13 setembro, 2002

Os Quatorze Preceitos


1. Não idolatrar nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, seja qual
for, incluindo o Budismo. Os sistemas de pensamento budistas deveriam
ser considerados como guias para a prática e não como a verdade
absoluta.

2. Não imaginar-se possuidor de um saber imutável ou da verdade
absoluta. Deve-se evitar a estreiteza mental e o apego aos próprios
pontos de vista. Aprender e praticar a estrada do desapego com o
propósito de permanecer aberto aos pontos de vista dos outros. A
verdade só pode ser encontrada na vida e não nos conceitos. É
fundamental estar disposto a continuar aprendendo durante toda vida e
observar a vida em si mesmo no mundo.

3. Não forçar os outros, incluindo as crianças, a adotar nossos
pontos de vista por quaisquer meios sejam quais forem: autoridade,
ameaça, dinheiro, propaganda ou educação. Respeitar as diferenças
entre os seres humanos e a liberdade de opinião de cada um. Saber,
porém, usar o diálogo para ajudar aos outros a renunciar ao fanatismo
e à estreiteza de espírito.

4. Não evitar o contato com o sofrimento nem fechar os olhos ante
ele. Não perder a plena consciência da existência do sofrimento no
mundo. Encontrar meios de aproximação dos que sofrem, seja por
contatos pessoais, visitas, imagens, sons... Despertar em si e nos
demais a consciência da realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumular dinheiro nem nenhum bem ambiciosamente enquanto
milhões de seres sofrem fome. Não converter a glória, o lucro, a
riqueza ou os prazeres sensuais em metas de vida. Viver simplesmente
e compartilhar o tempo, a energia e seus recursos pessoais com
aqueles que estão na necessidade.

6. Não conservar a raiva ou o ódio em si. Aprender a examinar e a
transformar a raiva e o ódio quando eles ainda não são nada mais que
sementes nas profundezas da consciência. Quando a raiva e o ódio se
manifestarem, devemos enfocar a atenção na respiração e observar de
maneira intensa com o propósito de ver e compreender a natureza desta
raiva ou ódio, assim como também a natureza das pessoas que
supostamente são a sua causa. Aprender a olhar os seres com os olhos
da compaixão.

7. Não perder-se deixando-se levar pela distração ou pelos
acontecimentos externos. Praticar a respiração consciente e enfocar a
atenção no que está acontecendo neste momento presente. Entrar em
contato com tudo aquilo que seja maravilhoso, pleno de vigor e de
frescor. Semear em si as sementes da paz, de felicidade e da
compreensão com o propósito de ajudar o processo de transformação nas
profundezas da consciência.

8. Não pronunciar palavras que possam semear a discórdia e causar a
desarmonia da comunidade. Por palavras serenas e com atos
apaziguadores, fazer todo o esforço possível para reconciliar e
resolver todos os conflitos, por menores que sejam.

9. Não dizer falsidades para preservar o próprio interesse ou
impressionar a outrem. Não pronunciar palavras que semeiem a divisão
e o ódio. Não difundir notícias sem a segurança de que elas estão
certas. Não criticar nem condenar aquilo sobre o que não se está
seguro. Sempre falar com honestidade e de um modo construtivo. Ter a
coragem de dizer a verdade sobre as situações injustas mesmo que
nossa própria segurança esteja ameaçada.

10. Não usar a comunidade religiosa para o interesse pessoal nem
transformá-la em partido político. A comunidade em que se vive deve
sem embargo ter uma posição clara contra a opressão e a injustiça e
esforçar-se para alterar a situação sem comprometer-se em conflitos
partidários.

11. Não exercer profissões que possam causar dano para os seres
humanos ou à natureza. Não investir nas companhias que exploram os
seres vivos. Escolher uma ocupação que ajude a realizar o próprio
ideal de vida com compaixão.

12. Não matar. Não permitir que outros matem. Procurar todos os meios
possíveis para proteger a vida e prevenir a guerra. Trabalhar para o
estabelecimento da paz.

13. Não querer possuir qualquer coisa que pertença a outrem.
Respeitar os bem dos outros, mas procurar impedir qualquer
enriquecimento à custa do sofrimento de outros seres vivos.

14. Não maltratar o corpo. Aprender a respeitá-lo. Não considerá-lo
unicamente como um instrumento. Preservar a energia vital (sexual,
respiratória e do sistema nervoso) pela prática do Caminho. A
expressão sexual não se justifica sem amor profundo e sem
compromisso. Concernente às relações sexuais, tomar consciência do
sofrimento que pode ser causado a outras pessoas no futuro. Para
preservar a felicidade dos outros é necessário respeitar seus
direitos e compromissos. Ser completamente consciente da própria
responsabilidade no momento de decidir trazer para o mundo uma nova
vida. Meditar sobre o mundo para o qual nós trazemos estes seres.

Por [Tam Hao Van]
[Preceitos da Escola Lam Te, dirigida pelo Mestre Zen Vietnamita Thich Nhat Hanh]

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