31 julho, 2002

O mais importante é a prática

"Se vocês estão realmente interessados no budismo,
então o ponto mais importante é o progresso — a prática.

Estudar o budismo para depois utilizá-lo como uma
arma para criticar as teorias ou ideologias dos outros
é errado. O propósito da religião é o autocontrole e
não criticar os outros. Pelo contrário, devemos criticar
a nós mesmos. o que estou fazendo sobre a minha raiva?
Sobre o meu apego, sobre o meu ódio, sobre o meu orgulho,
o meu ciúme? Esses são pontos que devemos conferir no
dia-a-dia como o conhecimento dos ensinamentos budistas.
Ficou claro?
Como budistas, enquanto praticarmos o
nosso próprio ensinamento, devemos respeitar os outros
tipos de fé, o cristianismo, o judaísmo e outras religiões.
Devemos reconhecer e apreciar as suas contribuições para
a sociedade humana em vários séculos, e desta vez devemos
lutar para fazer um esforço comum para servir a humanidade.

É particularmente importante que os novos budistas
mantenham em mente a adoção de uma atitude correta em
relação aos outros tipos de fé.

Também entre os budistas existem escolas diferentes,
sistemas diferentes de prática, e não devemos achar que
um ensinamento é melhor, que outro é pior. O sentimento
de sectarismo e a censura em relação a outros ensinamentos
ou outras seitas é muito ruim, venenoso, e deve ser
evitado.

O mais importante é a prática na ida diária,
então vocês poderão conhecer gradualmente o verdadeiro
valor da religião.
A doutrina não se destina ao mero
conhecimento, mas ao progresso das nossas mentes. Para
isto, ela deve fazer parte da sua ida. Se vocês colocarem
uma doutrina religiosa numa construção e quando saírem de
lá deixarem de lado todas as práticas, não conseguirão
perceber o seu valor.

Espero que se empenhem na prática
com o coração aberto e que essa motivação contribua com
algo de bom para a sociedade ocidental."

Dalai Lama [A Prática da Benevolência e da Compaixão]

28 julho, 2002

O Último Sermão de Buda

3.Ó monges, deveis tomar vossas refeições como se elas fossem remédios.
Quer quando comeis coisas deliciosas, que quando comeis coisas
desagradáveis,jamais devereis sair da proporção certa.

Comei o suficiente para vos manterdes.
Recebendo dádivas alheias,
tomai apenas um mínimo para eliminar vossas
dificuldades. Não desejeis demasiado, a fim de não romper a boa
disposição de vossas mentes.

Ó monges, ainda que alguém vos fira,
sede pacientes, não tenhais cólera
nem ódio. Guardai vossa boca para não proferir
palavras ferinas. Abandonar a cólera ao sabor dos
caprichos prejudica o trilhamento do Caminho e
destrói os méritos. Imensa é a virtude da paciência,
muito superior à da observância dos Preceitos.
Aquele que bem pratica a paciência merece ser chamado um
forte. Aquele que se alegra com os venenos
do cavalo indômito e não sabe praticar a paciência
como quem bebe néctar, não pode ser considerado um
detentor da Sabedoria dos Praticantes do Caminho.
Os prejuízos causados pela cólera destroem as boas leis.
São prejuízos maiores que os causados por um incêndio devastador.
Nem os ladrões que nos roubam os méritos
são tão terríveis como a cólera.

Os próprios leigos devem se abster da cólera.
Com muito mais razão, portanto,
os monges, aqueles que entraram no Caminho,
que se humilham e andam pedindo esmolas para obter
a Libertação, deverão se abster do orgulho.

27 julho, 2002

Oh, monges e sábios, não aceitem minhas palavras apenas por reverência.
Vocês devem submetê-las a análise crítica e aceitá-las
com base em sua própria compreensão
.”

Buda

Quanto mais vc. explora um assunto e o submete a minucioso exame mental,
Mais profundamente vc. o compreende. Isso o habilita a julgar a sua validade.
Se, por meio de análise, vc. comprova que algo é inválido, então deixe-o de lado.
No entanto, se vc. confirma que algo é verdadeiro, então sua fé naquela verdade
Tem uma poderosa solidez. Todo esse processo de pesquisa e exame minucioso
Deve ser visto como uma forma de meditação.

Dalai-Lama [Um Coração Aberto:Praticando a Compaixão na Vida Cotidiana]Practicing Compassion

26 julho, 2002

Linguagem Correta

Meu mestre dizia,

"Se você não consegue controlar a sua boca,
não existe esperança de que irá controlar a sua mente.
"

Por essa razão a linguagem correta é tão importante na prática diária.

Thanissaro Bhikkhu [Linguagem Correta]


25 julho, 2002

Talvez a gota d’água saiba que ela está no oceano;
mas será que também sabe que ela contém o oceano?

[provérbio oriental]

24 julho, 2002

O Último Sermão de Buda
continua...

2.Os Preceitos são a fonte da Libertação.
Dos Preceitos saem os diversos estados de meditação
e a sabedoria que leva à cessação do sofrimento.
Por isso, ó monges, guardai os Preceitos
e esforçai-vos para jamais violá-los.
Se conseguirdes guardar bem os Preceitos, disso resultará a
Boa Lei. Se não conseguirdes guardar bem os Preceitos,
não aparecerão os méritos decorrentes da prática das boas ações.
Por isso, deveis compreender que nos
Preceitos está a Suprema Tranqüilidade e o Supremo Mérito.
Ó monges, vós permaneceis na prática dos Preceitos.
Por isso, deveis disciplinar vossos cinco sentidos,
jamais permitindo o surgimento dos cinco
desejos (desejo de se alimentar, desejo de dormir, desejo sexual,
desejo de obter fortuna e desejo de conseguir honrarias e fama).
Assim como um pastor domina o gado com seu cajado,
não permitindo que os animais invadam as plantações,
deveis guardar a máxima vigilância. Abandonar os cinco
sentidos ao sabor de seus caprichos
é como deixar um cavalo indômito sem rédeas.
Tal cavalo arrasta as pessoas e as derruba dentro de buracos.
O prejuízo causado por um cavalo indômito atinge apenas o presente,
mas o causado pelos cinco sentidos atinge inclusive o futuro.
Por isso, deveis evitá-lo. O sábio vigia
seus cinco sentidos como a um ladrão;
jamais se descuida deles. Mesmo
que se descuide por um instante, logo readquire o controle.
A mente é senhora dos cinco sentidos.
Por isso deveis disciplinar vossa mente.
A mente é mais perigosa que uma cobra venenosa,
uma fera ou um salteador.
É como uma pessoa que, entretida com o mel que transporta em
Suas mãos, não enxerga um buraco e cai nele.
Se deixardes vossa mente entregue a
si mesma, perdereis as boas coisas.
Se a vigiardes, tudo correrá bem.
Por isso, ó monges, deveis vos esforçar e dominar vossa mente.

23 julho, 2002

Buda ensinou que as coisas existem e acontecem porque
houveram causa e condição para isto.
Se você alterar a causa e a condição, o efeito também mudará.
Então você enxerga a sua vida e as coisas ao seu redor
como fruto destas causas e condições.

[Pen Juo,Maurício Ghigonetto]

22 julho, 2002

21 julho, 2002

Elefantes também meditam!



Provérbio Japonês

Mesmo as coisas não aprendidas pela
leitura ou ensinadas por um mestre,
se por um longo período,realmente
você experimentar na prática,
naturalmente você vai se acostumar e vai aprender.


In: dicionário:
Kurashi-no naka-no kotowaza jiten - ed. Shuei-sha –
[dicionário de provérbios cotidianos japoneses]


20 julho, 2002

O Gosto Amargo do Preconceito

Quando se viveu quase uma vida no meio de
católicos e se desperta para o
Budismo, cedo ou tarde experimenta-se o
gosto amargo do preconceito.
É como ser “um na multidão”.
A resistência da família faz parte dessa categoria
e não é fácil de encarar.

19 julho, 2002

O Último Sermão de Buda

Horas antes de sua morte, deitado no meio do
bosque de Kushinagara, Buda dirigiu a palavra
a seus discípulos que o rodeavam, nos seguintes
termos:


Ó discípulos!
Após minha morte, deveis vos guiar pelos Preceitos.
Eles devem ser como a luz no meio das trevas,
como um tesouro encontrado por um pobre.
Isso porque os Preceitos são vosso Mestre.
Guiar-se por eles é o mesmo que guiar-se por mim.
Vós que guardais os Preceitos, disciplinai vosso corpo,
tomai as refeições nas horas certas, vivei em estado de pureza.
Não tomeis parte nos negócios mundanos,
não recorrais a fórmulas mágicas, não fabriqueis elixires
miraculosos, não vos aproximeis de nobres e não tomeis atitudes para
com outrem condicionadas por sua riqueza ou pobreza.
Guardai uma mente correta,
tende pensamentos corretos e sede comedidos.
Não recorrais a prodígios para seduzir as pessoas.
Quando receberdes presentes, observai sempre o comedimento.

04 julho, 2002

Três Cegos e o Elefante



Três cegos foram conhecer um elefante.
O Primeiro apalpou a perna do elefante,
o segundo a calda e o terceiro as orelhas.
Como é o elefante? – Perguntaram.
O primeiro cego disse: - É parecido com um tronco.
O segundo discordou. – Não, parece mais com uma lança.
O terceiro sentiu-se ofendido com as respostas dos primeiros e
afirmou: - O elefante é como uma folha de bananeira.
Cada um dos cegos sentiu o elefante de uma maneira diferente,
Nenhum deles mentiu. Ainda assim, o elefante não se parece
com nenhuma das comparações apresentadas.

02 julho, 2002

O Professor no Darma

Protecionismo ocidental. Reserva de mercado budista.
Será que todos os praticantes budistas, fora dos mosteiros, têm um mestre pessoal?
Isto é possível? Claro que não.
Muitos são apenas ”simpatizantes” do budismo e não se preocupam em ter um mestre.
talvez essa preocupação ou despreocupação, surja do nosso contato com o budismo,
em geral, se dar primeiro através de leituras e não através do contato com a Sanga, com
os professores, etc.
Não basta vc. querer um mestre ou o professor querer lhe ensinar.
É preciso que haja afinidade mútua ou seja conexão cármica entre ambos.
A orientação de um professor parece desnecessária, quando se vê o budismo apenas
de longe, sem se comprometer, sem praticar em um grupo.
Quando tomamos contato com a Sanga podemos perceber que há níveis diferentes
de compreensão. Que há pessoas que estão mais maduras, outras estão amadurecendo e outras
estão completamente verdes. Sobretudo, vc. se percebe e põe os pés no chão.
É necessário a orientação para evitar cair em desvios como o pessimismo, o niilismo e
o ateísmo, pois certos conceitos tais como o conceito do “vazio” e as “Quatro Nobres Verdades”,
quando mal interpretados ou levados ao extremo quase sempre serão danosos.
O mestre não é um ser melhor nem pior que qualquer um de nós. É apenas uma pessoa como
nós, com mais experiência, com mais tolerância e tato para lidar com as pessoas, responder
ou não suas dúvidas.
Ele (a) são treinados para serem simples, objetivos, compassivos,
tudo o que qualquer um de nós deve buscar no seu dia a dia, mas acaba negligenciando.
Melhor que a busca romântica de um Mestre,
seria melhor buscar primeiro um Professor no Darma.

01 julho, 2002

Koan e Prática

Transformar o koan em um tarefa, em prática, em exercício
me parece mais produtivo do que associa-lo a um simples jogo de
adivinhação, um enigma: decifra-me ou estás perdido.
Mesmo porque o repertório de koans é facilmente conhecido
e já foi decifrado.
As histórias podem soar, muitas vezes, mais
como piada do que como ensinamento.
Trazem em si um bom humor que me agrada.