30 setembro, 2002

A Essência dos Ensinamentos de Thich Nhat Hanh, é um livro fácil de ler e explica um pouco de tudo Isso:
As Quatro Nobres Verdades,O Nobre Caminho Óctuplo,
As Seis Perfeições ( Paramitas), mais os principais Sutras.

29 setembro, 2002

Já tivemos a boa fortuna de nascer com um corpo precioso, então, não devemos desperdiçar nosso tempo à toa. Agora que sabemos qual é a coisa mais importante no Budismo, como podemos ficar satisfeitos com o mundo transitório? Nossos corpos são como o orvalho sobre a relva, e nossas vidas como o clarão de um raio, que desaparece num instante.
FUKANZAZENGI - Regras universais do Zazen-Manual de meditação do mestre Eihei Dogen - Jp. 1200 - 1253 dC]
[Monja Coen]
O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo, em aproveitar todas as coisas do mundo, mas jamais esquecer de seus objetivos.
As Seis Paramitas ou como chegar do outro Lado da Margem
Ou barco para atravessar o rio do Samsara


Lembrei de o Paulo Coelho ter dito em uma entrevista à Revista Veja algo assim : Eu nunca entendi esse tal “outro lado da margem” no budismo. Não vamos deixa-lo na ignorância “do outro lado da margem”.

Vou tentar resumir um "pouquinho" sobre isso.


Antes responda estas perguntas:

a. O que é este lado da margem ?
b. O que é o rio?
c. O que é a correnteza?
d. O que é o outro lado da margem?
e. Como vencer a correnteza, atravessar o rio e chegar do outro lado da margem?

Para chegar do outro lado da margem precisa ter:

1) Generosidade (dana)

Consiste em dar algo:
-dar coisas materiais, não necessariamente dinheiro, pode-se dar ajuda como voluntário em alguma instituição, ou no seu bairro, ajudar-se um ao outro, mesmo os que estão mais próximos, a família, isso já consiste em praticar a generosidade. Muitos conseguem fazer pelos outros e não conseguem fazer por quem está próximo de si, ou por si mesmo. Simplemsente lavar a louça, tirar o lixo, já constituí em ajuda.
-dar o Dharma
Ensinar o que se sabe, depois de tê-lo aprendido, testado em si mesmo, exercitado, adquirido discernimento sobre ele, não guarda-lo só para si, pois isso seria egoísmo.

Elimina o apego

2) Disciplina/virtude (shila)

Não causar mal: mal-estar, mal-entendidos, maldades que geram sofrimento físico ou mental,
não causar danos ou prejuízos a nenhum ser.
Treina a mente para o despertar.
Elimina a vida indisciplinada

Inclui O Nobre Caminho Óctuplo:

-compreensão correta
-pensamento correto
-fala/palavra correta
-ação correta
-meio de vida correto
-esforço correto
-atenção correta
-concentração correta

Incluí os Os dez Preceitos

-Não matar (qualquer ser vivo).

-Não roubar

-Não cobiçar

-Não mentir-

-Não ser ignorante

-Não falar sobre os defeitos dos outros

-Não elevar-se criticando os outros

-Não ser avarento

-Não ter raiva

-Não falar mal do Buddha, do Dharma e da Sangha

Obs: Os preceitos estilo Theravada monástico são mais rigorosos do que estes que estão aqui simplificados.


3) Paciência/auto-domínio (kshanti)

-paciência com quem erra
-paciência com os obstáculos (dificuldades) no Caminho
-paciência com os altos e baixos da vida

Elimina a raiva

4) Diligência, zelo, cuidado (virya)

-ser vigilante
-ser perseverante
-esforço agradável (não forçado, mas com alegria)
o esforço é inimigo da preguiça

Elimina a preguiça

5) Concentração ou Meditação (dhyana)
Atenção Plena, momento à momento,em tudo que se faz e pensa. (sati)

Elimina a dispersão mental

6) Sabedoria (prajna)

Elimina a ignorância

Prajna é:
-Discernimento; insight; sabedoria; inteligência; bom senso; perspicácia
- Desde um pequeno insight, pequena abertura da mente (intuição, discernimento)
ao grande insight, quando a mente se abre por completo.
“Maneira de ver que continuamente dissolve qualquer
tendência em usar as situações para conseguir alguma base sob os
pés. É uma espécie de detetor de besteiras que nos protege contra sermos cheios
de presunção” Pema Chödrön [Quando tudo se desfaz]

Isso que Pema Chödrön fala é no nível mais básico-médio de insight.
Num nível elevado de discernimento, há um senso muito mais aguçado das coisas,
da atenção plena, da compaixão, das necessidades vitais (comer-dormir)
Discernimento completo do Dharma, das verdades do universo, compreensão e
comunhão com o sagrado. Não há mais necessidade de questionar, tudo é compreendido.
É o nível do Buddha ( o desperto).


Tem mais quatro paramitas, as incomensuráveis(subjetivas):

Amor(metta)

Expressar amor por todos os seres, o Amor Universal, que tudo abrange e nada excluí, nada diferencia entre bom-mau/bonito-feio/melhor-pior/certo-errado...

Compaixão (karuna)

Ser o outro, ver-se na situação do outro, sem julgamentos entre certo-errado, bom-mal, bonito-feio, etc, ajudar sem olhar quem, de coração aberto.

Alegria Altruísta(mudita)

Equanimidade(equilibrado, justo, imparcial) (upeksha)

Não diferenciar, não privilegiar, ser justo.
Não agir com diferenciação: o melhor para quem eu gosto e qualquer coisa para os outros.
Dar sempre o melhor para todos.


28 setembro, 2002

O Retiro com Heila Poep Sa Nim

Minha mente de principiante ainda está lenta. Mas lá foi muito legal. Principalmente a última noite que passamos meditando noite a dentro. Nunca tinha feito isso e foi muito, muito bom. O corpo fica tão exausto que até comer, até pensar, até sentir dói :) de resto foi minha primeiro vez. Meditamos sentados de frente para o centro e não para a parede como se faz no Zen Sotô, ou caminhando. Tivemos as 108 prostrações, pela manhã, 4 cantos
[sutra do coração (koreano e inglês), canto da manhã, Homenagem à Três Jóias, canto da tarde, dharani) e a recitação dos 4 votos,
meditação sentado e andando.
Além disso tinha palestras e as entrevistas com Heila PSN. Não gostei muito das entrevistas pq me falaram que ela batia muito, gritava, e comigo nada! Dessa vez ela tava bem boazinha :) O meu koan foi "Quem sou eu?" é claro eu não respondi -Muuuuuuuuuuu!
Fica para a próxima :)
Afinal eu não me chamo Joshu!
O pior é que ela me perguntou o koan clássico. "O cachorro de Joshu tem natureza de Buda?"
Tá me gozando! Muuuuuuuuuuuuuu!
E eu respondi sim, depois não sei :)

Dei um poema do Drummond para PSN. Ela nem percebeu que dei a ela meu Muuuuuu!

Ei-lo:

Canção Amiga
Friendely Song
by Carlos Drummond de Andrade

Eu preparo uma canção
I prepere a song
em que minha mãe se reconheça,
which my mother recognizes herself
todas as mãe se reconheçam,
all mothers recognize themselves,
e que fale com dois olhos.
which speaks as two eyes

Caminho por uma rua
I walk in a street
Que passa em muitos países.
which passes through many countries.
Se não me vêem, eu vejo
If they don’t see me, I see them
e saúdo velhos amigos.
and I greet old friends.

Eu distribuo um segredo
I give a secret
como quem ama ou sorri.
like someone who loves or smiles.
No jeito mais natural
In the most natural way
dois caminhos se procuram.
two paths looking for each other

Minha vida, nossas vidas
My life, ours lives
formam um só diamante.
become only one diamond.
Aprendi novas palavras
I learned new words
e tentei outras mais belas.
and I made more beautiful others.

Eu preparo uma canção
I prepere a song
que faça acordar os homens
which makes man awake up
e adormecer as crianças.
and the children fall asleep.

[Agradeço às pessoas que revisaram a tradução.]

PSN me deu uma lembrancinha da África do Sul. Uma bandeirinha do Povo Zulu com trechos
da Zulu Love Letter. A bandeirinha tem 6 cores, uma a mais do que as cores da nossa bandeira.
O preto.

Cada cor tem um significado:

To interpret the love-letter, one must know the colour symbolism. Here in brief are the broad meanings, though it must be realised that there are many subtle variations that often depend on the particular shade of a given colour:

Black
Sadness; loneliness; disappointment; but in a certain context black can also convey reassurance.

Blue
Depending on the shade, blue beads can symbolise the sky, or the sea; or faithfulness; or a garrulous disposition.

Green
Love-sickness; jealousy; also symbolic of grass and cattle.

Pink
A shy suggestion of poverty - especially of inability to provide cattle for lobola ie the bride-price paid to her parents by the prospective husband.

Red
Blood; tears; anger; also boundless love.

White
Purity; love; good luck.

Yellow
Wealthy; estrangement; also hate.

Brown: My love is like the earth which gives rise to new life.

Na minha bandeirinha não tem pink,red,brown!
Mestre Hsin Ting em São Paulo!

Você pode fazer isso por mim?


Um aluno uma vez perguntou ao Mestre Ch'an Chao Chou (778-897) o que deveria fazer para aprender o Dharma, ao que o mestre respondeu, "Vou urinar agora. Você pode fazer isso por mim? É claro que não! Ninguém pode fazer por mim nem sequer algo tão simples. Se realmente quer aprender o Dharma, faça-o você mesmo".

Até mesmo nossa reverência pelo Buda pode se constituir um obstáculo ao crescimento se não compreendermos que o verdadeiro Buda é um estado mental, e não simplesmente um símbolo ou história que existe em algum lugar, fora de nós.

Não é verdadeiro um ensinamento que não possa ser vivido e experimentado. Se não pudermos empreender um esforço para aprendê-lo, começando por onde estamos, de nada nos serve.

A forma correta de estudar o Dharma é desenvolvendo uma relação com o Buda, tanto aquele que está em seu interior como aquele que o transcende. Quando conseguir ver o Buda em tudo, poderá
dizer que realmente compreende o Dharma.

No estudo do Dharma é necessário alcançar o equilíbrio correto entre a necessidade de se acreditar no Dharma e a de testá-lo. Se nele acreditarmos com fé demasiada, talvez nunca venhamos a fazer as perguntas mais penetrantes, que levam aos níveis mais profundos de compreensão. Por outro lado, se gastarmos tempo excessivo questionando toda e qualquer palavra, estaremos nos privando da oportunidade de aprender o que quer que seja. Há pessoas assim, que contradizem tudo o que ouvem e
argumentam contra todo e qualquer aspecto do ensinamento do Buda.

Há um ditado Ch'na: "Pequenas dúvidas levam a pequenos despertares. Grandes dúvidas levam a grandes despertares.

Certa vez, um jovem estudante perguntou a um mestre Ch'an por onde deveria começar a estudar o Dharma. O mestre disse: "Você ouve os pássaros cantando nas árvores e os grilos cricrilando na grama? Pode ver a água fluindo no riacho e as flores despontando nos campos?", ao
que o jovem respondeu afirmativamente. O mestre então concluiu: "É por aí que você deve começar a estudar o Dharma."

Um aluno do mestre Ch'an Wei Shan (771-853) perguntou-lhe: "Qual é o caminho?" O mestre respondeu: "A não-mente é o caminho." O aluno disse: "Então, estou perdido!" E o mestre replicou: "Então, encontre alguém que não esteja perdido." O aluno questionou: "Mas quem é que
não está perdido?" O mestre disse: "Apenas você mesmo. Encontre a si mesmo!"

A meta da não-mente é ver o mundo como ele realmente é, não como pensamos que é. Alcançando esse objetivo, será possível ver o Buda em tudo e seu verdadeiro ser nele. O universo será visto em uma flor e a
eternidade em um sorriso momentâneo.

Ven. Mestre Hsing Yun [Trechos do livro Lotus in a Stream] Hsing Yun é o 48o. Patriarca da Linhagem Lin Chi(Rinzai) do Budismo Ch'an e fundador do Monastério de Fo Guang Shan em Taiwan.

26 setembro, 2002

Os arquivos sumiram!
Ainda bem que tenha a frase ali do lado para me consolar.
"Comece tudo de novo hoje!"
Já comecei, já comecei!
Bondade Amorosa

Existe um mal entendido, comum a todos os seres humanos nascidos através dos tempos, que a melhor maneira de se viver é evitar a dor e buscar bem estar, o que também se aplica aos insetos, pássaros e outros animais. Nisto somos todos iguais.

Para que a vida seja uma aventura envolvente, generosa, e divertida precisamos fomentar a curiosidade, em qualquer tipo de experiência seja amarga ou seja doce. Para não agirmos de forma mesquinha ou preconceituosa na realização de nossos objetivos e para tornar a vida mais plena precisamos saber suportar tanto a dor quanto o prazer. Assim, aprenderemos a saber quem somos e o que seja o mundo, o que nos move e o que move o mundo; enfim, como as coisas verdadeiramente são. Se apenas buscamos bem estar a qualquer preço, nos evadimos diante do menor desconforto e nunca saberemos o que está por detrás do obstáculo, do muro ou do medo.

Quando começamos a meditar ou adotamos uma disciplina espiritual pensamos em melhorar, o que não deixa de ser uma agressão sutil a quem verdadeiramente somos. É como se disséssemos, "começando a fazer exercício serei uma pessoa melhor." "Se ao menos minha casa fosse como eu quero, seria uma pessoa melhor." "Se pudesse meditar e acalmar-me, seria uma pessoa melhor". Ou então, encontrarmos defeitos nos outros e pensamos: "se não fosse o marido, meu casamento seria perfeito." "Se não fosse as diferenças com o chefe, meu trabalho seria maravilhoso." Ou, "se não fosse minha mente, a meditação seria muito boa."

Mas na prática da bondade amorosa—maitri—quando dirigida a nós mesmos não quer dizer descartar o que quer que seja. Maitri quer dizer que podemos ainda estar alucinados depois de todos estes anos, podemos estar ainda zangados depois de todos estes anos, podemos ainda ser tímidos, ciumentos ou ainda nos menosprezarmos depois de todos estes anos. O importante não é tentar mudar. Para meditar não é preciso descartar quem somos para ser uma pessoa melhor. O importante é cultivar o apreço por quem já somos. O fundamento da prática somos nós mesmos, ou eu, ou aquilo que somos agora, tal como somos. Este é o fundamento de toda a prática, somos o objeto da nossa observação e vamos passar, com muita curiosidade e interesse, a nos conhecer.

Para os budistas, a palavra "ego" é usada de forma depreciativa, tem uma conotação distinta da palavra freudiana. Os budistas dizem, "o ego me traz muitos problemas," o que nos levaria a pensar, "então, vou descarta-lo, certo? Assim, acaba o problema." Pelo contrário, a idéia não é descartar o ego mas fazer de nós mesmos o objeto do nosso interesse, tratar de investigar quem somos.

Ambos os caminhos da meditação e da vida dizem respeito ao desenvolvimento da curiosidade, da investigação. O fundamento somos nós próprios; estamos aqui para saber quem somos, para nos conhecer agora—não mais tarde. Muitas pessoas comentam que gostariam de marcar uma entrevista comigo, escrever uma carta, ter uma conversa ao telefone, mas querem esperar até estarem bem. Penso então, "se você é como eu, pode esperar para sempre!" Então, venha assim mesmo como se sente agora. A magia é ser capaz de se abrir ao momento como ele se apresenta, se dispor a viver plenamente e com atenção o momento presente. Quando meditamos observamos que estamos sempre fugindo do momento presente, evitando a nossa própria presença, tal como somos. Não é uma crítica, é uma constatação do que acontece.

A curiosidade e a investigação envolvem suavidade, precisão e abertura—entregar-se ao processo. A suavidade é tratarmo-nos com carinho. A precisão é ver claramente, permanecer com destemor diante do que surge, como o cientista não teme olhar no microscópio. A abertura é a entrega corajosa.

Verão que ao fim deste mês que passarão meditando será como se ao fim de cada dia, passassem um vídeo de vocês mesmos em que pudessem ver tudo. Teriam arrepios e diriam, "Agh!" porque provavelmente se veriam fazendo exatamente o que criticam nas pessoas que menos apreciam e todas as que criticam. Assim, cultivando o apreço por nós mesmos cultivamos o apreço pelo outro porque com este elevado grau de sinceridade, honestidade, suavidade e carinho, associados à transparência da visão sobre nós mesmos já não existem obstáculos para o sentimento de bondade amorosa em relação ao outro.

Assim, o fundamento de maitri somos nós mesmos. Estamos aqui para nos conhecer, para investigar a nossa natureza. O caminho e os meios serão a meditação e uma atitude desperta. A investigação não será restrita aos momentos em que estamos meditando; ela continua quando vamos de um lugar para outro, nos toaletes, quando saímos a passeio, cozinhamos ou conversamos, o que quer que façamos, manteremos esta sensação de estarmos vivos, abertos e curiosos sobre o que se passa. Talvez alcancem mesmo o que se chama o fruto de maitri—um estado lúdico.

Esperemos que seja um mês bem passado, conhecendo-nos melhor, aprendendo a nos divertir e a ficar menos carrancudos.

Pema Chodron [Resumo do livro, "The Wisdom of No Escape" 1996
Traduzido e revisado por Tenzin Namdrol]

25 setembro, 2002

A Chave

A prática é como uma chave, a chave da meditação. Se possuimos a chave certa,
não importa quão bem esteja fechada, porque girando a chave se abrirá imediantamente.
Mas sem a chave, a fechadura não se abrirá e não saberemos jamais o que tem no
baú.

Ajahn Chah [Dharma Vivo]

23 setembro, 2002

17 setembro, 2002

Mestra Heila Downey em Porto Alegre!



De 16-22/set estará em Porto Alegre proferindo palestra. Participando de atividades com grupos locais e conduzindo um retiro não-residêncial de 3 dias, [20-22/Set]


Por que você pratica?

Há dois ano atrás eu praticava diferente do que agora. Praticava por mim apenas..
Há um ano atrás, li relatos de pessoas que haviam participado do retiro com a Mestra
Heila Downey. Durante a entrevista particular, cada um pode fazer perguntas. Se vc. não perguntar nada..
ela te pergunta, não tem saída.
A pergunta que Heila fez foi:

- Por que vc. pratica? – Não havendo resposta... ela dizia:
- Eu pratico por VOCÊ.

A partir desse dia minha prática mudou. Eu pratico por você, por todos os seres.

Este blog é uma forma de praticar. Ele é por VOCÊ, pelo benefício de TODOS OS SERES, ainda que isto não tenha sido intencional e planejado. Praticando por todos, estou praticando por mim também. Está é uma intenção correta. É intenção e ação corretas que nos fazem crescer na prática.

Passei o ano esperando e agora ela está aqui. Se a pergunta for a mesma, já sei a resposta na prática:


Nosso único e verdadeiro poder consiste em ajudar o outro.
[Dalai-Lama]
Um exemplo de como praticar Atenção Plena

Na manhã de Domingo, por volta de quatro horas, eu estava tentando dormir, quando ouvi
dois estrondos seguidos e freadas bem fortes.
Primeiro pensamento: um acidente.
Segundo pensamento: mais um racha. ( são freqüentes no local )
Já estava começando a julgar o que tinha ouvido. Ai parei, e dormi.
No dia seguinte ouvi alguém falando na rua sobre um fulano que havia morrido...
Depois vejo no jornal: “Acidente mata uma pessoa e fere outras. Polícia investiga possibilidade
de ter sido um racha.”
Eu já ia começar a julgar novamente. Então fui ler a matéria e não era nada disso.
Fulano atravessa a frente de ciclano. Ciclano perde o controle e bate em fulano que perde o controle e
bate no poste. Ciclano ainda bate em outro carro que estava por perto.
Por essas e outras é que algumas escolas budistas proibem a leitura de jornal, de ver televisão e ouvir música.
O zen não proíbe taxativamente, mas recomenda, já que é um dos dez preceitos “não ouvir música*” ( no tempo de Buda ainda não tinha Jornal e TV! ), pois estes veículos contém os chamados venenos.
A mídia tem que vender seu produto e vai usar de todos os truques: um deles é chamar a sua atenção com uma frase de efeito, que depois é desfeita na matéria, mas ai sua atenção já foi fisgada e sua mente já foi envenenada.
O Zen ensina a ver, ouvir e ler sem se envolver, sem cair nessas armadilhas. Vc. pode ver, ouvir e ler, desde que com Atenção Plena. Mas para chegar a ele precisa treinar!

*7.Eu tomo o preceito de abster-me de dançar, cantar, ouvir música,
ver espetáculos de entretenimento.

Venênos Mentais: ambição, malevolência, raiva, rancor, hipocrisia, arrogância, inveja, mesquinharia, desonestidade, prepotência, teimosia, violência, orgulho, presunção, euforia e complacência (com as paixões mundanas).

15 setembro, 2002

Praticando Atenção Plena vou deixar de sentir, pensar, vou ficar alienado?

Não vai não. Antes de tirar conclusões apressadas, experimente. Essa é uma das máximas do Buda.

Não deixamos de pensar e de sentir, apenas o fazemos com mais qualidade.
Aprendemos a perceber quando estamos julgando e decidimos o que fazer no exato momento em que
O julgamento nos vem a mente. Decidimos se o deixamos ir em frente, se o observamos com cautela para ver onde ele vai parar, e o deixamos se dissolver, se lhe damos corda e o intensificamos, ou se o paramos no ato.
Com a prática da Atenção Plena nossa percepção das coisas fica mais aguçada, mais clara, lúcida. É como um filtro, só passa o que queremos que passe, o que deixamos passar.
Então podemos escolher.
Alguém pode pensar: “Ah, mas isso é se auto-policiar o tempo todo!”
É e não é, depende do nosso grau de entendimento (discernimento). Do quanto se é flexível ou inflexível consigo mesmo, com pessoas ( seres vivos em geral), e situações. Ai também entra o exercício da paciência.
Só deixamos de ser alienados quando despertamos por completo. Podemos ir melhorando, até ficar completamente desalienado.

Mesmo quando temos um despertar superficial (daí-kenshô), que já é uma grande coisa, até um médio kenshô ou satori ( iluminação mais intensa até a Iluminação propriamente dita), abertura da mente, insight, ainda continuamos a julgar.
Nada muda e tudo muda, pelo menos por um tempo, até se cair na real de novo.

Continuamos “aparentemente” a mesma pessoa. Isso significa que ainda podemos mudar ou que podemos ficar na mesma ou até retroceder. Nossos problemas estão do outro lado da porta nos esperando, não foram embora. Continuamos com os mesmos defeitos. Portanto Iluminação não é Fuga do Mundo Aqui e Agora.

-Então porque vou querer isso se nada vai mudar?

Iluminação não é mágica, é algo que se conquista na prática diária. Não cai do céu. Não é para se sentir bem e continuar alienado. Tem que trabalhar duro por ela. Sem apego, sem expectativas, não é uma busca egoísta, é por todos os seres. Porque se vc. melhora, todo o mundo melhora. Por que de fato ela já existe, só precisa despertar, abrir a porta, se desarmar e deixa-la entrar... Como se diz no Zen “deixar cair”, a couraça que nos envolve e impede que a Luz passe.
Se não prestamos atenção, nossos defeitos podem se intensificar, por isso a prática da Atenção Plena é importante. Ela é importante em todas as etapas do Caminho Óctuplo. Eu diria que é fundamental em todo o Caminho.
Nesse momento em que sua mente ou seu coração se abrem, durante e depois daí-kenshô, a Atenção Plena é crucial. Se nossa atenção não estiver forte, é mais difícil cairmos nas ciladas do ego.

Quais ciladas?

- Nos sentirmos especiais: “Agora sou iluminado, sou especial.”
-Ficamos orgulhosos e arrogantes, nos comparamos aos outros e nós achamos melhores.
-Achamos que ter chegado ao daí-kenshô (iluminação superficial), chegamos ao Satori. Achamos que é fim da prática, e não precisamos mais fazer nada, “já sou iluminado”, então relaxamos na prática e o daí-kenshô evapora.
Temos que começar tudo do zero. É como estar com um pé no paraíso e outro no inferno. Temos que escolher qual vamos retirar primeiro, se vamos a diante ou ficamos nisso mesmo.
Quando acontece uma abertura da mente, por menor que seja, é ai que temos que intensificar nossa prática, torná-la mais forte, prestar atenção no nosso comportamento, como estamos agindo, como estamos pensando, como estamos lidando com a situação, se estamos vaidosos. Se houver necessidade, é melhor procurar um mestre-professor do dharma para conversar do que ficar viajando na maionese.

Acima de tudo, bastaria voltar para a prática, como se nada de especial tivesse acontecido.
Volte para a almofada, lá onde tudo se desfaz. Volte à prática da Atenção Plena,
onde todas as ilusões podem ser dissolvidas.

Experimente esse exercício: Atenção Plena

Vc. está andando na calçada, então vc. determina:
vou até aquela placa, porta, árvore... sem pensar em nada.
Comece com distâncias pequenas e vá aumentando.
Não é fácil, mas treinando assim se consegue algum resultado.
Se não der certo tente um mantra: MU, OM, serve, e fique repetindo
respirando e inspirando, pelo menos bloqueia
a tagarelice habitual.
Preste atenção, vc. não vai ficar andando como um zumbi no meio da rua.
Melhor começar em casa, e depois ir ampliando para outros ambientes.
Não olhe para os lados, olhe apenas para frente, no ângulo do
horizonte a sua frente. Se olhar para as pessoas, carros, etc, não repita
mentalmente o nome das coisas: carro, criança, cachorro. Apenas olhe sem pensar sobre elas.
Não fique fazendo julgamentos: que lindo, que feio, frio, quente,...
Vc. pode ir aprimorando esse exercício. Pode expandi-lo para outras
situações. Tente olhar uma revista ou jornal, ver TV, novela, etc sem julgar os
fatos, apenas observar, sem ruminar sobre o que vc. vê ou ouve ou lê. Vá tentando
nas situações mais corriqueiras:comer, tomar banho, abrir e fechar a porta.
Quando o telefone toca, não pense quem pode ser, apenas atenda o telefone!
Com o tempo acaba funcionando.
Ah! Preste atenção ao atravessar a rua, estar atento não significa se desligar da
realidade a sua volta. Vc. a percebe, mas não a controla o tempo todo, como se
sua mente fosse o senhor do tempo e do espaço.
Não se trata de levar isso a ferro e fogo. É apenas uma prática. Ninguém fica sem pensar e
sem julgar o tempo todo!
Se pratica-la de forma correta, sem excessos e sem apego, vc. não vai ficar insensível, frio, ou
alienado, muito pelo contrário. Não vai ficar menos ou mais, vai passar a filtrar os pensamentos, sentimentos e
situações e decidir entre deixar passar, o que e quanto, ou não.

O que é um Sesshin?
Retiro

"É uma crise artificial.
Cria-se uma tal situação que o mundo lá fora passa a parecer um sonho,
nada existe senão aquela dor de ficar imóvel, de não ter estímulos e ter
que olhar apenas suas próprias memórias, suas fantasias,
até que se esgotem cansadas e caiam junto ao rodapé da parede que olhamos.
Sesshin quer dizer "limpeza", limpeza da mente. Uma mente saneada de tudo,
pode enfim ver o mundo sem o filtro de opiniões e idéias. Não pode ser
fácil, tem que ser difícil, um como mergulho na morte, um abandono da
vida, para que possamos retornar a ela com os olhos de uma criança sem
condicionamentos. Inocente e maravilhada. É a procura de trocar os nossos
olhos cheios de traves pelos olhos límpidos de Buda. É a criação da condição que
pode nos levar a iluminação.
Atentos a tudo, sem música, sem livros,
sem palavras, apenas ouvindo o Dharma e meditando, movendo o corpo em trabalho minucioso.
É uma benção mexer uma panela no fogo! Uma delícia comer devagar.
Tudo vai ficando lindo a medida que a mente assenta em sua natureza
original. Após o seshim parecemos loucos, encantados com um mero pingo de
água em uma folha. Palavras agressivas parecem chuva na primavera, é como
se escorressem por nós sem deixar traço, não nos alteramos facilmente. Apenas
com o correr dos dias retornamos as nossas reações normais, mas não
igualmente, um pedaço de nossa casca foi retirada
. Com a repetição nosso
rosto se altera.
Após um sesshin ouvi um homem dizer: - Agora sei por que
ele (o mestre) é assim...
Ele havia levantado uma ponta do véu."
Sobre o que Buda disse...

Buda não estabeleceu nada. Depois de 100 anos um conselho de monges decidiu tomar nota do que havia sido dito ou sussurrado ao Ananda pela Mente de Buda, que não deixou de existir só porque um corpo físico já não existia mais, como os discípulos o fizeram com os Evangelhos.
Buda nunca disse : « Tomem nota, eu vou falar. »
« Hei, Ananda, vc. está tomando nota? »
Jesus o mesmo.
Já Maomé.... bem, acho que o anjo disse algo assim: « Tome nota.... » : ), Ou o próprio Maomé diz que um anjo "ditou" os versos e ele tomou nota (na sua mente) mais tarde os escreveu de fato. Quando os muçulmanos se referem ao Alcorão dizem: "O Profeta disse.....".
Assim como os cristãos dizem: "Jesus disse..."
e os Budistas dizem: "Buda disse...."
São meras convenções ou ilusões se preferirem, mais um motivo de apego e muitas desavenças.

14 setembro, 2002

Ter um piti é...

Se vc. tiver um piti você teve "um deleite da atenção estável e da mente calma"
No dialéto do Buda (o páli) vc. teve um: êxtase.

Ah, tem a Sutra Piti que significa ruptura.
Nada a ver com o nosso piti.

Em inglês ter um piti=YELL

[to shout (words) or make a loud noise, when you get someone attention
or because you are angry, excited or in pain]

(em bom português: fazer um escândalo)
Tem Alguém na Porta

Volta e meia alguém me pergunta se eu sou japonesa.
Será que é por causa dos dois olhinhos puxados ali em cima?
Aproveitando...os caracteres que estão no topo da página significam
ZEN. Eu os vi hoje na capa de um livro que se chama:
Textos Budistas e Zen Budistas.
Pra falar a verdade, nunca vi nenhum senso sobre o budismo no Japão, nem sei se tem,
mas desconfio que lá o que menos tem é budista. Os japoneses são predominantemente
Xintoístas, uma mistura de budismo com esoterismo. Com deuses e divindades.
Tem muita seita no Japão, e suspeito pelo mundo a fora, pois atrair adeptos e suas doações parece ser mais importante que mostrar-lhes o caminho.
A prática está mais ligada ao culto de reza, pedidos de prosperidade, saúde,milagres,...Tudo que
não precisa fazer muito esforço, ou vc. vai lá no culto e depois tá livre pra continuar a mesmíssima
pessoa de sempre. É claro que todas enfatizam a prática na vida cotidiana, mas não ficam pegando tanto
no pé, presopõe-se que cada saiba dos preceitos e esteja pondo-os em prática. Ledo engano.
Aqui no Brasil, os orientais praticam mais nesse estilo (culto tipo igreja), e quando não encontram, preferem os católicos, evangélicos.
O Zen, mais simples, mais próximo do original, aparentemente mais clean, eles em
geral não se identificam, porque não se busca benefício pessoal e sim de tudos os seres.
Realmente se estuda e se tenta pôr em prática o que se aprende. É claro que tem muitos preguiçosos
que seguem o mesmo rumo da maioria,acham que só sentar uns minutos por dia é o suficiênte, e estão livres do seu carma para todo sempre. : )
Vc. não vai meditar, assumir compromisso com os preceitos,como um
ato de sacrifício que vai te resultar em recompensas materiais.
Eu vou daqui até Aparecida a pé, mas em troca eu quero a cura do fulano. Eu vou fazer o Caminho de
Santiago ou o Caminho do Buda, assim eu voltarei mais espiritualizado, ou santo, minha vida vai melhorar.
É tudo fuga do centro, de si mesmo. Tudo está aqui e agora diante de nós esperando como um cãozinho que dorme fora de casa e espera vc. acordar para entrar dentro e fazer a festa.
Mas vc. dorme, dorme, e esquece do cãozinho esperando na porta. Vc. sabe que ele existe, mas vc. deixa pra depois, vc. dorme e dorme. - E vc. pensa:
“Ah, ele pode esperar”.
Com certeza pode, mas vc. não pode esperar.

Vivemos em tempos difíceis. Vemos grandes possibilidades que essas condições
fiquem ainda piores. ”Se há alguma possibilidade de iluminação, ela existe exatamente agora, não em alguma época futura.
A HORA É AGORA
Pema Chödrön [Quando tudo se Desfaz]


Então, vá logo abrir a porta , não necessariamente para uma religião-instituição-tradição- filosofia, etc, mas PARA VOCÊ
E quem vai entrar e fazer a festa no seu coração é o SAGRADO SEM NOME , SEM FORMA.

Ainda dá tempo, pois nessa jornada o mais importante é chegar, não no budismo ou
em qualquer outra religião, mas do outro lado da margem. Não há tempo a perder.
Comece já!

13 setembro, 2002

Os Quatorze Preceitos


1. Não idolatrar nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, seja qual
for, incluindo o Budismo. Os sistemas de pensamento budistas deveriam
ser considerados como guias para a prática e não como a verdade
absoluta.

2. Não imaginar-se possuidor de um saber imutável ou da verdade
absoluta. Deve-se evitar a estreiteza mental e o apego aos próprios
pontos de vista. Aprender e praticar a estrada do desapego com o
propósito de permanecer aberto aos pontos de vista dos outros. A
verdade só pode ser encontrada na vida e não nos conceitos. É
fundamental estar disposto a continuar aprendendo durante toda vida e
observar a vida em si mesmo no mundo.

3. Não forçar os outros, incluindo as crianças, a adotar nossos
pontos de vista por quaisquer meios sejam quais forem: autoridade,
ameaça, dinheiro, propaganda ou educação. Respeitar as diferenças
entre os seres humanos e a liberdade de opinião de cada um. Saber,
porém, usar o diálogo para ajudar aos outros a renunciar ao fanatismo
e à estreiteza de espírito.

4. Não evitar o contato com o sofrimento nem fechar os olhos ante
ele. Não perder a plena consciência da existência do sofrimento no
mundo. Encontrar meios de aproximação dos que sofrem, seja por
contatos pessoais, visitas, imagens, sons... Despertar em si e nos
demais a consciência da realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumular dinheiro nem nenhum bem ambiciosamente enquanto
milhões de seres sofrem fome. Não converter a glória, o lucro, a
riqueza ou os prazeres sensuais em metas de vida. Viver simplesmente
e compartilhar o tempo, a energia e seus recursos pessoais com
aqueles que estão na necessidade.

6. Não conservar a raiva ou o ódio em si. Aprender a examinar e a
transformar a raiva e o ódio quando eles ainda não são nada mais que
sementes nas profundezas da consciência. Quando a raiva e o ódio se
manifestarem, devemos enfocar a atenção na respiração e observar de
maneira intensa com o propósito de ver e compreender a natureza desta
raiva ou ódio, assim como também a natureza das pessoas que
supostamente são a sua causa. Aprender a olhar os seres com os olhos
da compaixão.

7. Não perder-se deixando-se levar pela distração ou pelos
acontecimentos externos. Praticar a respiração consciente e enfocar a
atenção no que está acontecendo neste momento presente. Entrar em
contato com tudo aquilo que seja maravilhoso, pleno de vigor e de
frescor. Semear em si as sementes da paz, de felicidade e da
compreensão com o propósito de ajudar o processo de transformação nas
profundezas da consciência.

8. Não pronunciar palavras que possam semear a discórdia e causar a
desarmonia da comunidade. Por palavras serenas e com atos
apaziguadores, fazer todo o esforço possível para reconciliar e
resolver todos os conflitos, por menores que sejam.

9. Não dizer falsidades para preservar o próprio interesse ou
impressionar a outrem. Não pronunciar palavras que semeiem a divisão
e o ódio. Não difundir notícias sem a segurança de que elas estão
certas. Não criticar nem condenar aquilo sobre o que não se está
seguro. Sempre falar com honestidade e de um modo construtivo. Ter a
coragem de dizer a verdade sobre as situações injustas mesmo que
nossa própria segurança esteja ameaçada.

10. Não usar a comunidade religiosa para o interesse pessoal nem
transformá-la em partido político. A comunidade em que se vive deve
sem embargo ter uma posição clara contra a opressão e a injustiça e
esforçar-se para alterar a situação sem comprometer-se em conflitos
partidários.

11. Não exercer profissões que possam causar dano para os seres
humanos ou à natureza. Não investir nas companhias que exploram os
seres vivos. Escolher uma ocupação que ajude a realizar o próprio
ideal de vida com compaixão.

12. Não matar. Não permitir que outros matem. Procurar todos os meios
possíveis para proteger a vida e prevenir a guerra. Trabalhar para o
estabelecimento da paz.

13. Não querer possuir qualquer coisa que pertença a outrem.
Respeitar os bem dos outros, mas procurar impedir qualquer
enriquecimento à custa do sofrimento de outros seres vivos.

14. Não maltratar o corpo. Aprender a respeitá-lo. Não considerá-lo
unicamente como um instrumento. Preservar a energia vital (sexual,
respiratória e do sistema nervoso) pela prática do Caminho. A
expressão sexual não se justifica sem amor profundo e sem
compromisso. Concernente às relações sexuais, tomar consciência do
sofrimento que pode ser causado a outras pessoas no futuro. Para
preservar a felicidade dos outros é necessário respeitar seus
direitos e compromissos. Ser completamente consciente da própria
responsabilidade no momento de decidir trazer para o mundo uma nova
vida. Meditar sobre o mundo para o qual nós trazemos estes seres.

Por [Tam Hao Van]
[Preceitos da Escola Lam Te, dirigida pelo Mestre Zen Vietnamita Thich Nhat Hanh]

12 setembro, 2002

Cada Dia um Instante Feliz

As flores perfumadas na primavera, a lua prateada no outono.
A brisa fresca no verão, a branca neve no inverno.
Se a mente não se turva ante perguntas banais,
Cada dia será um instante feliz na vida dos homens.
[Koan]
Mestra Heila Downey no Brasil!

De 6-15/Set estará em BH
dando um curso sobre budismo e dois retiros de fim de semana.

10 setembro, 2002

Surpresa e Presente



Hoje minha amiginha de Sampa me enviou um song desse CD.
"Proud", o presente.
Eu ainda não conhecia a Heather Small. Lindo! So spiritual!
Para ouvir aqui e ver as letras aqui

A surpresa....Ela está fazendo caminhadas com Monja Coen nos parques de
Sampa, indo às palestras e vai começar a prática, Zazen!
Vá em frente, não há tempo a peder!

Comece Já!

Se você é novato na prática, é importante saber que ficar apenas sentado na
almofada durante quinze minutos já é uma vitória.

Charlotte Joko Beck [Coletânea de textos de palestras da mestre zen norte-americana,San Diego Zen Center,US]

A Mente Ornamental

A mente é como um parque de diversões. A mente é vista como um filme de ficção
científica cheio de ação e efeitos especiais ou como uma comédia romântica.
A mente é como uma suite de lua-de-mel em Las Vegas.
A mente é como uma boate, um romance de
Suspence, um jogo de estratégia, uma catedral barroca ou como um navio de luxo.

Goffrey E. Miller [A Mente Seletiva, Ed. Campus,p.169-70]

Poderia ser a mente também um pavão, cheia de diferentes e inesperadas cores, luzes.
Uma caverna escura e silenciosa. Uma trilha que pensamos conhecer em uma floresta
que nos surpreende a cada passo, e que inesperadamente faz os olhos se maravilharem
diante da sua grandeza e suas imensas possibilidades.

09 setembro, 2002

Outro Poeta Zen

Escrever nem uma coisa nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.

Maonel de Barros
[V-Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada]

08 setembro, 2002

Psi & Budismo

David Branzier

-Zen Therapy

-The New Buddhism

Robert Rossenbaum

Zen and the haert of psycotherapy


Jack Kornfield

-After the Ecstasy, the Laundry
(Depois do Êxtase Lave a Roupa Suja)
-Um Caminho para o Coração
-Uma Tranqüila Lagoa na Floresta
-Buda: Pequeno Manual de Instruções

Joseph Goldstein

-A Experiência do Insight
-Meditação e Visão Interior

Mark Epstein

-Pensamento sem Pensador
-Partir-se sem Quebrar

Ryotan Tokuda Igarashi

-Psicologia e Budismo
O Mestre dentro de cada um


Às vezes as pessoas dizem que, sem um mestre, a meditação pode
provocar confusão e desequilíbrio, mas nem sempre é possível
encontrar um mestre altamente desenvolvido. Esses indivíduos
são raros, embora com freqüência seja possível encontrar mestres
que ainda não realizaram totalmente o Caminho.
Se você não puder estudar com um mestre realizado,
a maneira mais inteligente de praticar é confiar
basicamente no mestre que existe dentro de você.
[Thich Nhat Hanh]

07 setembro, 2002

Sem Julgamentos

"Abandone seus julgamentos, seu espírito crítico.
Você não conhece a motivação real das pessoas. Ignora seu passado.
O que você sabe, verdadeiramente, da vida atual delas?
Por que, então, ater-se às formas exteriores?
Aceite as pessoas como elas são, ame-as.
Rejeitá-las não as ajudará a mudar.
O amor e a confiança que lhes demonstrar poderão,
por outro lado, operar milagres."
[ Dalai-Lama]
Dialogando com Cecília II
Motivo
(1.causa, razão, 2.fim, intuito,3.tema ou idéia principal, música, tecido)

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
-Aí está alguém que vive o instante. Uma poesia ou uma poeta iluminada?
-Pois que necessidade teria alguém que tem a vida completa de mostrar-se incompleto?
Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta.
-Humm! Cecília não é dualista. O budismo não é dualista. Seria Cecília Budista? :) Ah, os vícios da lógica. Blincadelinha, Cecília!
Irmão das coisas fugidias
-Seriam ilusões essas coisas fugidias?
Não sinto gozo nem tormento.
-Sinal de iluminação?
Atravesso noites e dias no vento.
-Oh! o Vazio!
Se desmorono ou se edifico,
- Melhor edificar, mas desmoronar às vezes é inevitável.
se permaneço ou me desfaço,
-Permanecer é apego, desfazer-se do apego é imprescindível.
Pois no fim tudo se desfaz. Só há permanência no samsara.
-não sei, não sei.
-Uau a máxima zen! A dúvida faz parte do amadurecimento.
Trate de não saber mais.
Não sei se fico ou passo.
-Fique Aqui e Agora, mas quando chegar a hora passe, passe correndo.
Pois é melhor passar do que ficar, ficar é a ilusão, passar é o TODO!
Sei que canto.
-Não cante muito alto, pois não poderei ouvir tua voz. [Dito por Emerson, o poeta, filósofo, ensaísta...]
E a canção é tudo.
-Não minha cara Cecília, ai estas enganada.
A Atenção Plena é tudo. Mas podes cantar mantras, recitar sutras...
Tem sangue eterno e asa ritmada.
- Estavas indo tão bem minha cara Cecília, porque descambaste agora no final? Medo? Ah, vcs. poetas, começam bem, mas em algum lugar sempre estragam tudo!
E um dia sei que estarei mudo: - mais nada.
-Bravo! O silêncio. No fim não me decepcionaste!
Era isso mesmo, no fim o NADA.

Cecília Meireles [Motivo]
Haiku da Borboletinha

okiyo okiyo waga tomo ni sen neru kochô

Acorda, acorda!
Vem ser minha amiga,
Borboletinha que dorme!


Bashô
[Haicais Clássicos]

Acorda, acorda!
Kaatz,kaatz!
[versão Rinzai]

06 setembro, 2002


Um caminho termina e outro começa. Uma porta se fecha, outra se abre.
Você atinge um pico, sempre existirá um pico mais alto.
Aqueles que não julgam estão satisfeitos simplesmente
em viver o momento presente e de nele crescer.
Somente estes serão capazes de caminhar...

05 setembro, 2002

Hoje recebi este lindo Card de uma amiga que está indo
para um retiro nas montanhas.
Ela me deseja Harmonia, exatamente o que sinto Agora.
Eu desejo-lhe: Boa Viajem, Encontro, Discernimento, Despertar e Harmonia.


Quando o discípulo aprende a aprender, ele iguala-se ao mestre.
[Provérbio chinês]
A Mestra Zen Heila Downey estará em São Paulo
neste dia 5 de Set,
às 20:00 proferindo uma palestra
no Templo Tzon Kwan
Rua Rio Grande, 498 - ViIla Mariana -SP
Telefone: (11) 5084-0363.



04 setembro, 2002


Buda & Arte



Não sabia que que Niki de Saint Phalle havia morrido, muito menos que tinha essa escultura, chamada Buda.

Whenever I think about human biengs
I am convinced we have everything within:
Conscience, creativity, stupidity, devil and God.
[Niki de Saint Phalle]



02 setembro, 2002

Dialogando com Cecília I

Interlúdio
(trecho instrumental entre as partes de uma música, peça)

As palavras estão muito ditas
-É verdade, melhor a ausência de palavras.
e o mundo muito pensado.
-Outra grande verdade. Mas há solução, basta desfazer-se das palavras!
Fico ao teu lado.
-se queres...
Não me digas que há futuro nem passado.
-Não, nada direi sobre isso, pois só acredito no presente.
Deixa o presente — claro muro sem coisas escritas.
-Que discernimento tens minha cara! É isso mesmo! Deixa o presente.
Queres que eu me vá?
Não fales,
-Sem nada dizer, apenas ir?
Não me expliques o presente,
-Sim, prometo, nada há que explicar-te. Pois o presente é.
pois é tudo demasiado.
-Sim, há demasiado demais, até mesmo no presente.
Em águas de eternamente,
-Que águas são essas minha cara?
Seria a eterna correnteza que pode tanto nos trazer de volta ao sofrimento
como nos levar para o outro lado da margem?
o cometa dos meus males afunda, desarvorado.
-Lá vem vc. com metáforas! Tinha que afundar? Estavas indo tão bem.
De novo o medo de ir em frente.
Fico ao teu lado.
-Então, ficas? Mas te advirto que sou imperfeita.

Cecília Meireles [Interlúdio]

01 setembro, 2002

Uma máxima Zen dita por Daiju:

"A vida deve ser vivida, não pensada".


by Mario Bitt-Monteiro

O elefante selvagem da mente, há muito tempo acostumado
a vagar pela floresta dos desejos, não aceita a domesticação de
bom grado, ou ser amarrado ao poste da prática com as correias da atenção plena.
No entanto, a diligência e o zelo irão finalmente assegurar os frutos da tranqüilidade.
[Bhikkhu Khantipalo]