03 fevereiro, 2002

O uivante vento sul estremece as janelas.
Isso me faz lembrar da história de um aluno que não conseguia se concentrar no zazen,
Para conseguir esse objetivo ele passou a prestar atenção em todos os sons que pudesse ouvir.
Sem se apegar a nenhum deles. Assim prosseguiu na sua prática ouvindo tudo que pudesse captar,
Fazia assim não só enquanto meditava mas durante todo o dia, a ponto de perceber se alguém se aproximasse sem fazer nenhum ruído. Um dia estava sentado no zazen ouviu um estrondo, como quem leva um susto, sua mente se desprendeu do eu e ele despertou para o Satori.

Já fiz a experiência e pude comprovar que funciona.

“ Seja livre de solidões nas montanhas;
E tenha à sua volta, ouvida ou não,
A agradável melodia dos pássaros dos bosques.
Poucos são seus prazeres; se tem os olhos agora
Por tanto tempo condenados a fixar-se no chão
Que sem algum esforço contemplam
A face do sol no horizonte,
Nascendo ou se pondo,
Que a luz pelo menos
Encontre livre entrada em suas lânguidas órbitas
E que ele, onde e quando queira, se sente
Embaixo das árvores, ou numa margem relvada
À beira da estrada, e com os passarinhos
Divida sua refeição colhida ao acaso;
Como à vista da Natureza viveu,
Que à vista da Natureza venha morrer.

Os bons morrem cedo.

Wordsworth [ A Campanha Visionária]

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