21 janeiro, 2002

Eu não vivo em um mosteiro, não. Mosteiro em grego “minos”, estar só com sigo mesmo.
Mosteiro remete ao silêncio. Minha casa é silenciosa, o computador é silencioso.
Daí o Mosteiro Virtual.
Li a pouco que um dos lugares favoráveis para uma pessoa do meu signo viver é Esparta.
Tive que rir. Já levo uma vida de monja, gr. monachós: solitário, sozinho.
Durmo no chão, como pouco. Tento não comer carne, pelo menos vermelha, todos os dias.
Se a minha alimentação se resumir à carboidratos ficarei como aquelas
crianças barrigudinhas, mas desnutridas, anêmicas.
Pelo menos peixe uma vez por semana. Nesse ponto meu mosteiro é incompleto
pois a alimentação é pobre. De resto a vida monástica é bem confortável.
Um monge só precisa de duas mudas de roupa (uma para usar e outra para trocar),
um calçado, comida, um lugar para dormir e ser cuidado quando ficar doente.
Uma vida simples, sem luxo, saudável. Ouvi alguém dizer: uma vida de privações?
Para quem já teve o suficiente não é uma privação. Quem já teve coisas e não
sente falta de tê-las pode deixar facilmente de tê-las.
Ter coisas é um sofrimento, porque nos torna presos as coisas que temos.
Já viram como algumas pessoas se apegam a seu carro.
Cuidam dele com tal zelo que parece um prêmio e esquecem das pessoas.
Se vêem um risquinho no dito carro é um drama. Isso é apego.
Eu só tenho apego aos meus livros. Prometo que antes de morrer me livro deles...
Olho o armário e vejo que ainda está muito cheio. Até o inverno farei novas doações,
afinal uso sempre a mesma roupa, o tênis está furado, mas eu gosto dele.
Está na hora de raspar o cabelo outra vez. Já me acostumei com pouco cabelo.
Ter cabelo nos deixa vaidosos e dá trabalho cuidar dele, preocupações com
aparência não devem nos preocupar.
Minha mãe disse que pareço uma mendiga. Mãenhe! Sou uma mendiga bem limpinha!

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