio até ela e ensinou-lhe como se comportar com seu marido depois do casamento, na noite de núpcias.

Ela aconselhou à princesa a vestir varias camadas de roupa sob o vestido de noiva e quando chegasse a hora H, ela diria para o príncipe que só seria sua esposa naquela noite se ele concordasse com uma coisa.

Então o casamento se realizou e quando os dois princesa e dragão já estavam no quarto, a princesa disse-lhe: Agora vc. deve fazer tudo que eu disser exatamente como eu fizer e depois quando tivermos acabado eu serei sua esposa.

O dragão concordou e ela disse: Agora, a cada camada de roupa que eu tirar vc. deve tirar uma camada sua também.
A princesa tirou uma camada de suas roupas e o dragão, mesmo sentindo muita dor, tirou as escamas de sua pele.
Mais uma camada de roupas da princesa e o dragão, retirou a pele, e depois mais uma camada de pele e assim, por mais que isso lhe custasse e lhe doesse profundamente, ele retirou todas as camadas, até que por fim sob a última camada estava o príncipe, então livre do encantamento, ambos puderam realizar suas núpcias.

Então por mais doloroso que seja, lá no fundo está a nossa verdadeira natureza e creio ser esse nosso esforço: remover as camadas da nossa mente. Isso pode levar uma vida, ou muitas outras, e não começa com a nossa morte física, mas com a morte do nosso ego doente ( o encantamento), que libertará assim o ego saudável ( o príncipe) para que possamos ser felizes nesse exato momento ( para sempre).
Isso pode parecer um conto de fadas, mas se começamos a trabalhar ( praticar) agora o tornaremos cada vez mais possível.


01 maio, 2003

Eson, visitante do Mosteiro está aqui em casa.

Ele trouxe um livro: Nada Especial: Vivendo Zen. Charllote Joko Beck, que já comecei a ler.

“Leva muito tempo até conseguirmos enxergar nosso sistema de defesa e manipulação da vida em nossas atividades diárias. A prática ajuda-nos a enxergar tais manobras com mais clareza e essas constatações sempre são desagradáveis. Ainda assim, é fundamental que vejamos o que estamos fazendo. Quanto mais tempo praticarmos, mais prontamente poderemos reconhecer nossos padrões de defesa. O processo nunca é fácil
ou indolor, porém, e aqueles que estão esperando encontrar um lugar fácil e rápido para descasar não deverão embarcar nessa viagem.” p.16



30 abril, 2003

Vc. sobre a água, a água sobre vc.


Você sobre a água
Água sobre você
Para que serve a água se você não a vê.

Dentro fora,
Invisível aos olhos
Simplesmente água,
Sem ela,
Ossos no deserto.

Melhor não desperdiçar!

28 abril, 2003

An extraordinary joy cannot keep this feeling separete.

One need above all, courage,
truth, and the power to endure.

But it may be fine- I expect it will be fine.

Indescritible air of expectation.

Virginia Woolf [To the Lighthouse]

27 abril, 2003

A lógica não poupa nem os peixinhos no rio

Disse Chuang:

"Veja como os peixes pulam e correm tão livremente:
isto é a sua felicidade".

Respondeu Hui:

"Desde que você não é um peixe,como sabe o que torna
os peixes felizes?"

Chuang respondeu:

"Desde que você não é eu,como é possível que saiba
que eu não sei o que torna os peixes felizes?"
Hui argumentou:

"Se eu, não sendo você,não posso saber o que você sabe,
daí se conclui que você,não sendo peixe,
não pode saber o que eles sabem".

Disse Chuang:

"Um momento:
Vamos retornar à pergunta primitiva.
O que você me perguntou foi:

"Como você sabe o que torna os peixes felizes?’
Dos termos da pergunta você sabe evidentemente que eu sei
o que torna os peixes felizes."

"Conheço as alegrias dos peixes no rio
através de minha própria alegria,
à medida que vou caminhando
à beira do mesmo rio".



Chuang Tzu e Hui Tzu [Atravessavam o rio Hao
pelo açude, enviado por Francisco Vitar]


Um peixinho puxa o outro...

Atirei um limão n'água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.

Atirei um limão n'água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.

Atirei um limão n'água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.

Atirei um limão n'água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.

Atirei um limão n'água
mas perdi a direção
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!

Atirei um limão n'água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.

Atirei um limão n'água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
é dor de quem muito amou.

Atirei um limão n'água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.

Atirei um limão n'água
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.

Atirei um limão n'água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.

Atirei um limão n'água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.

Atirei um limão n'água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.

Atirei um limão n'água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh'alma dolorida.

Atirei um limão n'água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.

Atirei um limão n'água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.

Atirei um limão n'água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?

Atirei um limão n'água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado para trás.

Atirei um limão n'água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
Você não ama: tortura.

Atirei um limão n'água
e caí n'água também
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.

Atirei um limão n'água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.


Carlos Drummond de Andrade [Lira do amor romântico ou a eterna repetição]