10 março, 2002

Budismo & Escolas.

O budismo pode ser uma forma de vida, uma filosofia e até mesmo uma religião,
como de fato é em alguns países.
É difícil definir algo que eu sinto cada vez mais ser necessário viver, experimentar na prática.
Talvez o budismo seja isso: experiência, vivência, prática cotidiana, fazer as coisas certas,
seguir o Nobre Caminho Óctuplo. Então o budismo é na verdade um caminho entre tantos.

Se vc. puder ouvir palestras, ler livros, e sobretudo se vc. conseguir se ouvir,
aos poucos, vc. poderá descobrir o que é o budismo, se ele te serve, se vc. tem afinidade e se quer praticar em algumas das suas escolas.

Aqui tenho falado mais do Zen-Budismo por que é a minha praia, e às vezes do Theravada que tb. tem algumas coisas que gosto. O Theravada é o budismo mais ligado à tradição do Buda, como ele ensinou inicialmente. Os monges theravadins buscam a santidade em prática rigorosas que incluem voto de pobreza, castidade entre outros 242 votos para homens e 343 para mulheres. Seguem o Cânome Pali, coletânea de sermões do Buda Shakyamuni tidos como escritos sagrados. A prática mais comum entre os leigos é meditação Vipassana, o estilo ensinado por Buda que contempla o vasto campo do corpo através da respiração.

Já o budismo Tibetano- Vjara ou Budismo Esotérico ou Tântrico, absorveu o sincretismo da cultura e dos cultos que já eram praticados no Tibete (cultos xamânicos). Tem quatro escolas: Nyingma, Sakya, Geluk (Dalai Lama) e Kagyu. Kanjur é o cânome de sutras e tântras. A meditação se chama Lam Rim ou A Lâmpada para o Caminho da Iluminação ( ou caminho gradual) tratado composto pelo monge indiano Atisha que emigrou para o Tibete. A técnica contida no Lam Rim compreende: devoção,análise e absorção. Todavia, existe uma infinidade de práticas no Budismo Tibetano que seria muito longo citar todas elas.

Em sua essência, os preceitos e os ensinamentos básicos são os mesmos em todas as escolas, o que difere é a prática, no caso dos tibetanos, é uma prática mais ritualistica: há o culto de deidades com iniciações, louvores à linhagem e oferendas ( comida, bebida, velas, incenso, flores, perfume) como preliminares; visualização, recitação de mantra (cada deidade tem o seu mantra), mudras e meditação em graus mais elevados. Orações para o seu mestre (guru) ou Lama da linhagem ( família) escolhida (são várias linhagens) tb. fazem parte. Deidades são as diferentes formas que o(s) Buda(s) teria assumido em seus inúmeros renascimentos, cada deidade com uma finalidade “específica”, tem até formas femininas do Buda ( Tara Vermelha, Verde, Azul por ex. ,são 21 deidades femininas), todas veneradas no budismo tibetano. É o budismo mais alegre e dizem barulhento, mais festivo, colorido, e tem um Lama pop. Talvez por isso tenha tanta aceitação no Brasil. O objetivo dessas práticas de recitação exaustiva e tudo mais é encher a mente, já no Zen faz-se o contrário, esvazia-se. Portanto cabe perguntar: Como vc. se sente? Cheio ou vazio? Se está cheio, precisa de uma prática para esvaziar, se está vazio, precisa encher a mente. Ambos os métodos levam a um estado de clareza e conexão com a verdadeira essência do universo.

No Zen-Budismo, quase não tem rituais, e não se é sequer obrigada a venerar o Buda, ou os Mestres sucessores (todos os grandes mestres do budismo ao longo dos tempos.) Mas isso vai de cada Mestre ( Roshi), Instrutor (Sensei). A prática no Zen é basicamente sentar-se em Zazen ( meditação silenciosa), que tb. pode ser feita andando, cujo objetivo inicial e preparar o corpo e a mente através da postura correta, da respiração correta e a atenção plena, livre de distrações e digressões. Porém essa meditação não se restringe à almofada, ela deve ser continuada no cotidiano, em todas as nossas ações e pensamentos, através da atenção momento a momento.

O objetivo final é  "O Despertar", o estado de consciência plena, onde podemos nos conectar com o “eu” interior", com “Deus”, se vc. preferir, com o universo, enfim o nome não importa muito. Iluminar-se é poder tocar este “Deus interior” que existe em cada um de nós, fundir-se com ele como fez o Buda, ser parte dele, reencontrar nossa essência.

O budismo foi levado para a China por um discípulo de Buda, Bodhidharma e lá ganhou nova interpretação, alguns acréscimos, como o uso dos Koans (histórias, poemas, às vezes sem um sentido lógico, mas que contém em si a essência do ensinamento e podem proporcionar insights.)

Tudo que precisamos aprender está no mundo, só precisamos ir ao encontro dele. Esse passo só vc. pode dar.

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