31 agosto, 2002

Conhecimento e Sabedoria

Para adquirir conhecimento, acrescente coisas a si todos os dias.

Para adquirir sabedoria, remova coisas de si todos os dias.



Bom Humor

O monge Shouduan de Baiyun era muito ativo, mas não tinha senso de
humor. Seu mestre, Yangqi, certa vez lhe perguntou:

- Quem foi seu mestre anterior?
- O monge Chaling Yu.
- Ouvi dizer que ele obteve iluminação quando escorregou de uma ponte
e caiu na água. Até mesmo escreveu um poema sobre isso.
- Sim, e ainda me lembro do poema:

"Tenho uma pérola brilhante,
Por muito tempo obscurecida pelo pó;
Agora o pó se foi e o brilho voltou
Iluminando os rios e as colinas
."

- HA! HA! HA! HA!
- ???

Shouduan não conseguia entender o que o seu mestre achara tão
engraçado e por isso não dormiu a noite toda.
Na manhã seguinte, bem cedo...

- Por que riu tanto com o poema do monge Yu?
- Viu aquele palhaço que veio aqui ontem?
- Sim.
- Há um aspecto em que você é inferior a ele.
- E qual é, mestre?
- Ele gosta que as pessoas riam, e você tem medo quando elas riem.

Ao ouvir aquilo, Shouduan obteve iluminação.

Tsai Chih Chung [Zen em Quadrinhos, Ediouro]

30 agosto, 2002

Desapego

Somos como crianças construindo um castelo de areia.
Nós o enfeitamos com lindas conchas, pedaços de madeira
e caquinhos de vidro colorido. O castelo é nosso, sabemos que,
inevitavelmente, ele será levado pela maré. O truque está em
desfrutar dele ao máximo, sem se apegar e, quando chegar
uma onda, deixar que ele se dissolva no mar.

Permitir que as coisas se dissolvam é, às vezes, chamado de desapego,
mas sem a qualidade fria e distante que freqüentemente se associa
a essa palavra. Neste caso,o desapego inclui mais bondade
e profunda intimidade. Na verdade,é um desejo de conhecer
semelhante à curiosidade de uma criança de três anos
.
Queremos conhecer nossa dor para podermos parar
de fugir interminavelmente. Quereremos conhecer nosso
prazer para podermos parar de agarrar-lo continuamente.
Então, de algum modo, nossas perguntas tornam-se
mais amplas e nossa curiosidade, mais vasta. Queremos entender
a perda, de modo que possamos compreender os demais quando
sua vida desmorona. Queremos entender o ganho, para que
possamos compreender outras pessoas quando estão
encantadas ou quando se tornam arrogantes, empolgadas e envaidecidas.
Fica também bastante óbvio que as pessoas precisam de ajuda e que não
há como ajudar alguém sem antes começar consigo mesmo.
Nossa motivação para a prática começa a mudar e desejamos
nos tornar mais suaves e sensatos pelo bem de outras pessoas.
Pema Chödrön.[Quando Tudo se Desfaz:Instruções para tempos difíceis, Gryphus]

29 agosto, 2002

Agora eu sei

Fui andar depois da meditação. Me sentia tão bem e contente, mas derepente
comecei a me sentir um pouco tonta, o corpo pesado.
Enquanto caminhava, estive pensando como as coisas têem se encaminhado
ao encontro daquilo que eu preciso,ver,sentir, e aprender. Como o inevitável tem
colocado em meu caminho: o momento certo,as pessoas certas, tudo num aranjo
perfeito, límpido.
Tive que sentar-me em um banco. Respirei várias vezes. As lágrimas vieram.
Eu soube que estava diante de algo que não tinha mais porque voltar, parar, mesmo desistir.
Agora eu sei porque, agora eu sei.


"Se as portas da percepção forem abertas as coisas irão surgir como realmente são, infinitas".

[William Blake]

28 agosto, 2002

As Quatro Confianças: tradução revisada e comentada


Buda estabeleceu o princípio das quatro confianças:

1.Não confie na pessoa, confie na doutrina.

-Quer dizer, não olhe o mestre como repositório da perfeição,
não tente idolatra-lo. Um bom mestre cada vez que os alunos tentam coloca-lo
em um pedestal trata de puxar-lhes o tapete. Como na história de mestre
Tokuda que respondeu uma pergunta, olhou para o lado e perguntou com uma
careta à minha esposa, sua aluna, "falei besteira, não foi?". Esta humildade
é que é a doutrina além da pessoa, o mestre também tropeça, também deixa
cair comida na toalha. Sua realização transparece onde não se espera.

2.Sobre a doutrina, não confie nas palavras, confie no significado.

- As palavras são cheias de armadilhas, é praticamente impossível ensinar o
zen com palavras. As anedotas e historietas são melhores por pedirem um
"salto" mental de compreensão que se explicado perde a graça. Um texto famoso
como o Sutra do Diamante termina com Buda "retirando as palavras" que
proferiu já que elas são pálida idéia do que pretendia transmitir. Esta uma
razão para o zen budismo insistir na transmissão "i shin den shin", da minha mente para a sua mente.

3.Com relação ao significado, não confie no significado
sujeito à interpretação, confie no significado definitivo
.

-As discussões sobre o significado das palavras, sua etimologia, seu
contexto, embora úteis o são apenas relativamente, em geral, geram apenas
mais discussão bizantina, referências a mais textos, orgulho erudito, e
perdem o aluno no emaranhado vasto dos textos, uns contestados outros
acusados de apócrifos etc...Melhor calar e tentar apreender o significado
último que vem através de insights intransmissíveis por raciocínios. O mapa
não é o caminho, os textos são mapas, mas não tem nada a ver com o cansaço,
o perfume do vento, os calos nos pés, o gosto da água do cantil quando
estamos com sede, nem com a alegria da vista da montanha, este é o caminho
real, ninguém pode trilhar por você.

4.Com relação ao significado definitivo, não confie na
mente ordinária, confie na Grande Sabedoria [prajna]
.

- A mente ordinária é individual, quer entender para si. Não percebe que
todo o universo respira junto com ela. Na outra margem existe uma mente que
não é a sua, mas a qual vc pertence indissociavelmente. Atingida esta
Grande Sabedoria não há mais dúvida, tampouco explicações. O significado
definitivo não pode ser abrangido pela mente ordinária que pensa e cogita,
por esta razão as discussões são em última instância, inutilidades, milhares
de anos de filosofia não atingiram a outra margem, mas geraram muitos
combates. É preciso estar além da mente ordinária, cala-la para que a Grande
Sabedoria tenha espaço para se manifestar.

27 agosto, 2002

Zen: Jap; Ch'an (Chin.); um ramo do Budismo Mahayana que se desenvolveu na China durante os séculos VI e VII depois da chegada de Bodhidharma; depois dividido em Escolas Soto e Rinzai; Zen enfatiza a importância da experiência do despertar e a futilidade do pensamento racional, do estudo intelectual e dos rituais religiosos para conseguir isto ( o despertar); um elemento central do zen é o zazen , uma prática meditativa na qual se tenta deixar a mente livre de todos os pensamentos e conceitualizações.

26 agosto, 2002

Qualidades & Obstáculos



Muitas vezes o que achamos que são nossas
qualidades são na verdade nossos obstáculos,
e o que achamos que são obstáculos, são nossas qualidades.

[Lama Sherab]

25 agosto, 2002

Jack Kerouac Haiku’s

Early morning with the
happy dogs--
I forgot the Path

The dog yawned
and almost swallowed
My Dharma
-------------------------------
Cedo com
alegres cães—
esqueci o Caminho

O cão bocejou
e quase aceitou
Meu Dharma


Mais Kerouac Haiku’s

24 agosto, 2002

Acorda!

Katsu! ou Kaatz! (jap.)

Grito gutural e trovejante dado pelos Mestres do Zen Rinzai.
Usado para deter todos os pensamentos dualistas,
egocêntricos, e discursivos.
Não tem tradução, mas pode-se dizer:
Desperta!
Acorda!

Novidades!

Agora o blog tem uma agenda zen. Dê uma olhada na lista de links ou
na Agenda Zen

Floripa Zen Katsu!

Também criei uma Mail List para quem mora em SC e Floripa.
Refúgio

Que tipo de refúgio o budismo oferece?
Como se diferenciam budistas de não-budistas?
Considerando-se a definição de refúgio, um budista é alguém que aceita o Buda, a sua doutrina,
e a comunidade espiritual como refúgio final.
Do ponto de vista da filosofia, um budista é alguém que aceita as "Quatro Visões”
que garantem que uma doutrina é budista.
Com relação aos três refúgios, chamados
Três Jóias, diz-se que Buda é o mestre do refúgio, mas que
o “verdadeiro” refúgio é o Dharma, a doutrina.
O próprio Buda disse: “Eu ensino o caminho da liberdade.
A própria liberdade depende de vc.”
Da mesma perspectiva disse Buda: “Vc. é o seu próprio mestre.”
A comunidade espiritual é formada por aqueles que auxiliam vc. a atingir o refúgio.

Dalai-Lama [Sobre o Budismo e a Paz de Espírito]

23 agosto, 2002

Hoje, eu estava fazendo prostrações.
Quando me abaixava ouvi um, crack, crack.
Só fui saber o que era quando me levantei.
Era o pijama que estava rasgando!

Meu pijama com coraçõesinhos vermelhos, escrito: Amor, be mine,
felicidade,kisses, I love you, crack, crack.
E ele ser meu. Eu amai, e fui feliz com ele.

Já estou com outro. Este tem florzinhas azuis e vermelhas.
O resto é passado.

22 agosto, 2002

A Vida é cheia de Possibilidades

Deixa eu relatar o que aconteceu comigo quando raspei o cabelo pela primeira vez.
Eu queria com isso testar minha vaidade, como eu iria me sentir sem cabelos.
Demorei uma semana para decidir. Fui lá e cortei.
Eu não me senti estranha, não senti falta de nenhum fiozinho do cabelo perdido.
O que eu senti foi a estranheza das pessoas.
Ao invés de eu a dona do cabelo me sentir desconfortável,
outras pessoas que eu nem conhecia se sentiram desconfortáveis.
Eu não provoquei este desconforto nelas.
Elas já o tinham consigo por alguma razão desconhecida por mim.
Talvez algumas tenham pensado por quê? Será que ela está doente?
Que pena uma moça tão jovem! Então olhavam para mim e tomavam minhas
dores onde não havia dor, muito pelo contrário.
Quem me perguntou porque, eu respondi então sorriam ou se zangavam, mas entendiam.
Quando vejo alguém na rua: um mendigo, ou sem teto, eu me pergunto, será que ele está sofrendo?
Em geral nós pensamos que sim, mas quantos param pra perguntar se ele está sofrendo,
logo pensamos: ' Claro que sim, eu no lugar dele', etc, mas e ele?
Será que não é o caso de perguntar antes?
Muitos que são levados à abrigos ou instituições voltam para seu habitat já natural.
A rua é sua casa, é lá que eles sabem viver.
Em uma instituição teriam que aprender a viver de outro jeito.
De um jeito que não é o natural para eles.
De um jeito que exige uma estrutura mínima.
Eles tem estrutura mínima?
E se o mendigo fosse em nossa casa nos convencer
de que é melhor morar na rua do que morar em casas,
acharíamos natural e iríamos sem reclamar?
Se para nós não é natural viver na rua, mas para quem vive lá é.
Não seria o caso de respeitar a escolha do outro?
Pois se ele quisesse viver de outro jeito poderia procurar ajuda,
procurar outro jeito de vida, muitos o fazem, pois as pessoas sabem o que fazer,
a questão talvez seja, querer fazer.
Eu quero viver de outro jeito ou são as pessoas que querem que
eu viva de outro jeito porque o meu jeito de viver lhes é desagradável, díficil de aceitar.
Ser compassivo é respeitar a escolha do outro, mesmo que nos desagrade e perguntar,
antes de mudar a sua vida, se ele quer mudar de vida.
A vida é cheia de possibilidades, sempre vai haver uma que se encaixe em nosso jeito de ser.

Perguntas e Respostas

Imploro-te, o mais que posso,
para que sejas paciente com tudo que está por resolver no teu coração
e que tentes amar as perguntas por si próprias como quartos fechados e como livros
escritos numa língua estranha.
Não procures as respostas que não te poderiam ser dadas,
pois não serias capaz de vivê-las
.
E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
talvez, então, gradualmente sem que notes, vivas até esse dia
distante da resposta.

Rainer M. Rilke [ Cartas a um Jovem Poeta]

21 agosto, 2002

Isso é tudo. Tudo é nada

Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa.
Acenda um incenso de sândalo. Sente-se com as costas bem retas.
Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima,
e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita,
de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo,
até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.

Pare aí. Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca.
Relaxe os ombros. Inspire novamente e solte o ar pela boca.
Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua
no céu da boca e respire pelas narinas. Mantenha
os olhos entreabertos, apenas pousados à sua frente.
Ouça todos os sons. Sinta todas as fragrâncias. Perceba o ar,
a temperatura em sua pele. Você está pensando?
Ou não está pensando? Verifique sua postura. Costas eretas.
Cabeça como se um fio puxasse para o céu.
Pernas firmes pela força da gravidade. Não julgue.
Nem certo nem errado, nem bonito nem feio. Seja.
Apenas sentar. Inter-sendo com tudo que existe.
Que bom estar viva. Este instante aqui e agora é o céu e a terra.
Isso é tudo. Tudo é nada.
[monja Coen]

20 agosto, 2002

A essencia do Repolho



A essência do repolho é ser repolho, não podendo em nenhum momento ser dissociada
dos elementos que o constituem. Se eu insistir em procurar a sua essência
e for arrancando as folhas, elas acabarão e encontrarei um grande vazio.
Francisco Handa [ O que é zen]


19 agosto, 2002

As Quatro Confianças

Buda estabeleceu o princípio das quatro confianças:

1.Não confie na pessoa, confie na doutrina.
2.Sobre a doutrina, não confie nas palavras, confie no significado.
3.Sobre o significado, não confie no significado sujeito à interpretação, confie
no sujeito definitivo.
4.Sobre o sujeito definitivo, não confie na consciência [comum],
confie na sabedoria exaltada.

Dalai-Lama [Sobre o Budismo e a Paz de Espírito]

18 agosto, 2002

O Zen nos leva ao âmago da verdade da vida,
na forma de um rebento que aflora no ramo oriental da
Árvore da Vida – embora, na verdade, se trate de uma prática,
de uma sabedoria ou de uma
experiência acessível a todos.

K.G. Dürckheim [O zen e Nós]

16 agosto, 2002

Às vezes o mestre nem é tão bom assim, mas o aluno é excelente,
e assim funciona também. A relação aluno-mestre é imprescindível.

[Lama Padma Samten]

15 agosto, 2002

Quanto mais díficil for a situação, melhor será a prática.
Em boas condições a prática tende a ser pobre.

14 agosto, 2002

Encontrando seu Ponto Primário

Freqüentemente falo do “Ponto Primário”. O que é o ponto primário?
Quando vc. tem uma escala, e não há nada medindo, os indicadores
do ponto zero. Vc. coloca alguma coisa nela, e o ponto vai para “um quilo”.
Vc. retira o que colocou, e o ponto volta para o zero. Este é o ponto primário.
Depois de achar seu ponto primário, então bons sentimentos acontecem, e maus também,
ai seu ponteiro vai para uma direção ou outra. Mas este não é o problema. Não termina nele.
Quando seus sentimentos cessam com, o ponteiro volta para o zero.
[analogia com uma balança]

Mas se vc. não encontrou seu ponto primário, então é como deixar um objeto pesado
na escala [na balança] até ele marcar “10 quilos”. O ponteiro move-se para o início apenas um pouco,
ele não volta para o zero. Então vc. tem um problema. Sua escala não mede corretamente.
Talvez se vc. colocar um objeto pesado nela, ela estragará completamente.

Assim, primeiro, vc. precisa encontrar seu ponto primário. Então vc. precisa
agarra-lo, bem forte.
Um taxi absorve um choque não muito forte, assim ele chega como um pequeno
impacto e volta e se anula. Um trem tem um grande choque absorvido, se ele for muito
devagar. Se vc. encontra o seu ponto primário, sua mente-de-primavera ficará forte
e forte. Vc. terá grandes problemas, sua mente irá se mover menos e menos.
Um grande problema vem; sua mente se move até ele, mas logo retorna para o ponto
primário. Por fim, sua mente estará muito forte; ele estará pronta para suportar qualquer coisa.
Então, preserva-la de todas as coisas é possível.

[Zen Master Seung Sahn]

13 agosto, 2002

Aversão

Não devemos demonstrar aversão por aquilo que não experimentamos.
Buda costumava dizer que ninguém deveria acreditar em nenhuma de
suas palavras até poder comprova-las por si mesmo na prática.
“Eu ofereço o caminho da felicidade, conquista-la é com cada um.”

12 agosto, 2002

Sê tua própria lâmpada

As últimas palavras do Buda foram:
Sê tua própria lâmpada".
Ele não disse: "Corram para este ou para aquele mestre, ou para aquele centro".
Ele falou: "Olhe, sê a tua própria lâmpada".

[Charlotte Joko Beck]

06 agosto, 2002

Meditar significa observar

Observe as mudanças que têm lugar na sua mente sob a luz da consciência.
Mesmo sua respiração mudou e tornou-se "não-duas"
(eu não quero dizer "uma") com seu eu observante.
Isso também é verdade em relação a seus pensamentos e sentimentos,
os quais, junto com os efeitos deles, de repente se transformam.
Quando você não tenta julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçam com a mente observante.

De tempos em tempos você pode ficar inquieto e
constatar que a inquietude não vai embora.
Nesses momentos. apenas sente-se em silêncio, acompanhe sua respiração,
dê um meio sorriso e faça sua consciência brilhar sobre a inquietude.
Não a julgue nem tente destruí-la, porque essa inquietude é você.
Ela nasce, tem um período de existência e desaparece, naturalmente.
Não se apresse demais em descobrir a origem dela.
Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Simplesmente ilumine-a.
Você verá que pouco a pouco ela se modificará, incorporando-se
e ligando-se a você, o observador.
Qualquer estado psicológico que você submeter
a essa iluminação acabará por se suavizar e
adquirir a mesma natureza da mente observante.

Durante toda a meditação, mantenha o sol da sua consciência brilhando.
Como o sol físico, que ilumina cada folha de árvore, de arbusto
e de grama, nossa consciência ilumina cada pensamento
e sentimento nosso, permitindo que os reconheçamos,
que fiquemos conscientes de seu surgimento, duração
e dissolução, sem julgá-los ou avaliá-los, sem recebê-los
com alegria ou bani-los. É importante que você não
considere a consciência uma "aliada", chamada para
suprimir os "inimigos" que são seus pensamentos indisciplinados.
Não transforme sua mente num campo de batalha.
Não lute nela uma guerra, pois todos os seus sentimentos –
alegria, tristeza, raiva, ódio - são parte de você.
A consciência é como uma irmã ou irmão mais velho,
suave e atenciosa, que está presente para guiar e iluminar.
Ela é uma presença lúcida e tolerante, jamais violenta e preconceituosa.
Está presente para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos,
não para julgá-los como bons ou maus, ou colocá-los em campos
opostos a fim de que lutem uns com os outros. A oposição entre o
bem e o mal é com freqüência comparada à luz e as trevas,
mas se encararmos as coisas a partir de uma outra perspectiva,
veremos que quando a luz brilha a escuridão não desaparece.
Ela não vai embora; ela se funde com a luz; torna-se a luz.

Há pouco tempo pedi a meu convidado que sorrisse.
Meditar não significa lutar com um problema.
Meditar significa observar. Seu sorriso é uma prova disso.
Ele prova que você está sendo gentil consigo mesmo,
que o sol da consciência está brilhando em você,
que você tem o controle da sua situação.
Você é você mesmo e você alcançou alguma paz.
E esta paz que faz com que as crianças adorem ficar perto de você.
Thich Nhat Hanh [O sol meu Coração - da atenção à contemplação intuitiva]

05 agosto, 2002

O Primeiro Livro Zen

O primeiro livro que li sobre zen se chama
O Caminho Zen de Eugen Herrigel.
Comprei por acaso. Abri o livro ao acaso,
li algo ao acaso e gostei do acaso.
Quando vi o livro na estante da livraria,
lembrei de como as pessoas costumavam dizer que
eu era e sou “zen”. Eu entendia esse “zen” como “ser calma”
e isso me bastava, mas ao ver o livro
pensei: olha só, o que será esse zen?
Livro difícil esse “Caminho Zen”. Levei anos só tentando ler,
mas não falava de Buda e de Budismo em geral.
Falava de Koans, de Satori, da disciplina zen.
Por isso lendo só esse livro eu fiquei
meio analfabeta em budismo, mas entendida em zen.
Como o zen não se liga muito no passado do
budismo, nem em Buda, o zen é clean, pensei, estou no caminho zen certo.
Mesmo assim, gostei dos Koans. Até experimentei um que tinha no livro.

Quando encontras na rua uma pessoa que alcançou a verdade,
não podes passar por ela nem falando nem calado.
Ora, como então estabelecer contato?


Isso me ocupou por um bom tempo.

Os koans combinavam com a minha natureza introspectiva.

04 agosto, 2002

Ilusões

Não adianta ficar na frente do espelho dizendo
‘você é feio’, ou ‘você é bonito’, isto não vai alterar a imagem no espelho.

[Chagdud Khadro]

03 agosto, 2002

Na última viagem de ônibus tinha uma relógio que batia de hora em hora.
O dono do relógio acordava a cada “pim”. Eu nem dormia.
Lá pelas tantas o cara já estava reclamando com o motorista porque
ele havia passado muito do lugar onde o cara queria descer.
O ônibus passou antes do “pim” e ele não acordou.
Agora meu relógio está ‘pim’ de hora em hora também.
Eu nem sei onde mexi para desmexer.
Fui tentar acertar a hora e ele ficou ‘pim’ e não acertei
nem a hora nem o ‘pim’.
Esse ‘pim’ só me serve para meditar.
Se eu conseguir ficar uma hora ‘pim’ sentada.

02 agosto, 2002

Desvendado mistério sobre os elefantes



Afinal elefante não tem aquelas duas astes de marfim uma de cada lado?
Pelo menos quando eu era criança, se pedissem para desenhar
um elefante eu o desenharia com marfim.
Mas hoje as crianças nem devem saber disso, pois os elefantes
já nem tem mais marfim, os que sobreviveram ao
massacre dos contrabandistas.

Estranho. Fiquei pensando porque eu teria postado três imagens
de elefante neste blog em poucas semanas.
Só ontem eu me dei conta que poderia ser um sinal.
Alguém da África poderia estar
tentando me enviar um sinal. Os elefantes vêm da África.
Mas quem? Eureca! – É Heila! – Ela que está vindo da África!

Se eu contar isso pra ela, será que ela vai rir?
Se Freud estivesse vivo e entrasse nesse blog iria dizer: deixa disso menina.
essa coisa de elefante pra mim é um símbolo fálico.
Considerando que para Freud tudo era símbolo fálico acho que não devo me preocupar tanto
com elefantes.




Eu não disse que elefante tinha marfim!