07 setembro, 2002

Dialogando com Cecília II
Motivo
(1.causa, razão, 2.fim, intuito,3.tema ou idéia principal, música, tecido)

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
-Aí está alguém que vive o instante. Uma poesia ou uma poeta iluminada?
-Pois que necessidade teria alguém que tem a vida completa de mostrar-se incompleto?
Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta.
-Humm! Cecília não é dualista. O budismo não é dualista. Seria Cecília Budista? :) Ah, os vícios da lógica. Blincadelinha, Cecília!
Irmão das coisas fugidias
-Seriam ilusões essas coisas fugidias?
Não sinto gozo nem tormento.
-Sinal de iluminação?
Atravesso noites e dias no vento.
-Oh! o Vazio!
Se desmorono ou se edifico,
- Melhor edificar, mas desmoronar às vezes é inevitável.
se permaneço ou me desfaço,
-Permanecer é apego, desfazer-se do apego é imprescindível.
Pois no fim tudo se desfaz. Só há permanência no samsara.
-não sei, não sei.
-Uau a máxima zen! A dúvida faz parte do amadurecimento.
Trate de não saber mais.
Não sei se fico ou passo.
-Fique Aqui e Agora, mas quando chegar a hora passe, passe correndo.
Pois é melhor passar do que ficar, ficar é a ilusão, passar é o TODO!
Sei que canto.
-Não cante muito alto, pois não poderei ouvir tua voz. [Dito por Emerson, o poeta, filósofo, ensaísta...]
E a canção é tudo.
-Não minha cara Cecília, ai estas enganada.
A Atenção Plena é tudo. Mas podes cantar mantras, recitar sutras...
Tem sangue eterno e asa ritmada.
- Estavas indo tão bem minha cara Cecília, porque descambaste agora no final? Medo? Ah, vcs. poetas, começam bem, mas em algum lugar sempre estragam tudo!
E um dia sei que estarei mudo: - mais nada.
-Bravo! O silêncio. No fim não me decepcionaste!
Era isso mesmo, no fim o NADA.

Cecília Meireles [Motivo]

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