08 dezembro, 2002

Hoje comemora-se o dia em que o Buda Sakyamuni teria conseguido
realizar o Perfeito Estado da Iluminação.
Os budistas japoneses chamam de Jodo-E o comemoram no após sete dias de retiro chamado
Rohatsu.

"Sentado sob a árvore Bodhi, a árvore da iluminação, passou por todos os estágios de meditação e atingiu a iluminação, compreendendo a natureza real do sofrimento. Desse momento em diante passou a ser conhecido como o Buda, "o desperto"."


O caminho do despertar

Depois de se banhar no rio Nairanjana, Siddhartha foi para uma região conhecida como Círculo da Iluminação (sânsc. Bodh Gaya) em Bihar, onde os iluminados do passado atingiram o despertar. Próximo ao rio, voltado para a direção leste, Siddhartha sentou-se em meditação sobre um monte de grama kusha, protegido pela sombra da figueira de bodhi. Ele jurou para si mesmo que só se levantaria após atingir a iluminação.


Raios de luz emanaram de seu corpo e de sua cabeça, atraindo a atenção de Mara, o demônio do ego. Mara ordenou que suas belíssimas filhas — a cobiça, a raiva e a ignorância — tentassem seduzir Siddhartha, mas elas não conseguiram distrair sua concentração. Então, Mara enviou outros demônios para assustá-lo, mas eles fugiram de medo!

Por último, Mara jogou flechas, pedras e bolas de fogo, que se transformaram em pétalas e faíscas. Mara, cheio de ódio, retirou-se; Siddhartha continuou a meditar. Primeiro, Siddhartha lembrou-se de suas incontáveis vidas passadas; depois, ele viu o processo de renascimento de todos os seres; finalmente, ele alcançou a verdade última de todos os fenômenos.



Criando mil mãos segurando armas, Mara, sentado no feroz elefante Girimekhala, aproximou-se com seu exército. Pela virtude da generosidade e outras mais, o grande sábio [Siddhartha] os conquistou. [...]

Mais violento que Mara, numa luta que durou toda a noite, foi o Yakkha Alavaka, arrogante e obstinado. pela grande virtude da paciência e do auto-controle, o grande sábio o conquistou. [...]

O elefante real Nalagiri, completamente louco, investiu sobre ele, cruel, como um fogo na floresta ou como um raio. Aspergindo as águas da amizade amorosa, o grande sábio o conquistou.

(Buddha Jayamangala Gatha, citado no Livro das Devoções)


Na primeira guarda ou vigília ele examinou, com seu poder de concentração, a sucessão de nascimentos e mortes durante suas incontáveis vidas. Por ver esse processo remontando ao início dos tempos — nascer sob certas circunstâncias, passar pelos dramas da vida, morrer e renascer — chegou a uma profunda compreensão da impermanência e insubstancialidade da existência. [...] No segundo turno de vigília ele contemplou a lei do karma. Ele viu como a força kármica das ações passadas impele e condiciona os seres através dos sucessivos renascimentos. Ver seres sendo levados pela ignorância através do remoinho de destinos díspares, despertou nele a energia de uma profunda compaixão. Na terceira guarda ele contemplou as Quatro Verdades Nobres e a lei da geração dependente. Ele viu como a mente se torna apegada e como, através do apego, há sofri­mento. Ele compreendeu a possibilidade de descondicionar esse apego e de atingir um ponto de liberdade.

(Citado por Joseph Goldstein em Buscando a Essência da Sabedoria)

No 8º dia do 12º mês lunar de 528 a.C., aos 35 anos de idade, Siddhartha realizou sua própria natureza búddhica (sânsc. buddhata) e, conseqüentemente, compreendeu o sofrimento, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo. Siddhartha alcançou a iluminação (sânsc. bodhi), e passou a ser conhecido como o Iluminado, o Desperto (sânsc. Buddha), o Sábio dos Shakyas (sânsc. Shakyamuni). Seu corpo dourado resplandecia com as trinta e duas marcas maiores e as oitenta marcas menores de um ser completamente iluminado.

Em miríades de nascimentos vaguei na existência cíclica, antes de descobrir o verdadeiro conhecimento.

À procura do construtor desta casa, cada novo nascimento trazendo mais sofrimento.

Agora conheço você, construtor desta casa! Você não mais me aprisionará.

Demoli o seu topo e destruí sua estrutura até o chão.

A consciência entrou naquele estado incondicionado, o final definitivo da sede do desejo.

(Pathama Buddhabhasita Gatha, citado no Livro das Devoções)


Conta-se que, logo após sua iluminação, o Buddha passou por um homem num caminho que estava perplexo pelo extraordinário esplendor e calma de sua presença. O homem parou e perguntou:

"Meu amigo, quem é você? Você é um ser celestial ou um deus?"
"Não", disse o Buddha.
"Bem, então, será que você é algum tipo de mágico ou mago?"
Novamente o Buddha respondeu, "Não".
"Você é um homem?"
"Não."
"Bem, meu amigo, então quem você é?"
O Buddha respondeu, "Eu sou um desperto".

(Jack Kornfield, Buscando a Essência da Sabedoria)

Buddha


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