19 maio, 2002

Cerimônia do Chá

O Tchâ-no-yu ( Cerimônia do chá ) ou Sadôo ( literalmente, o caminho do chá ), é um sentimento que dificilmente pode ser expresso por palavras. Desenvolvida sob influência do budismo Zen (cujo objetivo é purificar a alma do homem, confundindo-a com a natureza), de certa forma pode-se dizer que o chanoyu é a materialização do empenho intuitivo do povo japonês pelo reconhecimento da verdadeira beleza na modéstia e simplicidade.
O Tchâ-no-yu tem desempenhado um importante papel na vida artística do povo japonês, pois envolve a apreciação do cômodo onde é realizada, o jardim que o circunda, os utensílios utilizados, a decoração do ambiente. Representando a beleza da simplicidade estudada e da harmonia com a natureza, o espírito do Tchâ-no-yu moldou o desenvolvimento da arquitetura, jardinagem paisagística, cerâmica e artes florais no Japão.

História

O hábito de tomar chá teve origem na China, durante a dinastia Han (sec. I e II). Dada a sua preciosidade, inicialmente foi usado como remédio, mas com o tempo passou a ser bebida de imperadores, nobres, sacerdotes, notadamente da seita Zen.
No século XII, quando o budismo Zen se firmou no Japão, o monge Eisai introduz o uso da Macha (chá em pó) oriundo da China e que substitui o chá em tijolo, usado desde o século VII.
No silêncio dos mosteiros Zen, onde os monges tomavam chá para se manter em vigília e meditação, aos poucos foi se desenvolvendo uma filosofia de vida que deveriam encontrar sua realização no chadô e sua cristalização estética no Tchâ-no-yu ou Cerimônia do Chá.
Coube a Murata Shuko (1422-1502), natural de Nara, unificar definitivamente o ideal do chá com a filosofia Zen: estabeleceu a medida de 04 tatamis (esteira) e meio para sala de chá - medida até hoje obedecida; utilização de cerâmica japonesa ao invés da chinesa; e introdução de um kakemono (rolo de caligrafia chinesa contendo um poema ou pensamento). Criou o daisu - pequena estante para abrigar os objetos cerimoniais e ainda elaborou um regulamento para a cerimônia, baseado no código de honra dos samurais, o Bushidô e na etiqueta seguida pelos monges Zen durante as refeições.
No século XVI,o Mestre Sen-no-Rikyu com base no espírito do Zen, deu estrutura definitiva à cerimônia do chá. Criou a cabana do chá, imbuída de espírito wab (desprendimento), cabana rústica de camponês, paredes toscas, teto de bambu ou de caniço, decoração sóbria. Baseou-se ainda em quatro princípios a essência da cerimônia: Wa (harmonia), Kei (respeito), Sei (pureza) e Jaku (tranqüilidade).
Após a morte de Sen-no-Rikyu seus ensinamentos foram transmitidos aos seus descendentes e discípulos. Á época de seus tataranetos três diferentes escolas foram fundadas: Omotensenke, Urasenke, Mushakojinsenke e continuam em atividade até hoje.
Para o povo japonês, o tchâ-no-yu é uma disciplina mental para conseguir chegar ao wabi ( estado mental no qual a pessoa é calma e feliz, com profunda simplicidade ); é, ao mesmo tempo, um acontecimento em que são essenciais a forma e a graça.

Cerimônia

As regras rigorosas da etiqueta do tchâ-no-yu que podem parecer penosas e meticulosas à primeira vista são, de fato, calculadas minuto a minuto, a fim de obter a maior economia de movimentos e, na verdade, agrada aos iniciados assistir a sua execução, especialmente quando realizada por mestres experimentados.

São utilizados os seguintes lugares, coisas e materiais:

Casa de chá ou sukiya:

Consiste em uma sala de chá (cha-shitsu), uma sala de preparo (mizu-ya), sala de espera (yoritsuki) e de um caminho ajardinado (roji) que leva a entrada da cada.

Utensílios:

Na cerimônia se usa principalmente: shaire (recipiente do chá),
shasem (uma espécie de vassourinha de chá feita de bambu para mexer o chá).

Kama e Furô (chaleira e braseiro):

Kama contém a água e é posta sobre o furô para ferver (no inverno, cria-se um ro, ou lareira no chão, removendo-se parte das placas do soalho).
Mizussáshi: um jarro. A água por ele contida é usada
para lavar o tchawan (tijela de chá) ou é despejada no kama.

Kensui: pote em que se despeja a água usada para lavar o tchawan.

Tchawan: pequena tijela para o chá.

Hishaku: concha para despejar água.

Ussuki ou Natsumê: recipiente de Iaca para o ussutchá (chá em pó).

Trajes e acessórios roupas de cores discretas. Em ocasiões formais, os homens vestem quimono de seda, de três ou cinco brasões de família estampados e tabi (meias brancas ou tradicionais). As mulheres vestem um quimono conservador brasonado e tabi. Os convidados devem trazer um pequeno leque dobrável e uma almofada de kaishi ( pequenos guardanapos de papel).

A cerimônia, de forma simplificada, consiste em:

1) primeira sessão na qual uma refeição ligeira denominada kaiseki é servida;
2) o nakadachi (breve pausa);
3) gozairi, a parte principal da cerimônia onde o koicha (chá de textura espessa é servido)
4) ingestão do usucha ( chá de textura fina).

Ao todo a cerimônia consome em média 4 horas.
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