27 janeiro, 2002

Outro dia me sentei sob uma árvore na beira do mar, mas tendo
às costas uma movimentadíssima avenida. Pensei: poderia me
sentar aqui e ficar dias, como Buda um dia se sentou sobre a figueira Bo.
Esperando pacientemente pela compreensão de todos os mistérios do universo.
Logo outro pensamento me assaltou: impossível repetir a experiência de Buda.
Logo viria alguém me perguntar se eu estou bem, o que estou fazendo
ali e se eu me mantivesse imóvel, olhar fixo nas ondas,
me chamariam de lunática e sabe-se lá mais o quê.
Alguém chamaria a polícia e me levariam para um hospital psiquiátrico.
Bons tempos o de Buda! Já que não existem mais árvores disponíveis para se
meditar com privacidade, volto para minha parede branca.
Nada como a simplicidade de uma parede
para se mergulhar no mais profundo mar da mente.

É inacreditável que em uma ilha que dizem tão bela
e tão imensa não haja mais espaço. Cada beira da praia,
cada morro todo lugar que vc. olha tá ocupado.
A ocupação dos espaços é insuportável, asfixiante,
porque além de não termos para onde ir, privacidade,
os recursos naturais vão pro ralo, muito antes do que deveriam
e não deveriam ir, deveriam ficar, serem preservados.
Ocupam tudo, cada palmo da orla marítima
com prédios, hotéis, risorts que despejam toneladas de esgoto no mar.
O mar está sufocado. O oceano com náusea já começa a vomitar El Niño.
Não se enganem, não é a Floresta Amazônica o pulmão do mundo.
O pulmão do mundo são os oceanos.
São as algas que produzem maior quantidade de oxigênio.
Quem mandou mentir para as criancinhas lá na escola.
Agora quem vai salvar o nosso oxigênio?
A florestas já foram transformadas em mesas, armários.... não tem volta.
O Universo está envelhecendo, dizem os cientistas.
Será que um dia ele irá morrer?
O mestre disse que quando morremos tudo morre,
até o Universo, porque somos Um com ele.
Agora vou meditar.....Mu!!!!! tentar ser Um com o Universo.
Coisa estranha ao tentar escrever Mu!
Ele se transformava em Um que é Mu ao contrário!

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