08 abril, 2002

NADA É PERMANENTE

Havia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida,
mas sentia-se confuso.
Resolveu consultar os sábios do reino e disse-lhes:
- Não sei por que sinto-me estranho e preciso ter paz de
espírito.
Preciso de algo que me faça alegre quando estiver triste e que me
faça triste quando estiver alegre.
Os sábios resolveram dar um anel ao rei, desde que o rei seguisse
certas condições:
- Debaixo do anel existe uma mensagem, mas o rei só deverá abrir o
anel quando ele estiver num momento intolerável.
Se abrir só por curiosidade, a mensagem perderá o seu significado.
Quando TUDO estiver perdido, a confusão for total, acontecer a
agonia e nada mais se puder fazer, aí o rei deve abrir o anel.
O rei seguiu o conselho.
Um dia o país entrou em guerra e perdeu.
Houve vários momentos em que a situação ficou terrível,
mas o rei não abriu o anel porque ainda não era o fim.
O reino estava perdido, mas ainda podia recuperá-lo.
Fugiu do reino para se salvar.
O inimigo o seguiu, mas o rei cavalgou até que perdeu os
companheiros e o cavalo.
Seguiu a pé, sozinho, e os inimigos atrás;
era possível ouvir o ruído dos cavalos.
Os pés sangravam, mas tinha que continuar a correr.
O inimigo se aproxima e o rei, quase
desmaiado, chega à beira de um precipício.
Os inimigos estão cada vez mais
perto e não há saída, mas o rei ainda pensa:
- Estou vivo, talvez o inimigo mude de direção.
Ainda não é o momento de ler a mensagem...
Olha o abismo e vê leões lá embaixo, não tem mais jeito.
Os inimigos estão muito próximos, e aí o rei abre o anel e lê a
mensagem:
"Isto também passará".
De súbito, o rei relaxa.
Isto também passará e, naturalmente, o inimigo mudou de direção.
O rei volta e tempos depois reúne seus exércitos e
reconquista seu país. Há uma grande festa, o povo dança nas ruas
e o rei está felicíssimo, chora de tanta alegria
e de repente se lembra do anel,
abre-o e lê a mensagem:
"Isto também passará".
Novamente ele relaxa, e assim obtém a sabedoria e a paz de
espírito.


Em qualquer situação, boa ou ruim,
de prosperidade ou de dificuldades, em que as emoções
parecem dominar tudo o que fazemos, é importante que nos
lembremos de que tudo é efêmero, de que tudo passará, de
que é impossível perpetuarmos os momentos que vivemos,
queiramos ou não, sejam eles escolhidos ou não.

A ansiedade, freqüentemente, não nos deixa analisar o que nos
ocorre com objetividade. Nem sempre é possível, mesmo.
Mas, em muitos momentos, precipitamos atitudes
que só pioram o que queríamos que melhorasse.
A calma, conforme o ditado popular, pode ser o melhor remédio
diante daquilo que não depende de nós...
Manter as emoções constantemente sob controle é
pura fantasia e qualquer um já viveu a sensação de pânico ao
perceber que o que mais se valoriza está escapando
por entre os dedos.
"Dar tempo ao tempo" não é sintoma de passividade,
mas de sabedoria na maior parte dos casos.

Sem comentários: