30 agosto, 2002

Desapego

Somos como crianças construindo um castelo de areia.
Nós o enfeitamos com lindas conchas, pedaços de madeira
e caquinhos de vidro colorido. O castelo é nosso, sabemos que,
inevitavelmente, ele será levado pela maré. O truque está em
desfrutar dele ao máximo, sem se apegar e, quando chegar
uma onda, deixar que ele se dissolva no mar.

Permitir que as coisas se dissolvam é, às vezes, chamado de desapego,
mas sem a qualidade fria e distante que freqüentemente se associa
a essa palavra. Neste caso,o desapego inclui mais bondade
e profunda intimidade. Na verdade,é um desejo de conhecer
semelhante à curiosidade de uma criança de três anos
.
Queremos conhecer nossa dor para podermos parar
de fugir interminavelmente. Quereremos conhecer nosso
prazer para podermos parar de agarrar-lo continuamente.
Então, de algum modo, nossas perguntas tornam-se
mais amplas e nossa curiosidade, mais vasta. Queremos entender
a perda, de modo que possamos compreender os demais quando
sua vida desmorona. Queremos entender o ganho, para que
possamos compreender outras pessoas quando estão
encantadas ou quando se tornam arrogantes, empolgadas e envaidecidas.
Fica também bastante óbvio que as pessoas precisam de ajuda e que não
há como ajudar alguém sem antes começar consigo mesmo.
Nossa motivação para a prática começa a mudar e desejamos
nos tornar mais suaves e sensatos pelo bem de outras pessoas.
Pema Chödrön.[Quando Tudo se Desfaz:Instruções para tempos difíceis, Gryphus]

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