27 abril, 2002

Estudar o Caminho do Buda é estudar a si mesmo.
Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo.
Esquecer-se de si mesmo é estar iluminado por dez mil Dharmas.
Estar iluminado por dez mil Dharmas é estar liberto do corpo e da mente, e dos outros.
Nenhum rastro de iluminação permanece, e esta iluminação em rastro continua para sempre.
Quando se procura o Dharma pela primeira vez, está-se longe de seu ambiente.
Quando já se transmitiu corretamente o Dharma para alguém, somos o Self original naquele momento.
Quando se está num barco e olha-se para a praia, pode-se achar que a praia está se movendo.
Mas, olhando diretamente para o barco, sabe-se que é o barco que se move.
Se se examinarem os dez mil Dharmas com corpo e mente iludidos, supõe-se
que a mente e a natureza são permanentes.
Mas, se praticarmos intimamente e retornarmos ao verdadeiro self, ficará claro
que a mente e a natureza são permanentes.
Mas, se praticarmos intimamente e retornarmos ao verdadeiro Self,
ficará claro que os dez mil Dharmas não são o Eu.
A lenha transforma-se em cinza e não volta a ser lenha novamente.
Mas não pense que a cinza é depois e a lenha antes.
Devemos compreender que a lenha está no estado de lenha, e que era assim antes e depois.
E, apesar de seu passado e futuro, o presente é independente deles.
A cinza está no estado de cinza, que era antes e depois.
Assim como a lenha não volta a ser lenha depois que vira cinza,
depois da morte não retorna à vida novamente.
Portanto, que a vida não se torna morte é um fato incondicional
do Dharma de Buda; por este motivo, a vida é chamada de não nascida.
Que a morte não se torna vida, é a repetição da roda do
Dharma confirmada por Buda; portanto, a morte é chamada de não extinguida.
A vida é um período do si mesmo.
A morte é um período do si mesmo.

Trecho do Shobogenzo Koan, Zenji Dogen (1200-1253)
David Scott & Tony Doubleday [ Elementos do Zen ]

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