13 novembro, 2002

Uma coisinha à toa

Vamos imaginar dois amigos. Dois jovens estudantes.
Algumas vezes eles se reúnem em grupo para estudar na biblioteca, outras vezes na casa de um deles.
Você sabe, eles se encontram para estudar, mas tb. tem muita bagunça e dispersão.
No meio da bagunça, as coisas de ambos se misturam.
No final, João junta suas coisas e vai embora. No meio do caminho ou no ônibus, ele lembra que precisa anotar alguma coisa na agenda, ou em um papel. Ele procura uma caneta, entre suas coisas e o que ele encontra? A caneta predileta de Paulo. O que João faz?
Há algumas saídas nessa situação:

-Se João pensar: Ih, essa é a caneta do Paulo”, tendo celular, ele liga no ato para Paulo e informa que caneta dele veio por engano e volta para devolver ou a devolverá no dia seguinte.

-Supondo que ele não saiba de quem é a caneta ou tenha dúvida, João pode:

Se perguntar de quem é a caneta, supor que seja de Paulo e perguntar para ele ou para alguém mais.
Se perguntar de quem e a caneta, não saber de quem é, e ficar com ela. Se alguém der falta ele devolve.
Ou ficar com ela se alguém der ou não falta, ficar na dele.


-Na primeira situação, o carma (a caneta) veio com ele, sem que ele soubesse, como alienígena, escondido na sua bolsa. Ele vê seu carma, o identifica como o que não é certo, e o desfaz no ato. Até ai nenhuma conseqüência.

-No segundo caso, ele reconhece o carma ou não, o pega na mão, fica com ele ou não. Enquanto a caneta estiver com ele há chance de o carma se estabelecer.

- Se ele deliberadamente não devolver e ficar com ela, então fez-se o carma, mas ainda pode ser desfeito a qualquer momento, desde que João, volte atrás e dê um jeito de devolver a caneta. Mas se João, perder a caneta e não houver outra igualzinha que ele possa comprar, não tem como consertar, a não ser que ele confesse o que fez e assume as conseqüências o que já se constitui em reação a má ação.

- Se João não devolver a caneta, ficar com ela deliberadamente. Mesmo quando Paulo perguntar sobre a caneta, se ele disser que nada sabe sobre ela, então o carma se instala e vai seguir seu ciclo até o fim.
O que pode acontecer? Joãp pode perder algo que ele goste muito logo depois. Pode ser assaltado, alguém da família, ou alguém que ele tenha forte ligação tb pode vir a ser afetado pelo ato do João. Por fim, coisas muito ruins podem acontecer e tudo começou com uma ingênua caneta. Preste atenção!


Essa historinha me veio à mente ontem. Fui usar um computador em uma biblioteca e lá estava a caneta-carma-silada me esperando. Era uma caneta bem bonita, pareceu-me daquelas bem caras, tipo Mont Blanc, mas não chega a ser tanto. Peguei-a na mão, experimentei-a, mas logo lembrei-me da historinha acima e tratei de me livrar dela. Passei-a para a moça da biblioteca. O que ela vai fazer com a caneta é problema dela.

Nunca se sabe a que conseqüências uma simples caneta ou uma coisinha que achamos que é à toa, mas que subtraída do seu legitimo dono pode vir a ter. Como isso nós vai ser cobrado depois? Provavelmente em dobro. O que roubamos nos será roubado. É a lei da ação e reação. Uma coisinha à toa pode tornar-se uma bola de neve com desfechos inacreditáveis.

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