31 janeiro, 2002

Outro dia me sentei sob uma árvore na beira do mar, mas tendo às costas uma movimentadíssima
avenida. Pensei: poderia me sentar aqui e ficar dias, como Buda um dia se sentou sobre a figueira Bo.
Esperando pacientemente pela compreensão de todos os mistérios do universo.
Logo outro pensamento me assaltou: impossível repetir a experiência de Buda. Logo viria alguém me perguntar se eu estou bem, o que estou fazendo ali e se eu me mantivesse imóvel, olhar fixo nas ondas,
me chamariam de lunática e sabe-se lá mais o quê. Algum chamaria a polícia e me levariam para
um hospital psiquiátrico. Bons tempos o de Buda! Já que não existem mais árvores disponíveis para se
meditar com privacidade, volto para minha parede branca. Nada como a simplicidade de uma parede
para se mergulhar no mais profundo mar da mente.



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