21 outubro, 2002

Pratica de Monge & Prática de Templo

O que nós fazemos aqui no Ocidente em relação ao Zen é prática de mosteiro, ou prática de monge.
Que é sentar em zazen, fazer prostrações, recitar o Sutra do Coração, os Votos de Bodhisattva, os Votos de Refúgio, etc.
O que os imigrantes fazem em geral ,é prática de Templo. Cerimônias ligadas às suas tradições de origem.
Um Culto mesmo, como numa Igreja. Esse culto tem uma seqüência, tem cantos, tem sermão...
A prática de monge é mais avançada em relação a de mosteiro? Não, ambas são consideradas necessárias, já que nem todos conseguem se adaptar tanto a uma quanto a outra. Imagine se um imigrante japonês que trabalha 8-10 horas na lavoura vai querer sentar de pernas cruzadas e ficar em silêncio! Uma dona de casa, uma feirante, um taxista. Por isso existem vários tipos de prática. Se não serve de um jeito, tem outro e outro e outro. Buda ensinou apenas a prática de monge, e de certa forma previu que haveria obstáculos para que esse tipo de prática fosse adotada por todos, por isso seu Sangha era essencialmente de monges. Foi o zen que mudou essa concepção “restritiva”, quase que dizendo: “precisa ser monge para praticar”. Mestre Hui Neng, o Sexto Patriarca, foi quem teria se preocupado mais em tornar a prática acessível a qualquer um que a desejasse sinceramente. Ele enfrentou muitas críticas e oposições dequeles que defendiam um zen apenas monástico, ortodoxo, baseado mais no estudo dos sutras, um zen mais intelectual. Ao contrário, Hui Neng, que teria sido analfabeto, e mesmo assim chegou a realização, ao discernimento do Dharma, defendia que não era necessário nenhum estudo, que já temos a natureza de Buda em nós, só precisamos despertá-la e para isso não precisamos estudar anos, ler milhares de livros. Só precisamos ver o que está em nossa frente, desde sempre. Está tudo aqui, só precisamos ver e para ver precisa acordar, abrir os olhos da mente. Então é ai que entra a prática do monge. Os monges “monges” estudam mais, passam por um treinamento intensivo, durante anos, porque além da prática de monge eles têm a prática de templo para dar conta, o contato com a comunidade, o trabalho missionário. Nem todos serão professores, mestres. A grande maioria será apenas um monge ( o que não é um demérito) envolvido nas tarefas do mosteiro ou do templo, enquanto outros, irão ensinar, dar palestras, entrevistas, divulgar o Dharma pelo mundo a fora.
Em um ano pode-se receber a ordenação de monge ( em geral pode levar 3-4 anos), enquanto que a permissão para ensinar o Dharma ( Transmissão) pode levar entre 7-12 anos de treinamento, dependendo de cada tradição e do seu Mestre.
Isso vale tb. para monge leigo. Aquele que não faz todos os votos e não vive no mosteiro. Na tradição do zen japonês os monges e monjas podem casar, ter filhos. Nessa tradição,a maioria dos monges se casam. A maioria das monjas preferem o celibato. Em geral o zen monástico é celibátário.

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