06 dezembro, 2002

Procura-se Mestres

Nos perguntam com freqüência se para praticar no zen-budismo é preciso ter Mestre, onde e como encontrá-lo. Como se mestre se comprasse no supermercado.

Pessoas passam anos apegados a essa idéia tola-procurar seu mestre- e se esquecem do mais importante: a prática.
Se vc. chegar até um mestre, identificá-lo como tal e isso for recíproco, há conexão. Mas de que servirá tê-lo encontrado se nunca praticou?
Ir ao mestre de mãos vazias é correr o risco de ouvir uma sonora risada um “volte no próximo ano”, no próximo e no próximo.

A busca de um mestre não deve ser mitificada como freqüentemente se vê nos livros e nas discussões, como se o mestre fosse algum Deus inacessível.
Colocar o mestre a frente da prática é como colocar a carroça na frente dos bois.

O mestre vem com a maturidade da prática. Se vc. não vai atrás dele, ele vem atrás de vc. Não importa onde ele ou vc. estejam, quão distante estejam.
Quando estamos prontos, não há como fugir desse encontro. Mas até lá é importante observar todas as opções que estiverem ao nosso alcance cuidadosamente. É tb. tão importante quanto, nos observarmos. Nos perguntarmos constantemente: pq. tal pessoa me atrai mais, me entusiasma mais? Há algo nela que falta em mim? Que relação eu estou buscando nessa pessoa?

Muitos confundem o mestre com pai, mãe, ou terapeuta e transferem para ele suas carências. Ser pai, mãe e terapeuta não é o trabalho do mestre. O trabalho dele é guia-lo no Caminho. Se o mestre ou o aluno tiverem tal comportamento ou ele ou vc. ou ambos estão tendo uma visão incorreta.

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