05 maio, 2002

O SUMI-Ê

originou-se da tradicional pintura chinesa baseada no Zen Budismo, sendo introduzido por monges budistas no Japão no século XIII. "Sumi" significa tinta preta e "ê" significa pintura, desenho.

Sua característica está na rapidez em que é realizado, não permitindo reflexão, correção ou repetição, devendo o artista fluir em sua inspiração natural.

Outra característica desta arte tradicional, está relacionado não como forma de expressão, mas sim com o objetivo da paz espiritual.
Os princípios estéticos e filosóficos da pintura Sumi-ê são:
-assimetria,
-singeleza,
-naturalidade,
-profundidade,
-desapego,
-quietude e
-serenidade interior.

A aprendizagem da pintura Sumi-ê é muito mais que o exercício de uma arte;
é um caminho espiritual para o equilíbrio e a paz interior.

A arte

"Os elementos básicos da arte Sumi-ê são três: a simplicidade, a simbolização e a naturalidade. A expressão que visa o eterno está em sintonia com a redução simbólica do espírito zen.
O sumi-ê é uma arte subjetiva e está longe de ser uma expressão objetiva calcada na observação simples. A reflexão é ditada pela percepção e a expressão, pelo sentimento.
O sumi-ê é uma pintura que precede o conhecimento da cor. Mas é também uma expressão que pressupõe o seu completo domínio. A arte da tinta sumi constitui-se na maneira mais eficiente de exprimir, com clareza, os objetivos do homem.
O misticismo das cores abreviadas e puro e profundo. Os traços flexíveis, apesar da ausência de contornos definidos, são extremamente ricos.
A expressão livre que brota através da cor sumi e dos movimentos do pincel reflete, com sinceridade, o caráter e a personalidade do autor, induzindo-o ao prazer das descobertas. Apesar da vida e do ambiente em que o homem se insere serem complexos e múltiplos; apesar de os costumes e sentimentos dos povos serem distintos, existe um desejo que é aproximadamente comum a todos. Esse desejo se divide em quatro fatores: uma vida eterna; uma vida agradável; uma vida livre e uma vida bela. Esses quatro fatores correspondem às quatro palavras do zen: sei (pureza), so (simplicidade), jun (suavidade), ga (elegância).
Uma vida eterna, uma vida agradável, uma pintura livre, um sentimento nobre. Tudo isso pode ser conseguido, através da pintura, que nos conduz à compreensão da razão da natureza. Amando a natureza, estaremos capacitados a amar as belezas naturais e os seres vivos. Assim nasce a paixão pela arte."
In: Massao Okinaka [ Caderno de Sumi-ê, Ed. Aliança Cultural Brasil Japão, 1989.]

Para a prática:
Não é necessário saber pintar nem desenhar;
É necessário gostar do que está fazendo;
É preciso se identificar com o Sumi-ê;
É uma forma de meditação;
Pinceladas rápidas, decisivas, sem repetir, sem corrigir e sem reflexos.

Material:

Pincel - próprio para Sumi-ê, geralmente pêlo de ovelha ou texugo, de maneira a reter muito líquido;
Sumi - tinta feita através do carvão, feita de fuligem e cola;
Papel de arroz - papel fino e absorvente, que dá a principal característica deste tipo de pintura.

[Suely Shiba Iakowsky, professora de Sumi-ê.]

A tendência moderna do Sumi-ê, é o uso de cores, da tinta Gansai (tinta japonesa de cores suaves),



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