21 agosto, 2002

Isso é tudo. Tudo é nada

Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa.
Acenda um incenso de sândalo. Sente-se com as costas bem retas.
Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima,
e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita,
de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo,
até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.

Pare aí. Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca.
Relaxe os ombros. Inspire novamente e solte o ar pela boca.
Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua
no céu da boca e respire pelas narinas. Mantenha
os olhos entreabertos, apenas pousados à sua frente.
Ouça todos os sons. Sinta todas as fragrâncias. Perceba o ar,
a temperatura em sua pele. Você está pensando?
Ou não está pensando? Verifique sua postura. Costas eretas.
Cabeça como se um fio puxasse para o céu.
Pernas firmes pela força da gravidade. Não julgue.
Nem certo nem errado, nem bonito nem feio. Seja.
Apenas sentar. Inter-sendo com tudo que existe.
Que bom estar viva. Este instante aqui e agora é o céu e a terra.
Isso é tudo. Tudo é nada.
[monja Coen]

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