30 novembro, 2002

"Qualquer lugar que vc. esteja é o seu templo, se vc. o considerar como."

A monja Jókei, discípula da Mestra Zuymyo Joshin (Luce Bachoux,Fr), ambas discípulas de Moriyama Roshi (RS), fez uma visita ao zendo ( ainda sem nome), acompanhada de alguns discípulos de M. Roshi.
Meditamos juntos por 40min., sutra, votos, refúgio.
Monja Jokei falou-nos sobre seu percurso como monja, dificuldades com a prática, mestres, a vida no mosteiro e repondeu perguntas.
Ela falou que na tradição Soto Zen tem-se dois mestres: um mestre de trabalhos (sumo). Os trabalhos consistem em limpeza e organização da rotina do mosteiro, lavar, limpar, cortar lenha, cozinhar, servir, costurar, etc. Tudo muito rudimentar, sem as facilidades modernas. O mosteiro vive como se estivesse na Idade Média: sem luz, sem gás, sem chuveiro elétrico.
Depois tem mestre de ensinamentos (Dharma). Já havia lido uma matéria com a monja Zuitem falando disso. Ela disse que lá no mosteiro (Japão) primeiro se passa por vários setores, aprendendo de tudo, como se fosse uma fábrica de montagem. Depois que se aprende a duras penas a disciplina do mosteiro e consequentemente o corpo e a mente estão tb. disciplinados, então vai-se aprender os cantos, sutras, cerimoniais e por fim o Dharma

Claiton nos falou sobre o grupo que se reúne no recém fundado Zendo do Grande Oceano.

Pela descrição parecia ser um refúgio perfeito para a prática. Perfeito demais. Fomos conferir e retribuir a visita. Levamos presente e ... dia de Zazen...ninguém. Tivemos bom passeio.

Não sou muito fã dessa mania dos japoneses de escolher lugares isolados, inóspitos, inacessíveis.
Pra que se esconder? Se tudo que temos levamos conosco, onde que quer que formos.
Precisamos criar condições para que as pessoas possam praticar onde elas estão vivendo, sem criar obstáculos.
Para quem mora no local ou próximo é ótimo, perfeito!
Se a questão é criar dificuldades, pode-se fazer a prática difícil praticando em casa, na cidade, basta querer.

Se um dia tiver um Zendo, ele vai ser na rua mais barulhenta da cidade. Só pra contrariar.

Ok, um lugar para fazer retiros até pode ser afastado, calmo, mas não necessariamente inacessível.


Fotos são como miragens no deserto, vc. pensa que é tudo isso e quando chega perto...

Essa casinha não é o Zendo é um albergue :)

Cadê o paraíso? Está no aqui e agora!
Um ensinamento diz: "Enquanto eu estava vagando no cíclo da existência,
Você procurou por mim e iluminou a minha ignorância."

In: Dalai Lama [ O Caminho para a Liberdade,40]

28 novembro, 2002

Recados do Acaso

Alguém esteve aqui procurando por Wei Chi. Como eu não sabia o que é Wei Chi fui procurar e wei chei
I Ching

64-WEI CHI

0 estabelecimento da ordem
Li sobre K'an
Fogo sobre Água

A imagem (não tem imagem)

A pessoa sábia procura primeiro colocar-se numa posição de onde possa ver as coisas como realmente são. Assim, pode coloca-las em real e apropriada relação umas com as outras.

0 julgamento

As condições são sempre difíceis, quando a ordem está sendo criada a partir do caos. 0 sucesso pode ser alcançado se a pessoa considerar cuidadosamente quais os procedimentos necessários e se for capaz de convencer os outros a trabalharem unidos pela causa comum. Seria insensato quem, a essa altura, se precipitasse cegamente para frente.

As linhas

6-na primeira

Quando tudo se apresenta caótico, a pessoa sente a necessidade de avançar e dar início à restauração da ordem. Tentar fazer isso prematuramente, entretanto, é atrair o fracasso.

9-na segunda

Embora o tempo ainda não seja propício para a ação, é importante que a pessoa se prepare intimamente para avançar. Deve-se ter bem claro na mente o objetivo, mesmo não podendo tomar providências úteis.

6-na terceira

Quando chegar o momento de agir, devemos nos assegurar de que somos fortes o bastante para agarrar a oportunidade. Com o auxílio dos outros, o sucesso pode ser obtido.

9-na quarta

Agora que o tempo do verdadeiro conflito chegou, é essencial dedicar todas as energias à complementação da tarefa. Não deve haver hesitações. 0 que for obtido agora dará as bases para benefícios futuros.

6-na quinta

0 êxito foi obtido e um líder com força e Caráter assumiu o comando. Auxiliares competentes darão assistência ao desenvolvimento. Real sucesso está sendo observado agora, em vívido contraste com os erros dos métodos anteriores.

9-na sexta

0 sucesso é uma ocasião para regozijo, mas a exuberância não deve exceder limites razoáveis, senão aquilo que foi ganho será desperdiçado pelos erros.

Muito instrutivo. Era exatamente o que eu precisava ouvir nestes últimos dias.
I Ching ao acaso sempre me surpreende.
O que é AMOR?

Há amor e Amor. Você ama sua família, mas não ama seu
vizinho. Você ama seu filho ou filha, mas não ama
todas as crianças. Você ama seu pai e mãe, mas não ama
a todos da mesma maneira. Você ama sua religião, mas
não ama todas as religiões. Você pode até não gostar
de outras fés. Da mesma forma, você tem amor por seu
país, mas não ama todos os países e, talvez, sinta
animosidade em relação a diferentes povos. Portanto,
esse não é o Amor real; é apenas amor limitado. A
transformação desse amor limitado em Amor Divino é o
objetivo da espiritualidade.
Na plenitude do Amor, brota a bela e perfumada flor da
compaixão. Quando as obstruções do ego, o medo e o
sentimento de 'outro' desaparecem, você não pode fazer
nada, a não ser Amar. Você não espera retorno por seu
amor. Você não se importa em receber nada; você
simplesmente flui. Quem quer que venha ao rio do Amor
será banhado nele, seja a pessoa saudável ou doente,
homem ou mulher, rica ou pobre. Qualquer um pode tomar
quantos banhos desejar no rio do Amor. O rio do Amor
não se importa se a pessoa se banha nele ou não. Se
alguém o critica ou insulta, o rio do Amor não
percebe. Ele simplesmente flui. Quando esse Amor
transborda e é expresso em cada palavra ou ato,
chamamo-lo de compaixão. Esse é o objetivo da
religião. Uma pessoa que está repleta de Amor e
compaixão compreendeu os verdadeiros princípios da
religião.

VIVER O AMOR

O amor real é vivido quando não existem condições. Ao
existir condição, existirá força. Mas aonde existe
amor, nada pode ser forçado. Condições existem apenas
onde há divisão. Força é usada onde há dualidade, a
idéia de 'eu' e 'você'. Você usa a força por perceber
o outro como sendo diferente de você. Mas força não
pode ser aplicada quando só existe Um. A própria idéia
de força desaparece neste estado. Então, você somente
é. A Força Universal corre através de você, você se
torna uma passagem aberta. Você deixa a Consciência
Suprema tomar conta de você. Você remove os apegos
criados por você mesmo, deixando que a corrente do
Amor todo-penetrante passe pelo seu curso natural.

COMPAIXÃO

Uma pessoa compadecida não vê os erros dos outros.
Ela não vê as fraquezas das pessoas. Ela não faz
distinção entre as pessoas boas e más. Quando alguém
está repleto de Amor e compaixão, essa pessoa não pode
traçar uma linha entre países, fés e religiões. Ela
não tem ego. Assim, não há medo, cobiça ou paixão. Ela
simplesmente perdoa e esquece. Compaixão é como uma
passagem. Tudo passa por ela. Nada pode ficar ali,
porque onde há Amor genuíno e compaixão, não há apego.
Compaixão é Amor expressado em sua totalidade.


[Mata Amritanandamayi Devi]


26 novembro, 2002

Qual é a minha natureza?

Em nossa natureza reside todo nosso carma.
Por que mergulhar na ilusão se tudo está diante dos nossos olhos?

Estou me afogando.
Vou tentar me salvar mergulhando no koan:

Qual é a minha natureza?

25 novembro, 2002

Incenso de Pétalas Perfumadas

Acordei com o perfuma dessa flor que lembra minha infância.



Camélia Branca - É a flor-símbolo da proteção espiritual
Facilita nossa conexão e eleva nossa vibração espiritual.

Deve ser o perfume. Gasshô Ju!
Uma semana perfumada pra você!

incenso

do Lat. incensu
s. m.,
resina aromática, extraída de uma árvore terebintácea, que se queima, sobretudo, em cerimónias religiosas;


24 novembro, 2002

waga yado wa kuchi de fuite mo deru ka kana

Em minha cabana
É só assobiar
Que vêm os mosquitos!

Issa


23 novembro, 2002

Onde Começa o Caminho?

Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
"Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana.
Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:
"Aqui".

22 novembro, 2002

A prática do zazen traz a paz interior. Além disso, o vosso zazen influência toda a humanidade, todo o cosmos.

Zazen é um jogo, o maior de todos. Só os que o compreenderam continuam a praticar.

Fukanzazengi, os princípios do zazen do mestre Dogen in: O Anel do Caminho
de Taisen Deschimaru


21 novembro, 2002

Meditar sobre o que dizemos

A palavra dita tem um poder muito maior e faz mais estragos que a palavra escrita. A palavra dita carrega em si mais imperfeições, fica mais tempo atuando na mente e mesmo corrigida não deixa de atuar. Pode ficar uma vida toda atuando na mente e causando obstáculos, traumas, males sem fim...
Cuidado! Preste atenção no que vc. vai dizer. Perceba o pensamento se formando e corte o mal pela raiz.
Medite antes de dizer. Veja se é oportuno, necessário, importante, imprescindível, dizer aquilo naquele momento, àquela pessoa.
Meditar, não é se reprimir, é apenas perceber como as coisas se formam e como elas nos afetam. As nossas palavras e as dos outros. Como o que dizemos bate e volta pra nós. Se dizemos coisas boas ouvimos coisas boas, se dizemos coisas desagradáveis, raivosas, etc, teremos o mesmo de volta. Percebendo isso vc. repensa, reavalia. Vc. medita e um dia vc. não tem mais necessidade de revidar, replicar, dar o troco, ver quem fala mais alto, quem é mais inteligente,etc.
Vc. não se enfurece mais, não se perde mais em mil divagações, não fica mais remoendo palavras ditas por alguém que estava apenas num dia ruim, de mal humor, com algum problema... Vc. entende que talvez não foi pra vc., e se houver dúvida, vc. pergunta e resolve na hora. Mas faça a pergunta inteligente e não aquela que vai causar mais problemas para ambos . Meditando nas palavras vc. aprende a acariciar mesmo as palavras mais agressivas e devolve-las como pétalas perfumadas.

20 novembro, 2002

A espada que tira a vida, tb pode dar a vida!


O problema é que as pessoas gostam de se fazer especiais!
Elas se enganam muito acreditando que está prática (zen) significa sentar na almofada e sonhar!
Se nós conseguimos manter a mente clara a cada momento do dia, nós podemos salvar este mundo. Este momento é a sua vida.

Somente praticar duro é chato. Só prática mental tb. Precisamos equilibrar os dois.
- Se vc. fizer a prática dura, vc. a terá dura. Se a fizer chata, será chata. Se vc. não a fizer- então o quê?
Eu espero que logo vc. encontre a alegria do equilíbrio.
Nesse momento, o que vc. está fazendo? Se vc. pode obter a resposta para está pergunta, vc. terá equilíbrio. Então, se vc. está comendo, apenas coma. Se está dormindo, apenas durma.

Uma estrutura de ego saudável é importante na sua prática- como é a estrutura do seu ego?
Muita atenção e energia devotadas ao ego é um problema. Pouca também é um problema.
Então, de novo, voltamos em o que é isso nesse momento.
Apenas mantenha sua mente clara momento à momento.

Não tenha medo de ferir, se isso significa cortar a ilusão.
A espada que tira a vida, tb pode dar a vida!

Mestra Heila Downey, PSN




*espada é uma metáfora para a sabedoria que corta as ilusões e delusões

19 novembro, 2002

O ego é como uma carroça puxada por 50 cavalos.
Um quer dormir, outro quer comer, outro quer correr para longe, outro quer ficar parado, outro quer tomar uma cervejinha, outro quer ir passear no shopping, outro quer ver TV, outro quer ler um livro, outro quer navegar na Internet e o outro quer ir ao cinema, entre tantas outras possibilidades, cada um quer ir para um lado. Temos que ser firmes e fortes para mantê-los no caminho que estamos seguindo. Conduzi-los e não se deixar conduzir, arrastar, para onde cada um (desejos) queira ir. Temos que tomar as rédeas e permanecer no caminho que escolhemos seguir. Se o soltamos ou o deixamos frouxo corremos o risco de perder o controle e acabar num precipício. Não devemos concentrar toda a energia nele, nem esquecê-lo, mas ficar atentos

17 novembro, 2002

Apagando ou acendendo a Luz?



“Lamentamos informar que Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche faleceu na
madrugada de 17 de novembro de 2002.

“Algumas pessoas pensam que o remédio para o sofrimento está nas mãos de
Deus ou Buddha, em algum lugar externo a elas. Mas as coisas não são assim.
O próprio Buddha disse a seus discípulos, "

Eu lhes mostrei o caminho que
leva à liberdade. Seguir por esse caminho é algo que depende de vocês
".

"O caminho espiritual não é fácil, pois nos força a desafiar e enfrentar tudo que praticamente
Considerávamos verdadeiro ou real. Mas, se o seguirmos com constância,
esse caminho irá se revelar um amigo surpremamente confiável."

"A morte espera por todos nós, quer estejamos preparados ou não,
quer escolhamos pensar sobre ela ou não.
Para muitos de nós, a idéia de morrer trás tamanho mal estar que preferimos evitá-la por completo. Podemos até nos enganar, tentando nos convencer de que não temos medo da morte, de que ela não é nada demais. No entanto, aqueles que morrem sem estar preparados são assaltados por um medo tremendo, um medo que não se compara a nada que já tenhamos vivenciado.
Precisamos nos preparar para o momento em que a mente e o corpo irão se separar, desenvolvendo hábitos fortes de prática espiritual, que não se evaporem diante da morte. Se nos familiarizarmos com o processo de morrer, não seremos pegos de surpresa; não seremos paralisados pelo medo e nem distraídos pela confusão. Se desenvolvermos as habilidades meditativas necessárias, a morte poderá ser uma porta para o estado meditativo da iluminação, a partir da qual traremos sem cessar, benefícios para todos os seres”

Chagdud Tulku Rimpoche [Portões da Prática Budista, Cap. 20]


A Lama Sucessora


A americana [Jane Tromge] Chagdud Khadro

16 novembro, 2002

Um Motivo para Levantar todos os Dias

Um grande número de pessoas passa os dias sentindo que sua vida não tem significado
nem propósito. No obstante quando nos engajamos nas práticas do Bodhisattva (ajudar todos os seres)
e no amor mais profundo, no serviço altruísta e na compaixão ilimitada que essas práticas exigem,
dotamos a nossa vida de significado. Temos um motivo para nos levantar todas as manhãs.

Lama Surya Das [O Despertar do Coração Budista]

15 novembro, 2002

Usar koans para fazer nossa vida correta

Nosso ensinamento é prática de kong-an. No passado a prática de kong-an significava conferir o atingir, conferir a iluminação de alguém. Agora nós usamos kong-ans para fazer nossas vidas corretas. É uma maneira de usar kong-ans diferente da maneira zen tradicional. Nós usamos os kong-ans para fazer nossa direção correta, para fazer nossa prática e nossa vida corretas. Este é o ensinamento da Escola de Zen Kwan Um.
"Kwan Um" significa "perceber o som". Isto significa perceber seu ser verdadeiro. Ao mesmo tempo perceber dentro e fora. Perceber esse som do mundo significa que muitas, muitas pessoas estão sofrendo. Se você pode ouvir esse som de sofrimento, então ajudar é tanto possível como necessário. Esse é o caminho do bodisatva. Como ajudar outras pessoas é nossa prática e nossa tarefa. Não é somente atingir iluminação, é a tarefa da iluminação. Iluminação é tarefa de monge, mas somente alguém como um monge zen tem as circunstâncias para fazer isso: sem família, sem emprego, todo mundo ajudando.
Sua prática não é tarefa de monge - é como ajudar pessoas. Primeiramente a família, depois os amigos, depois o país e todos os seres: ajudá-los é sua obrigação. Se você quer ajudar corretamente ponha abaixo sua opinião, suas condições, sua situação. Se você não puser abaixo essas coisas, você não pode ajudar. Se você as põe abaixo, então o amor verdadeiro aparece. Isso significa "não-especial". Somente manter sua situação correta momento a momento é muito simples. O nome para isso é amor, compaixão. Esta é a prática da Escola de Zen Kwan Um hoje.
É uma mudança na prática e ensinamento no zen. Para fazer isso nós precisamos de uma escola que pais e filhos possam freqüentar. Não é o velho estilo. O zen coreano não veio aos Estados Unidos sem mudança. Muitas mudanças têm sido necessárias. Nós praticamos kong-ans, mas alguns monges coreanos disseram "Isso não é zen". Sim, isso não é zen, zen não importa. O zen original é zen nenhum. Nada é zen. De fato, nós não entendemos o que zen é.
Desde o seu início o zen tem significado muitas mudanças. Começou com Bodidarma; depois do Sexto Patriarca, mudou. Cinco escolas de zen apareceram, todas diferentes. Muita doença apareceu, doença zen. As cinco escolas chinesas desapareceram. Por quê'? Porque elas não se ligaram com a vida ordinária, com a sociedade. Se não corrigirmos isso, o zen de hoje vai morrer também. Se for somente zen de monge, vai morrer logo.
Na China, Coréia e Japão este tipo de grupo não existe: leigos parando num centro zen, um templo, fazendo ação conjunta, meditação e prática. Isso começou na América. Nunca aconteceu antes - isso é novo, um novo zen. Então é necessário ter um novo direcionamento e novas práticas. Nós não chamamos a isso de estilo americano, é apenas vida cotidiana e direção correta.
O Zen é um tipo de revolução. No futuro o que acontecerá? Este tipo de prática será muito importante: Como sua prática liga-se com sua vida? Como sua prática ajuda os outros? Se o ajuda vai ajudar outros, ajudar o mundo. Então sua prática vai ligar-se com a paz mundial.
Há muitas opiniões neste mundo. Americanos têm opiniões de americanos, russos, de russos. Todas as religiões têm suas próprias opiniões. Elas são apegadas a alguma coisa. Isso é a doença deste mundo. No futuro será necessário ensinar este tipo de prática: acordar! Então o que significa ser humano? Ser humano significa nenhum significado, nenhuma razão, nenhuma escolha. Mas se você atinge o significado nenhum, você atinge o Grande Significado. Isto é, ponha abaixo qualquer tipo de opinião, condição ou situação, e sua vida torna-se completa. Isso ajudará sua família, o país, este mundo.

Mestre Zen Seung Sahn [Revista Primary Point]

14 novembro, 2002

O mais importante não é o cogito, ergo sum (penso, logo existo), mas o agito, ergo sum. (Faço, logo existo)

D.T. Suzuki [A doutrina Zen da Não-Mente]

13 novembro, 2002

Uma coisinha à toa

Vamos imaginar dois amigos. Dois jovens estudantes.
Algumas vezes eles se reúnem em grupo para estudar na biblioteca, outras vezes na casa de um deles.
Você sabe, eles se encontram para estudar, mas tb. tem muita bagunça e dispersão.
No meio da bagunça, as coisas de ambos se misturam.
No final, João junta suas coisas e vai embora. No meio do caminho ou no ônibus, ele lembra que precisa anotar alguma coisa na agenda, ou em um papel. Ele procura uma caneta, entre suas coisas e o que ele encontra? A caneta predileta de Paulo. O que João faz?
Há algumas saídas nessa situação:

-Se João pensar: Ih, essa é a caneta do Paulo”, tendo celular, ele liga no ato para Paulo e informa que caneta dele veio por engano e volta para devolver ou a devolverá no dia seguinte.

-Supondo que ele não saiba de quem é a caneta ou tenha dúvida, João pode:

Se perguntar de quem é a caneta, supor que seja de Paulo e perguntar para ele ou para alguém mais.
Se perguntar de quem e a caneta, não saber de quem é, e ficar com ela. Se alguém der falta ele devolve.
Ou ficar com ela se alguém der ou não falta, ficar na dele.


-Na primeira situação, o carma (a caneta) veio com ele, sem que ele soubesse, como alienígena, escondido na sua bolsa. Ele vê seu carma, o identifica como o que não é certo, e o desfaz no ato. Até ai nenhuma conseqüência.

-No segundo caso, ele reconhece o carma ou não, o pega na mão, fica com ele ou não. Enquanto a caneta estiver com ele há chance de o carma se estabelecer.

- Se ele deliberadamente não devolver e ficar com ela, então fez-se o carma, mas ainda pode ser desfeito a qualquer momento, desde que João, volte atrás e dê um jeito de devolver a caneta. Mas se João, perder a caneta e não houver outra igualzinha que ele possa comprar, não tem como consertar, a não ser que ele confesse o que fez e assume as conseqüências o que já se constitui em reação a má ação.

- Se João não devolver a caneta, ficar com ela deliberadamente. Mesmo quando Paulo perguntar sobre a caneta, se ele disser que nada sabe sobre ela, então o carma se instala e vai seguir seu ciclo até o fim.
O que pode acontecer? Joãp pode perder algo que ele goste muito logo depois. Pode ser assaltado, alguém da família, ou alguém que ele tenha forte ligação tb pode vir a ser afetado pelo ato do João. Por fim, coisas muito ruins podem acontecer e tudo começou com uma ingênua caneta. Preste atenção!


Essa historinha me veio à mente ontem. Fui usar um computador em uma biblioteca e lá estava a caneta-carma-silada me esperando. Era uma caneta bem bonita, pareceu-me daquelas bem caras, tipo Mont Blanc, mas não chega a ser tanto. Peguei-a na mão, experimentei-a, mas logo lembrei-me da historinha acima e tratei de me livrar dela. Passei-a para a moça da biblioteca. O que ela vai fazer com a caneta é problema dela.

Nunca se sabe a que conseqüências uma simples caneta ou uma coisinha que achamos que é à toa, mas que subtraída do seu legitimo dono pode vir a ter. Como isso nós vai ser cobrado depois? Provavelmente em dobro. O que roubamos nos será roubado. É a lei da ação e reação. Uma coisinha à toa pode tornar-se uma bola de neve com desfechos inacreditáveis.

11 novembro, 2002

Elefantes na Fábrica de Bordados

Fui no Espaço Hoepcke para a abertura do X Festival Nacional de Teatro
e quem estava lá? Os elefantes! Esses caras me perseguem. O que vou fazer?
Só posso rir. Fui perguntar para a artista pq. ela estava pintando elefantes.
Ela respondeu que tinha sido o outro cara que tinha escolhido. Elefantes estão na moda, só pode ser.

10 novembro, 2002

O Esforço

Alguns sabem porém não se esforçam para praticar.
Alguns não sabem e nem tentam saber como praticar.
Todos querem chegar a iluminação, mas não querem seguir o Caminho.

Tempo para praticar

As pessoas dizem que têm tanto trabalho para fazer que não têm tempo para praticar o Dharma.
“O que podemos fazer? – Elas perguntam. Eu pergunto a elas: “Vcs. respiram enquanto trabalham?”
“Sim, claro que respiramos!” “Então como é que vcs. têm tempo de respirar quando estão ocupados?”
Se vcs. têm atenção plena enquanto trabalham, terão muito tempo para praticar.

Ven. Ajahn Chan [O Dharma Vivo]

04 novembro, 2002

Every day is a good day, what does this mean?

Mestra Heila Downey
O bebê está chorando

Há dentro de nós um bebê. Ele nasceu conosco e quer nascer de nós.
Nascer é sua grande alegria, mas nascer dói. Nós temos medo dessa dor de nascer.
Nós queremos essa alegria. Temos medo e o bebê chora.
Durante muito tempo ele passa dentro de nós adormecido.
Cada vez que ele acorda e tenta nos tocar, nós fugimos.
Cada vez que ele chora, nós o fazemos silenciar de inúmeras formas. Ninando-o novamente,
dando-o distrações, brinquedos-presentes, levando-o para passear, ou simpresmente o ignoramos e o deixamos chorando, até ele cansar e adormecer de novo.
Mas ele acorde e volta a chorar. Um dia ele vai chorar tão alto que será impossível detê-lo.
Ele vai chorar, espernear dizendo: - Eu quero nascer,agora! -E nós nos apavoramos, nos assustamos, nós temos medo.
O que vamos fazer com esse bebê, como cuidar dele?
Nós o queremos, mas temos medo.
Um dia , quer a gente queira ou não ele irá nascer, com nosso concentimento ou à força.
E nesse dia talvez tenhamos que morrer.
Então, o que o bebê que chora nós oferece? Deixa-lo nascer e viver.
Ou não deixa-lo nascer e morrer.
Pois ele irá nascer de uma maneira ou de outra. Porque seu ciclo precisa continuar. Se nós não o deixarmos nascer, ele irá nascer em outro corpo, em outra vida, o ciclo começará outra vez.
Outra vez o bebê irá tentar nascer em outro meio.
E nós, teremos perdido a grande chance que se chama felicidade, êxtase, tudo, nada.

"Há um bebê Buda em nosso depósito de consciência (Alaya) e devemos dar a ele uma oportunidade de nascer."

Thich Nhat Hanh [Cultivando a Mente do Amor]